Yearly Archives: 2010


ao querer

“desejaria coisa alguma no lugar da quietude. que me preencham ventos e horas que passam, e que ao mesmo tempo me esvaziem deste cheio confuso e irreal. não sou esta que estranha os caminhos, que não sabe aonde ir e que enfrenta com frouxidão estar só – e perde. não sou eu de palavras tão puramente tristes, de encontros tão puramente superficiais, de imagens tão puramente espelhadas. não sou eu o que mostro ser, só não sei eu, aonde fui.”

via


mundo estranho 9

algumas pessoas acham estranho fugir do trabalho às 16:35 e ir no posto comprar uma smirnoff ice. e outras acham mais estranho ainda alguém sentado no meio fio, fumando um cigarro despretensioso e tomando a mesma ice. outras acham estranho fazer uma tatuagem enorme na perna ou ter um quadril de 116cm. estranham felicidade, estranham amizade, estranham o jeito de ser e a forma de falar, se expressar. pessoas são estranhas e acham tudo que não é estranho como elas, estranho. eu também estranho certas coisas: tiazinhas velhas usando conjuntos monocromáticos e/ou misturando xadrez com listras; meninas tirando suas ankle boots em meio ao shopping porque os pés estão machucados e 5 minutos depois recolocando as mesmas botas, andando empolgadas na sua própria dor como se o mundo fosse feito desse colorido cretino e estúpido, quando um simples par de havaianas resolveria o problema. acho estranho gente que fala uma coisa e faz outra; gente que se define pelas coisas que tem, não pelo que é; gente que teima em insistir em relações infundadas e perdidas, apenas pelo costume, pela rotina de todo sempre. eu acho estranho gostar e não demonstrar, e nesse quesito eu me incluo como estranha, já que não consigo expressar mais que 30% do afeto real que sinto pelas pessoas (estranhas também). acho estranha essa amarração em fazer tudo que deve fazer, por medo bobo. ou por incredulidade. ou porque o que deveria ter dado certo algum dia, não deu, e você penou e sofreu em enorme descontrole. acho estranho querer controlar tudo. o mundo, a vida e as pessoas são incontroláveis. tudo gira e acontece em questão de segundos e a única coisa que você pode fazer é seguir. seguir e se mostrar. seguir e se dar. dar de presente ao mundo e às outras pessoas estranhas todo o convívio estranho de que você pode dispor. sendo chato, feio, bobo, cara de mamão. ou apenas mais uma pessoa comum, estranha como todas as outras e viva como todas as outras (deste plano). acho estranho se podar e se segurar. acho mais estranho ainda que, tudo isso que eu acho estranho, acontece comigo. sou parte desse mundo louco, estranho e lindo. feio às vezes, é verdade. mas o conceito de feio e bonito está naquela teoria da flexibilidade do rabo do gato (se é pro lado de quem vem, ou pro lado de quem vai). visões são pessoais, sentimentos são pessoais. mas no fim das contas todos nós sentimos, cada um em seu tempo, espaço e intensidade. todo somos estranhos e temos que aprender a conviver, aceitar ou até gostar, no fim das contas, da estranheza alheia. e é pra esse mundo estranho que olho hoje e me sinto perdida, sem fazer parte, sem me sentir inteira, sem me encontrar em qualquer palavra, tempo ou sentido. – mas ok, você diz, éssa é a vida. estranha. mas ainda assim, vida. mesmo não me sentindo parte de nada, muito menos dela.


everything or anything? 1

“Há algumas centenas de anos atrás, Benjamin Franklin compartilhou o segredo do seu sucesso com o mundo… Ele disse “Nunca deixe para amanhã, o que pode fazer hoje.”. Esse é o homem que descobriu a eletricidade. A gente imagina que mais gente ouviria o que ele tem a dizer…

Eu não sei por que nós adiamos as coisas, mas se eu tivesse que adivinhar, eu diria que tem muito a ver com medo. Medo de falhar, medo da dor, medo da rejeição. Às vezes, o medo é de tomar uma decisão por que… E se você estiver errando e não puder consertar?

[…]

O pássaro da manhã pega o verme. Um ponto a tempo salva nove. Aquele que hesitou, perdeu. Não podemos fingir que não avisaram. Nós todos ouvimos os filósofos, ouvimos os avisos de nossos avós sobre o tempo perdido. Ouvimos o recitar dos poetas encorajando-nos a aproveitar o dia.

Mesmo assim, às vezes, temos que olhar por nós mesmos. Nós temos que aprender nossas lições. Temos que varrer a possibilidade de hoje pra debaixo do tapete do amanhã, antes que não possamos mais.

