Arquivo anual: 2011


a teoria do personal fucker 4

Você tem um PF? Ou você é um PF? O que é um PF? É um Personal Fucker. Sim, foi o que você entendeu. Um “Personal Fucker”. Para quem ainda não arrumou um cara legal, digno de namoro (recolhidos pelo Ibama, portanto fora do mercado), faça de alguém, seu PF.

PARA QUE SERVE: PF (Personal Fucker) é a nova modalidade de sexo ao seu alcance. Considerando que sexo é uma necessidade física comum a todas nós, o PF torna-se item indispensável. Para as felizardas que já tem onde se aninhar, ótimo. Mas no dia que precisarem, saibam também como ter seu PF de cada dia.

COMO CONSEGUIR UM: Para ter um PF, você tem que estar disposta a abrir mão do romantismo, da mão na mão, do sorvete ao entardecer. O escolhido para ser o seu, não pode ser alguém que você namoraria… E sim, alguém pelo qual você sente um tesão incontrolável, aquele tesão estilo TPM. Nada de compromissos, que compromisso é coisa de na-mo-ra-do. Se quiser compromisso nada feito. Seu negócio não é PF.

FORTES CANDIDATOS: Geralmente são seus amigos atuais, amigos antigos (com quem você não tem mais muito contato e pretende agora ter AQUELE contato), amigos do seu ex, casinhos antigos sem importância, pessoas que você não vê há muito tempo e pessoas que você nunca viu mesmo e está vendo agora. Não valem ex-namorados, nem pretendentes que deixam a perna bamba. A experiência tem que ser nova para os dois. Pois sendo ele o seu PF, você passa a ser o PF dele.

MAIORES DEFINIÇÕES: Trata-se de uma amizade colorida dos tempos modernos. Vocês são amigos, trocam confidências e dividem os ambientes mais íntimos entre duas pessoas: a cama, o banheiro, a sauna, a pia, o chão, o estacionamento e os degraus da escada. O lugar não tem muita importância, desde que você também não espante o rapaz levando-o para um chalézinho cinco estrelas decorado com flores-do-campo. Você sabe… Cinco estrelas e flores-do-campo são coisas de na-mo-ra-do.

INSTRUÇÕES: Você pode ter liberdade com seu PF, mas dentro de alguns limites, claro.Vale ligar a qualquer hora do dia, propondo um encontro casual… Vale ligar depois de tomar alguns gorós, quando bate aquela carência sexual… E também vale ligar propondo uma massagem básica. Só não vale ficar mal se ele não puder ir ao seu encontro. PF´s são ótimos para realizar aquelas fantasias sexuais que você sempre teve vontade de realizar, mas nunca teve coragem. Vale gritar, escancarar, fazer tudo aquilo que você sempre quis. O máximo que pode acontecer é, quando você estiver fazendo seu strip em cima da mesa da sala cantando Madonna… Ele dizer pra você parar, porque está morrendo de vontade de rir… E você ter que procurar outro PF.

surrupiado na cara dura do finado caxassa filosofal de @edfreitasneto


eu gosto de ir embora, mas não gosto de me despedir 17

como assim, bial? vam lá. explico. eu detesto ser a que fica. sempre tive esse pavor. talvez por vir de uma cidade cretina micro mini, enfiada no cu do sul da bahia (alô terra do cacau, um beijo =*). o negócio mermo é que eu cresci vendo grandes talentos, parados e perdidos na cidade micro mini, sendo sugados pela preguiça e excesso de safadeza itabunenses e, finalmente, morrendo na praia (que nem praia é). tanta gente que eu imaginava “caramba, esse cara vai ser sucesso!” virando só mais um no meio da high society que sofre mais do que o povo desse tumblr, mesmo tendo todas as possibilidades e oportunidades de ser mais.

