Monthly Archives: December 2011


SENSAÇÕES 4

Cheiro.
Cheiro do sexo no dedo.
Cheiro do desejo na ponta do dedo.
Cheiro do cheiro.
Da pele que se repele.
Da pele, que se revele!
Do gosto, do cheiro, da pele.

Gosto.
Gosto do sexo na língua.
Gosto do desejo na ponta da língua.
Gosto do gosto.
De gosto que se gosta.
De gosto que se mostra!
Do sexo, do gosto, do cheiro, da pele.

Sexo.
Sexo no dedo. Sexo na língua.
Sexo na ponta do dedo.
Sexo na ponta da língua.
Sexo do sexo.
Da vontade que se repele (vontade da vontade).
Do desejo, que se revele (desejo que te invade)!
Do sexo que se mostra lúcido na ponta da língua e do dedo.

Cheiro, gosto, vontade, desejo.
Sem medo…

Brisa Dalilla =27/11/07=

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perigo 3

o tempo nada faz para impedir que se crie na minha mente esperanças de novidades, de mudanças, de acordos diferentes com a vida. penso que se pudesse saltar profundamente sobre todos os planos de não ter planos, tudo seria mais fácil e palpável. o fato de que eu queira não querer algo, quer dizer que não vai acontecer? au contraire. acontece. o querer vem ainda maior. entra e invade tudo que não deveria, não poderia, não bastaria. acaba por trazer a meu mundo possibilidades infinitas, inspirações loucas, vontades excusas. acaba por fazer crescer o desejo de que o desejo não arrefeça nem por um segundo sequer. aí que entendo que sou movida por isso. por todas essas vontade óbvias, que naturalmente vem e vão em um espaço curto de tempo. deu vontade? sigo sentindo. passou? vamos ao próximo desejo. viver controlando as tantas faces de minhas vontades é que é perigoso. perigo é não sentir, não fazer, não viver. perigo é se ver um dia parada no meio de seus próprios sentimentos não sentidos. perigo é deixar de entender como o sentir é belo e gostoso de ser vivido.
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eu quero ser um cheiro 7

nem todas as coisas que vem na cabeça devem ser postas pra fora. nem todas as nossas esperanças se tornam realidade. nem toda realidade pode me convencer a não ser quem sou de verdade. nem todo tempo deve ser passado sozinha. e nem todo espaço deve ser reservado para outras pessoas. porque tudo que você tem no final, é a si mesmo. porque mesmo que todo companheirismo do mundo e toda amizade do universo estejam aí, disponíveis para consumo, ser um pouco sozinho é primordial. porque há um quê de filme nesse negócio de ser solitário, de ler um livro sozinho na praça, de ir ao cinema ver um filme que você quer independente da vontade de outrem, de comer aquele prato maravilhoso do seu restaurante preferido ouvindo uma música deliciosa no player e simplesmente ser feliz. enquanto escrevo essas linhas, curto a madrugada solitária mais fantástica de todos os tempos. porque não importa a cólica, não importa o calor, não importa o sono que vou sentir amanhã, importa que eu decidi curtir essa madrugada, viver minha solidão de forma bem vivida. que nem quando te falam “se cuida” e você diz “tô me cuidando” e no fim, para os padrões de quem mandou se cuidar, você está totalmente descuidado. ó… tô me cuidando pra ser cada vez menos complacente com essa rotina estúpida de parecer ser algo ou de ter que provar qualquer coisa. eu simplesmente sou. e sou fruto de escolhas tão loucas e sem sentido, que penso: pra quê fazer sentido? é tão mais simples e surpreendente apenas seguir “sendo”. não planejando exatamente cada passo a ser dado. eu não tenho planos, tenho desejos. desejo ter uma casa minha, pra guardar minhas loucuras e pedaços nela. desejo ter uma estante enorme, com todos meus livros e diários  (des)arrumados meticulosamente, pra num futuro pouco distante deixar um material manêro pra quem quiser me conhecer de verdade. desejos fazer mais tatuagens. desejo comer ao menos um temaki por semana. desejo dançar descordenada em alguma pista por aí sempre que possível. desejo desabar e chorar quando for necessário. desejo amar e amar quantas vezes forem precisas e necessárias, até que eu saiba definir cada tipo de amor. desejo fazer, escolher e mudar meus caminhos sempre que quiser e puder. desejo inclinar todos os planos do mundo e jogá-los despenhadeiro abaixo, para que eles voem. para que eles saibam o que é se jogar de algo, e flutuar, e cair, e se machucar, e levantar e sorrir. e desejo ser parte de tudo que se vive, se sente e no fim das contas desaparece, some do plano real das coisas e vai morar no pensamento, na lembrança e, porque não, no cheiro. acho que finalmente descobri o que quero ser quando deixar de ser: um cheiro…
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é proibido parar de gozar 5

porque ser vivo é ser etéreo. é brincar de ser invencível e de lançar o corpo no turbilhão das vontades não aplacadas. é querer sorver cada centímetro de alma pela boca; tocar o coração com os dedos; acariciar o tempo, beber o sorriso, congelar o momento. é sambar os desejos, batucar paixão com saudade e misturar pecado com coisas sem nexo. é despejar sentimento líquido na corredeira do tempo e cantar a música de quem segue só seus instintos. é pegar a regras estúpidas do mundo e jogar ladeira abaixo. e se não tiver ladeira, fazer das regras pipa. para voar, dançar, planar… daquele jeito livre e desobediente das coisas que se envolvem no vento. num espaço longínquo onde ninguém conseguirá derrubar ideias diferentes, pois cortar vôo das coisas livres não será permitido. é proibido deixar de sentir. é proibido parar de exagerar. é proibido se podar. é proibido se impedir de amar. é proibido parar de gozar.

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