Monthly Archives: February 2011


não sei mais escrever 1

definitivamente eu consegui desaprender a escrever. acho que agora está acontecendo o que eu mais tinha medo… eu já não sei mais falar. desaprendi a me expressar. não consigo coordenar frase alguma sem me embolar toda e falar tudo ao contrário, ou sem cair no choro (e querer me enfiar num buraco no chão). agora eu não sei mais escrever. pronto, satisfeito? aí você pergunta “porra, mô véi… comé que não sabe mais se tá aqui escrevendo, sua cretina louca?”. é que eu não sei mais usar metáforas. isso é o ápice de perder a mão na escrita. não sei mais enfiar dentro de frases, palavras e sílabas o viés do meu pensamento. perdi a arte de escrever para que só eu entendesse. perdi a propriedade de falar de coisas que pra mim eram simples. não que o ato de escrever seja igual a esconder ou apenas dizer baboseiras, cara pálida. mas nem tudo que eu digo, quero que seja compreendido de fato. ou que seja sério. e olha, eu sabia fazer isso tudo, meu caro. eu sabia fazer poesia como ninguém. eu sabia até recitar! sabia misturar realidade e ficção em cada conto meloso e crônica dolorosa posta no papel. sabia ser como todo escritor de fato é: mentiroso, arteiro, construidor de castelos de palavras. eu acho que no fundo isso tudo é culpa de lula. é, o nosso amado lulinha paz e amor, ex-presidente desse brasil varonil. ele conseguiu a façanha de me fez odiar metáforas. me fez sacanear todas as analogias que eu ouvia, como mais ninguém conseguiu. e aí que eu perdi a mão (da mesma forma que perco o viço de tempos em tempos). pronto, acho que é bem isso. meu texto reflete meu momento e esse é meu momento. não sei falar, não sei escrever e não sei de mais porra nenhuma nesse caralho desse cu. e se você não está acostumado com os palavrões, não se assuste. talvez eles tenham sido a única coisa que permaneceu. até quando, né? nobody knows. então vão curtir a sexta-feira de vocês, que – se você está lendo isso agora, pessoinha manêra do meu coração mole – você é um desocupado ou um foreveralone da vida. e se não sei mais escrever, você não devia me ler. então se plante e vá arranjar o que fazer, meu filho. tchau e bença (e em bom baianês, que é pra não perder o costume).


planos

não faço mais planos…
não quero planos de ter planos.
não quero
……..
me perder
……………nos planos

de não realizá-los de plano.
esse é o tipo de apelo
de quem vaga num plano
entre o sonho [EU] pesadelo.

m.m.


recife, would you be my valentine? 10

amigos baianos perguntaram “ô véi, que porra você tá fazendo em recife?”. tem gente que ainda nem sabe que há exatos 254 dias eu saí de mala e cuida da bahia e vim parar no calor mais cretino de pernambuco. acham que eu tô lá na bahia, escondida. bem, respondendo à pergunta dos amigos, há uns 6 meses atrás eu diria “vim a trabalho, tô conhecendo as coisas daqui, descobrindo a cidade, as pessoas e curtindo tudo.”; há uns 3 meses eu diria “tô passando um perrengue danado, mermããão. meio perdida das ideias mas segurando a barra como dá.”; hoje eu (fora do momento entojo de ser) digo: “quero sair daqui não, fasfavor… com perrengue ou sem perrengue: RECIFE TE AMO <3”.

“mas mô véi… a bahia não é o melhor lugar do mundo? o que tu quer fazer em recife?”. veja bem, cara pálida. ser baiano é massa quando você tá fora da bahia (pelo menos na minha visão das coisas). é muito – mas muito mais mesmo – interessante dizer que é da terra do acarajé, fazer piadas com a tradicional preguiça da minha terra e mostrar a pimenta (alô alô!) que a gente tem, estando fora da bahia. como diz o querido colega de profissão e conterrâneo, nizan guanaes “lá todo mundo é baiano, né?”. o negócio é esse… de onde eu venho não tem tempo ruim, a gente dá jeito em tudo e o sambarilove é de fábrica.

“mas e aí, como é estar na terra do frevo? o que você ganhou até agora?”.

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