abre parêntese (óbvio que eu sei que, para existir as gentes que perseguem o sucesso e não param no meio do caminho, tem que existir as gentes que ficam. eu tô ligada que nem todas as pessoas que ficam, ficam por incompetência. cada um escolhe o que quer ser e onde quer ser e como quer ser, né não? o que me frustrava (e ainda frustra) era ver as poucas pessoas que eu apostava, ficando pra trás por medo de ser – mais, quem sabe? – feliz) fecha parêntese.

daí que eu comecei cedo essa coisa de ser meio andarilha e de não querer dar conversa pro paradeiro. foi uma sucessão de quebrar a cara e me fuder (not in a good way) por aê. mas no fim das contas eu acabei levando um monte de coisa boa dessas experiências. mas o que eu ainda não aprendi a gostar é da tal da despedida. certa vez eu fui morar em vitória da conquista (falo isso como se tivesse ido mil vezes morar lá, né? mai dexa queto, que esse é meu jeitinho peculiar de escrever [/xuxa]). daí que eu fiz uma mega despedida, brisa fest daqueles de parar a cidade e/ou mudar o rumo dos planetas do sistema solar e fui-me embora pra pasárgada.

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Como eu desconfiava

Sabe quando uma pessoa diz o famoso “não é você, sou eu.” e todos os tradutores de expressões cretinas e revistas femininas dizem que o problema na verdade é você, e você acredita? Então, sai dessa… Essa teoria é furada. O problema realmente pode ser com a outra pessoa… Believe me.


NOVA BOSSA, BOSSA NOVA 9

O instinto foi ativado pela música suave que saía do violão antigo. Chegou, de repente, uma vontade estranha de extravasar, que se confundia com a imperatividade daquela melodia. Tudo era tão entorpecente que fez com que ela se rendesse e se deixasse levar pela batida mansa que a enfeitiçava. Inebriada. Ela estava totalmente entregue ao momento. A música pedia que ela fizesse diferente, que ela se soltasse e que se transformasse a cada nota, embalada na cadência, viajando a cada batida.

Ele tocava dedilhado. E o violão dedilhado seduz, mesmo sem querer. É mais envolvente, bonito… Quente! O movimento dos dedos lembrava coisas escusas. Coisas que há muito tempo ela não se permitia pensar. Ou fazer. A juventude gritava em seu corpo! Seus poros expeliam o suor do mais sincero desejo. Seu peito fervia e pedia desesperadamente por qualquer carinho furtivo. Ou um olhar diferente, cheio dissimulação. Nem sempre é preciso deixar clara a real intenção. Mas teria de ser aquele olhar que a endeusasse e a devorasse, fazendo sentir ódio e amor. Tesão e rancor. Às vezes a raiva faz crescer a vontade da vontade. Às vezes essa mesma vontade nos guia para o escuro profundo. Um lugar onde você não sabe o que vai ganhar ou perder.

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a carne dos deuses

“E assim eles me mostraram:

Passe dos limites da sua casa, da sua turmaSe comunique sem nenhum tipo de rótuloSupere seus limites, não se conforme com a informação. Busque, atreva, ultrapasse os muros impostos. Atravesse a linha do seu horizonte. Eleve seu espírito como um flash… Sem destino, em todas as direções. Supere seus limites de respiração, de força de bicho. Como um macaco nu que luta incondicionalmente pela vida. Então, sinta mais… Abrace cada sentimento seja ele qual for, como se abraça a quem se ama. E quando precisar, chore. Onde estiver, chore. E um dia, dance… Um dia dance do jeito que você quiser. Sem dúvida, as pessoas que dançam com verdade são pessoas muito mais felizes. E por mais louco que possa parecer, não me ouça. Pois posso ser apenas mais um tijolo daquele muro que você quer… Passar… Simplesmente passar…


meu mundo gira em torno de você? oi? 20

~do começo sem começo até o fim sem fim.

