but baby it ain’t over ’til it’s over

acordou sufocada debaixo daquela aura ridícula de calor infernal. lavou o rosto, foi até a cozinha, bebeu um belo copo de água gelada. mas tudo ainda sufocava. um banho gelado talvez resolvesse. e foi o que fez. mas o sufoco aparentemente vinha de outro canto, de dentro. não dava bem pra explicar.

um toque e o aviso, hora de ir. entrou no carro, olhou de soslaio e falou amenidades. o que estava por vir já era tão doloroso sem nem acontecer, que só a possibilidade daquilo virar fato consumado, aumentava infinitamente o sufoco. pararam no primeiro lugar disponível. “aproveito e conheço já que nunca vim aqui, né?”. sem espaço com ar condicionado, decidiram conversar no calor mesmo.

blá blá blá whiskas sachet não tá legal não tá certo, era só o que ela ouvia. com aquele jeito de sempre, entendia tudo, aceitava tudo. “ahã, certo, compreendo…”. essa coisa idiota de pessoa metida a fortaleza. como se adiantasse mesmo construir paredes imaginárias em volta de si. o rosto molhava… mas não era calor, eram lágrimas. e antes que aquilo ficasse mais doloroso, mais pesado, mais cretino, resolveu se adiantar aos fatos. “é isso mesmo, né?”. era isso mesmo.

o coração sufocado doía, suplicava para sair daquele calor infernal. queria uma sombra, queria vento, queria um descanso daquilo tudo. e aquilo tornava tudo pior. quanto ao fim propriamente dito, restou apenas uma lembrança amena. as últimas palavras, que normalmente tendem a ser as mais doídas, conseguiram ser até bonitas.

“ainda bem que até hoje eu não tinha tido a coragem de dizer o que sinto de verdade por você. de dizer te amo. talvez se tivesse dito, isso aqui seria bem mais difícil…”

“mas você acabou de dizer…”

“é… é verdade.”

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