Monthly Archives: June 2006


ATO

E se busco
Em outras vozes
Aquelas palavras,
Hei de encontrar
Em outras frases
Apenas o som,
Mas não o verdadeiro sentido do ATO.

E se busco
Em outras mãos
Aquele afago,
Hei de encontrar
Em outros braços
Apenas o toque,
Mas não o verdadeiro sentido do ATO.

E se busco
Em outros lábios
Aquele beijo,
Hei de encontrar
Em outras bocas
Apenas o gosto,
Mas não o verdadeiro sentido do ATO.

Qual o verdadeiro sentido do ATO?
Amar, querido.
Apenas amar.

21/09/05


você espera

Você espera sempre por aquele carinho manjado,
As mesmas pessoas de sempre,
Fazendo as mesmas coisas de sempre.
Você se satisfaz com tão pouco,
Com o trivial, o imutável, o normal.
Você não quer alçar, correr, crescer!
Não quer fugir, saltar, sumir!
Não quer mais do que a vida pode te oferecer.

Você não quer emoção,
Não quer amor de nenhum coração!
Não quer saber como é ser amado da melhor forma,
Ou de outra forma qualquer…

Conformado…
Você sempre estará aí estático, parado,
No seu mundo infantil.
Nessa rede de pessoas sem emoção,
Que não vivem pelo coração.
Apenas levam suas vidas,
Sem fazer a menor diferença.

E que diferença faz?

25/10/2005


de repente

De repente, não mais que de repente… Acontece o inesperado! As palavras se escondem, o grito some, e o coração apressa. Bum! Bum! Bum! Ai meu Deus! Ai meu Pai! E tudo que era fácil, fica difícil. E tudo que era possível, vira impossível! Até seu bichinho de estimação percebe o desassossego iminente. A verborragia de sempre é substituída pelo engasgo. O tempo é contado a cada passo. E o final do fim do infindável, ninguém sabe, ninguém soube, ninguém viu. Simplesmente sumiu! A presença constante e cortante mudou seu rumo. O jeito rápido e insistente simplesmente tomou prumo. E todos os motivos para se ser como se é, acabaram por destruir o torpor. O corpo rijo que se outrora se fizera presente, foi embora com aquela gente. Povo incrédulo, invejoso e intransigente. Tudo que construía se perdeu. O calor que já subia, arrefeceu. E o tempo e o espaço se foram junto aos passos daquele rapaz. Mas e então, e aí, e agora… Como é que se faz? O que lhe resta é viver e levar. Temer, mas continuar. Pois com o tempo, o passado e a saudade, hão de se acostumar.

20/06/2006


o medo é meu

O medo é meu
Medo de não querer mais
Medo de mim
Medo da violência verbal a que me sujeito
Medo do medo
Medo dentro do peito
Medo voraz
Come minhas entranhas
Mas não se satisfaz
Não sou anjo
Nem diabo
Não quero ser nada mais
Quero sumir desse desgosto pungente
Dessa falta latente
Desse medo demente
Sair
Sumir
Fugir
Nada mais

12/06/06


frio 127.jpg

O texto que se segue não importa.
O texto que se segue, é a porta
Para encontrar-se com o nada.
E fazer-se de cego,
E demonstrar o medo,
E desaguar o enredo.
Falso enredo
Que te guia sem direção.
O texto é a forma da mão,
Dizer
E desdizer,
O que se há de fazer
Para encontrar o fundo,
Do mundo
E da realidade latente…
Não, gente!!
Não é isso que quero dizer!
Quero te fazer entender,
Que por mais que leia meus versos
Eles não te dizem nada!
São pensamentos frouxos,
Barca furada,
E não levam a lugar algum.
Eu entendo você… Eu sei!
É um engano comum
Que se comete ao pensar
Que eu sou artista,
Que sou escritora,
Ou poestisa.
Não sou.
Ou pelo menos não sou mais.
A poetisa enferrujada pelo tempo que passa
MORREU!
E o que se sucedeu
Era fato esperado…
Agora consumado.
Não farei falta,
Nem deixarei saudade.
O que se verá em minha lápide
É apenas uma tentativa de te dizer a verdade.
Sobre pensamentos frouxos,
Ditos profundos.
Sobe como desfiar o mundo
E perder a briga.
Não se engane, minha gente!
Não há mais ponto de partida!

06/06/2006