mundo estranho 9


algumas pessoas acham estranho fugir do trabalho às 16:35 e ir no posto comprar uma smirnoff ice. e outras acham mais estranho ainda alguém sentado no meio fio, fumando um cigarro despretensioso e tomando a mesma ice. outras acham estranho fazer uma tatuagem enorme na perna ou ter um quadril de 116cm. estranham felicidade, estranham amizade, estranham o jeito de ser e a forma de falar, se expressar. pessoas são estranhas e acham tudo que não é estranho como elas, estranho. eu também estranho certas coisas: tiazinhas velhas usando conjuntos monocromáticos e/ou misturando xadrez com listras; meninas tirando suas ankle boots em meio ao shopping porque os pés estão machucados e 5 minutos depois recolocando as mesmas botas, andando empolgadas na sua própria dor como se o mundo fosse feito desse colorido cretino e estúpido, quando um simples par de havaianas resolveria o problema. acho estranho gente que fala uma coisa e faz outra; gente que se define pelas coisas que tem, não pelo que é; gente que teima em insistir em relações infundadas e perdidas, apenas pelo costume, pela rotina de todo sempre. eu acho estranho gostar e não demonstrar, e nesse quesito eu me incluo como estranha, já que não consigo expressar mais que 30% do afeto real que sinto pelas pessoas (estranhas também). acho estranha essa amarração em fazer tudo que deve fazer, por medo bobo. ou por incredulidade. ou porque o que deveria ter dado certo algum dia, não deu, e você penou e sofreu em enorme descontrole. acho estranho querer controlar tudo. o mundo, a vida e as pessoas são incontroláveis. tudo gira e acontece em questão de segundos e a única coisa que você pode fazer é seguir. seguir e se mostrar. seguir e se dar. dar de presente ao mundo e às outras pessoas estranhas todo o convívio estranho de que você pode dispor. sendo chato, feio, bobo, cara de mamão. ou apenas mais uma pessoa comum, estranha como todas as outras e viva como todas as outras (deste plano). acho estranho se podar e se segurar. acho mais estranho ainda que, tudo isso que eu acho estranho, acontece comigo. sou parte desse mundo louco, estranho e lindo. feio às vezes, é verdade. mas o conceito de feio e bonito está naquela teoria da flexibilidade do rabo do gato (se é pro lado de quem vem, ou pro lado de quem vai). visões são pessoais, sentimentos são pessoais. mas no fim das contas todos nós sentimos, cada um em seu tempo, espaço e intensidade. todo somos estranhos e temos que aprender a conviver, aceitar ou até gostar, no fim das contas, da estranheza alheia. e é pra esse mundo estranho que olho hoje e me sinto perdida, sem fazer parte, sem me sentir inteira, sem me encontrar em qualquer palavra, tempo ou sentido. – mas ok, você diz, éssa é a vida. estranha. mas ainda assim, vida. mesmo não me sentindo parte de nada, muito menos dela.


Sobre entojo

É alma que não se cala; Palavra que tira de tempo; Transbordo de sentimentos... Não é sopro, nem é v e n t o; É livre, leve e solta; É ar em m o v i m e n t o…

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