Monthly Archives: March 2006


brisa

Inquieta, irracional,
Totalmente emocional.
Penso e faço!
Penso e ajo!
E tudo que eu acho é a minha certeza.
Confundo-me com minhas emoções,
Mas sou calculista em minhas ações.
Falsa fortaleza
Ou mulher emocional?
Vim para fazer a diferença,
Plantar a dúvida em sua cabeça
E desajustar até a ciência!
Eloqüência…
Ou excesso de visão?
Sou o avesso,
A distorção!
E venha o que vier,
Já nasci pronta
Para tudo e contra todos!
Tenham medo.
Pois eu sou o segredo
Que você não revelará!
Inquieta, irracional
E totalmente emocional…
BRISA.

17/06/2005


texto sem causa

E enquanto caio nesse ócio infantil,
Relembro coisas já esquecidas
Por mim e por você.
E minha mente fica farta de tantas lembranças fúteis!
Inúteis somente porque você não soube dar o devido valor
Tanto às minhas idéias contraditórias,
Quanto às minhas frases non sense total.
E se sou esse paradoxo infinito
Não é tua culpa, tampouco minha.
Pois fui feita pelo infinito indesejado,
Pela cor escura que não muda,
Pela arte e pela falta dela,
Pelo desamor imutável,
Pela desavença de dois corpos,
Pela nudez, fria e crua,
De pessoas que não se amaram.
Só se desejaram, e continuam lutando,
E brigando cada vez mais,
E no fim só me deixam mais triste.
Não sou forte, tampouco fraca demais.
Mas continuo nessa constância,
De enjoar de mim mesma e de meus conceitos,
E tentar desesperadamente mudar meu ser,
Ou para me adaptar, ou para satisfazer, sei lá!
E se caio novamente nesse ócio infantil
É porque meu coração ficou pequeno,
Tão magoado e tão sem vida!
Que não cabe mais nada,
Nem eu mesma, nem você, nem ninguém.
Nada mais preenche minha alma
Além de minha eterna vontade de mudar…
Mudar para ver se me esqueço,
Mudar para ver se esqueço essa falta de amor,
Mudar para deixar de ser quem sou,
Porque eu não quero mais[…]

23/07/2005


não me importa

Não me importa mais ouvir o que tua boca fala,
Tuas palavras repetidas,
Tuas desculpas esfarrapadas.
Não que importa que você se desespere,
Ou me peça perdão,
Ou me faça promessas inconsequentes.
Não me importa tuas ligações fora de hora,
Suas reações fora de hora,
Suas decisões fora de hora.
Não me importa que você ande quilômetros pra me dizer nada,
E não me importa mais toda essa coisa errada,
As mentiras injustificáveis,
A falta de tato (e contato),
Não me importa mais sua indecisão,
Sua falta de chão,
Não me importa que ande sempre na minha contramão,
Simplesmente não importa mais!

11/07/2005


onze anos

De repente ele passou a notar a colega que sentava na cadeira do meio, três filas depois da dele. Não sabia por que, mas de repente o sorriso dela passou a parecer lindo. Nunca haviam conversado mais que três ou quatro frases, sempre em trabalhos de grupo que a professora passava, mas ainda assim sua voz era linda também.

Até os óculos que ela usava davam um ar gracioso à sua face. Reuniu toda a sua (falta) de coragem e pensou um plano: Ela vai me notar! E pensou em estratagemas (Flanquear o adversário é sempre melhor que um ataque frontal, já dizia Sun Tzu). Mudou de cadeira. Sentou ao seu lado. Estava sempre onde ela estava. No pátio do recreio, na fila do lanche. Consertou a postura (Peito pra fora, barriga pra dentro!). Por fim tomou uma atitude. Um bilhete, assim, simples, escrito: Eu gosto de você. Te amo. E assinou, colocou dentro do caderno dela.

No dia seguinte, algo de estranho no ar. As meninas cochichavam e olhavam de soslaio. Os caras, aqueles imbecis que só pensam em bater baba, riam. Ela sentou longe dele. Um silêncio ensurdecedor caiu entre eles na aula de matemática. No intervalo, com a voz inaudível, ele tentou chamá-la para conversar:

– …

Ela, entretanto, disse:

– Ó, não é por nada não, mas gosto de você só como amigo, tá, e não quero estragar a amizade.

E saiu, em direção à merenda, enquanto o rapazote, já novamente com o peito pra dentro e a barriga pra fora, depois de levar o primeiro dos inúmeros foras de sua vida, pensava consigo:

– Foda-se, Sun Tzu.

Edgard Freitas