Monthly Archives: August 2010


constatações sobre constatações 1

as coisas nunca acabam.
amores são amores enquanto eternos, não infinitos.
situações chatas são facilmente contornadas quando precedem uma boa noite de sexo.
homens são tão complicados quanto mulheres, depende do referencial.
– 70% das pessoas que se dizem felizes, são miseráveis.
– 70% das pessoas que se dizem miseráveis, são ricas e infelizes.
– 70% das pessoas que são felizes, não dizem nada.
– 70% é um bom número aleatório quando você não fez a pesquisa propriamente dita.
o tempo cura o que tem de curar.
feridas não curadas são como portas abertas, cheias de olhos a espiar.
compatibilidade musical condiz com 90% de um relacionamento.
e sexo é uma intersecção entre todas as outras variáveis (não há como medir em porcentagem, mesmo que aleatória e apressada).
– beleza física é importante quando não há nada mais a considerar.
– sexo de qualidade e carinho estão intimamente ligados, mesmo que você não queira (ou espere que estejam).
– a vida é bela e as pessoas são legais.
– se você não acreditar na premissa acima, pode começar a se estressar constantemente pelo resto de seus dias.
todos os momentos são únicos e merecem ser vividos como tal (amores, dores, alegrias, ressentimentos, etc).
as coisas nunca acabam e, olha, nem as conjecturas sobre conjecturas deveriam acabar.

textos como esse merecem ser lidos, repetidos, imprimidos e levados na carteira, para que todo dia você possa se deparar com sua próprias verdades, fixá-las, aprendê-las e ser quem você é, doa a quem doer. inclusive você.


juros sobre juros pode, arnaldo? 51

O que era pra ser apenas mais uma noite num restaurante legal, comendo comida japonesa (minha paixão) e batendo papo com uma galera boa, se tornou uma decepção. Vocês já conhecem os tantos sites de compra coletiva que tão pipocando na nossa querida interwebs, né? Pois é, fã de promoções como sou, comprei um cupom pra essa abaixo, no Peixe Urbano:

Coisa linda! R$10,90 num rodízio que custa R$25,90 em dias normais? Perfeição. Fui com mais duas amigas hoje à noite e até pagar a conta tava tudo bem. Papo legal, sushi legal (não era o melhor do mundo, mas pelo que eu tava pagando, tava lindo), atendimento legal. Tudo legal? Nah…

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tinto. 1

era difícil respirar naquele espaço ínfimo. ainda mais sendo o espaço ínfimo dentro de si mesma. era escuro e nefasto, como os sonhos/pesadelos que embalavam a noite. mas ele era sutil e silencioso. chegava bem manso, bem lento, rastejando como animal em caça ao encontro dos seus sentidos. e era belo e alvo, calmo e desvairado. era a personificação da fome de sentidos desconexos e impactantes naquele mesmo espaço ínfimo dentro de si. “mas a fome era maior que a alvura e uma lembrança me atingiu como um cheiro.”*

um cheiro tinto. em vermelho denso. mas ainda assim um cheiro.

 

*trecho de por esquecimento – samarone lima.


let me be breeze 5

Pra ler ouvindo: http://goo.gl/7K4J

E aí que você se apaixona por uma coisa não palpável. Uma brisa bem suave numa tarde quente de domingo. Você sente profundamente a impressão em seu rosto. Você quer ter aquilo para si, aquela sensação diferente, todo o tempo, todo minuto, todo segundo, por toda a vida. Mas eu te pergunto: você consegue prender uma brisa suave em suas mãos? Diga-me sinceramente, do ponto de vista biológico, físico, químico da coisa. Consegue isso? Não… Claro que não. Você sente a brisa, você se delicia com o vento e a sensação de frescor que ela lhe proporciona. Você pede que na tarde de calor de segunda-feira a mesma brisa venha lhe trazer as mesmas sensações. Você divide a brisa com seu mundo, com outras pessoas, outros lugares, outros tempos, outros momentos. Divide o calor que está sentindo e ao mesmo tempo em que ela vem aplacá-lo, você quer que volte a fazer o mesmo calor (ou pior, até), para que ela volte e volte e volte. Recorrentemente. Construa um forte, uma sala fechada, isolada de tudo e prenda a brisa. Vamos lá, quero ver… Quero ver você prendê-la mesmo. Ou então – se não conseguir – faça com que ela entre pela porta e fique rodando, fechada, silenciosa, sutil, tentando aplacar um calor inexistente. Você pode fazer isso? Diga-me, do fundo da sua alma, você pode? Pode ser que crie uma forma mecânica de fazer com que ela continue a soprar. Mas não é isso que você quer, não é? Você quer a mesma combinação estranha de frescor, força e suavidade. Você quer a sutileza e dança confusa da brisa de verdade. Você, no fundo, quer tudo que poderia sentir se a brisa estivesse livre. Sendo o que deve ser e o que foi criada para ser. Ora uma rajada suave. Ora tufão em agitação contínua. Ora um vento fraco e agradável. Brisa. Apenas brisa.