Até que nós finalmente entendamos o que Benjamin Franklin quis dizer, por nós mesmos. Ter certeza é melhor do que ter dúvida, que acordar é melhor do que dormir e até o maior fracasso, até o pior e mais irretratável erro, supera o inferno de nunca ter tentado…”

Meredith Grey – G.A. S06E01


#brisafest hellcife 14

a tradição das tradições; a festa mais importante do calendário itabunense; o famoso e disputadíssimo #brisafest, aterrissou nesta semana em hellcife, de mala, cuia e caldeirão. ok, me chamem de brisa peixe urbano e digam que rola uns 70% de desconto no bafafá. mas ó, quem já participou das anteriores em itabuna e provou a famosa feijoada de tia gostosa (minha amada mãe), sabe que não tô mentindo…

como sempre organizado de última hora e dessa vez com a cozinheira sendo moi, o #brisafest estrapolou as barreiras twiíticas e juntou num espaço só gente se atracando com gosto, corpo, alma e coração; venerando demais o prazer e controlando o calendário sem utilizar as mãos [/buchecha]. feriado de 7 de setembro é dia da independência? nahh… é dia do #brisafest! vamos às imagens, que é o que interessa!

a pessoa responsável por eu estar em recife hoje @RealEden e minha quarta parte do quarteto de criação mais sem noção da @hagua: @dezzamac

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clube do filme #1 sessão da tarde: o outro lado do clube do filme 4

os amiguinhos twíticos e blogueiros começaram um meme bonito, chamado ‘clube do filme’. você escolhe 3 atores fodas e escreve sobre três personagens fodas em 3 filmes fodas. né lindo? e doida por memes como sou, tinha que contribuir com algo. mesmo que tenha escolhido ir pelo outro lado da estrada. =D

cinéfila? ih, nem sou. gosto de filmes bobos, comédia romântica americana em high school e nunca assisti o fabuloso destino de amelie poulain. pra mim, livros e filmes só merecem ser assistidos porque deu vontade naquele momento. raramente vocês me verão correndo desesperada pra ver o lançamento que todo mundo já viu, só pra não ficar por fora (qué dizê, isso não se aplica aos filmes de harry potter. but, anyway…).

sei que existem diversos filmes memoráveis que eu não assisti, diretores importantes que eu nem sei quem são, filmes iranianos e documentários super mega pops que eu nem sei pra onde vão… mas pra que a pressa de consumir isso tudo, né? eu nasci na bahia mermão. no nosso dicionário não tem essa palavra não…

como quem me empolgou a escrever foi @faccenda, que eu ajudei ontem, vou escolher um nicho também: atores memoráveis que eu conheci pela sessão da tarde. como assim, bial? olha, sinceridade… sessão da tarde formou meu caráter e grande parte do que eu conheci de cinema foi através dessas tardes regadas à pipoca e guaraná. então nada mais justo do que lembrar um tiquin deles. vamo lá.

constatações sobre constatações 1

as coisas nunca acabam.
amores são amores enquanto eternos, não infinitos.
situações chatas são facilmente contornadas quando precedem uma boa noite de sexo.
homens são tão complicados quanto mulheres, depende do referencial.
– 70% das pessoas que se dizem felizes, são miseráveis.
– 70% das pessoas que se dizem miseráveis, são ricas e infelizes.
– 70% das pessoas que são felizes, não dizem nada.
– 70% é um bom número aleatório quando você não fez a pesquisa propriamente dita.
o tempo cura o que tem de curar.
feridas não curadas são como portas abertas, cheias de olhos a espiar.
compatibilidade musical condiz com 90% de um relacionamento.
e sexo é uma intersecção entre todas as outras variáveis (não há como medir em porcentagem, mesmo que aleatória e apressada).
– beleza física é importante quando não há nada mais a considerar.
– sexo de qualidade e carinho estão intimamente ligados, mesmo que você não queira (ou espere que estejam).
– a vida é bela e as pessoas são legais.
– se você não acreditar na premissa acima, pode começar a se estressar constantemente pelo resto de seus dias.
todos os momentos são únicos e merecem ser vividos como tal (amores, dores, alegrias, ressentimentos, etc).
as coisas nunca acabam e, olha, nem as conjecturas sobre conjecturas deveriam acabar.

textos como esse merecem ser lidos, repetidos, imprimidos e levados na carteira, para que todo dia você possa se deparar com sua próprias verdades, fixá-las, aprendê-las e ser quem você é, doa a quem doer. inclusive você.


juros sobre juros pode, arnaldo? 51

O que era pra ser apenas mais uma noite num restaurante legal, comendo comida japonesa (minha paixão) e batendo papo com uma galera boa, se tornou uma decepção. Vocês já conhecem os tantos sites de compra coletiva que tão pipocando na nossa querida interwebs, né? Pois é, fã de promoções como sou, comprei um cupom pra essa abaixo, no Peixe Urbano:

Coisa linda! R$10,90 num rodízio que custa R$25,90 em dias normais? Perfeição. Fui com mais duas amigas hoje à noite e até pagar a conta tava tudo bem. Papo legal, sushi legal (não era o melhor do mundo, mas pelo que eu tava pagando, tava lindo), atendimento legal. Tudo legal? Nah…

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tinto. 1

era difícil respirar naquele espaço ínfimo. ainda mais sendo o espaço ínfimo dentro de si mesma. era escuro e nefasto, como os sonhos/pesadelos que embalavam a noite. mas ele era sutil e silencioso. chegava bem manso, bem lento, rastejando como animal em caça ao encontro dos seus sentidos. e era belo e alvo, calmo e desvairado. era a personificação da fome de sentidos desconexos e impactantes naquele mesmo espaço ínfimo dentro de si. “mas a fome era maior que a alvura e uma lembrança me atingiu como um cheiro.”*

um cheiro tinto. em vermelho denso. mas ainda assim um cheiro.

 

*trecho de por esquecimento – samarone lima.