cuido de você, meu bem, você cuida de mim~

kid abelha

eu sou cretina. quem me conhece sabe que eu amo usar essa palavra. apesar do significado usual dela ser ‘uma pessoa de pouca inteligência ou estúpida‘, meu ser cretina vai mais pro lado de ser uma pessoa que faz merda mesmo. ah, e o conceito é meu, pronto e acabou. se não gostou, vá inventar o seu. eu faço merda todos os dias. e sei que é cretinice. eu erro pra caralho. tomo na cara diversas vezes (viaje no sentido que quiser, catso!), mas no fim tento tirar algo de válido daquilo. porque é vida que segue, né? ficar parada chorando as pitangas, sentada no meio fio não vai adiantar de porra nenhuma. me quebrando e continuando. tudo manêro…

comecei esse texto mais pra ilustrar uma lembrança. já que me enxergo agora como há exatos 5 anos: no meio dum redemoinho de gente sem noção. eu – nativa de itabuna/baêa – lá pras épocas de 2005-2006, resolvi mudar de ares. novo trabalho, novas pessoas e turmas a conhecer. e me encantei de automático com uma turminha super alterna e gente boa, de ilhéus. muitas saídas, festinhas particulares, cachaças homéricas, papos descolados. eu tava na crista da onda. pô. quem conhece a galere de ilhéus sabe que eles são mega fechados. seletchividadche. que pra “entrar” no grupo, precisava quase de autorização oficial em três vias e reconhecida firma. mas bem, eu entrei pela porta lateral, entretida de amores por um dos principais elos da turma. e pronto, brisa feliz.

mas… passa tempo e passa tempo, o tempo passou, as relações mudaram e eu vi o outro lado da moeda.

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maktub. est écrit.

tem gente que gosta de apagar o passado. eu não. cada parte, cada momento, cada instante, cada suspiro, cada palavra vivida (sim, eu vivo palavras também)… tudo fica guardado em mim. aqui e em meus infinitos cadernos, agendas, notas. minha memória nunca foi das melhores, talvez por isso eu insista em anotar tudo. como se eu soubesse que um dia vou precisar recorrer a esses escritos para lembrar o que fiz, o que fui e claro – porque não – o que sou. e eu sou isso mesmo… talvez essa seja a representação exata: um monte de rabiscos de lembranças guardadas em cadernos, que vez ou outra ligações [in]esperadas, aparecimentos furtivos e leituras aleatórias, me forçam a lembrar. quando falo ‘forçam’, não entendam como se a lembrança fosse forçada. não, pelo contrário. é natural e gostosa. lembrar é gostoso. nossa… como é bom. e lembrar como você consegue fazer parte de uma pessoa, mesmo não ‘estando’ parte dela… e lembrar que certos elos são tão fortes que o tempo e o espaço nunca conseguirão quebrar. porque poucos sabem a diferença entre os mundos. reconhecer que pertence a outro mundo, não é pra todo mundo. e esse mundo (paralelo, lúdico e etéreo) que só nós conhecemos, onde é permitido ser cheio de metáforas, sinonímias e antíteses (do tipo tudo ao mesmo tempo, agora)… onde não é estranho se revelar uma grande hipérbole de sentimentos, com todos paradoxos psicodélicos e ecléticos imagináveis onde é possível transformar os pequenos *momentos de eternidade* numa verdadeira catarse… é nesse mundo onde vive o meu eu de verdade. e onde podem conviver em harmonia perfeita, o poeta real e o real espectro imaginário.

o que permanece no meio da profusão de lembranças reativadas é a certeza: o roteiro está inacabado. est écrit.


angústia

isso não pode ser considerado sentimento. deveria ser proibido este tipo de dor, que encolhe o coração tanto que não é possível encontrá-lo depois de um tempo. o pior de tudo talvez seja o gosto amargo na boca. quem dera pudesse ser curado com doces, chocolates (ou beijos)… não… enquanto essa dor fina não cessa, enquanto o coração não esquece o motivo da angústia, não há nada a fazer que possa atenuar, diminuir. só esperar, esperar, esperar… até que o tempo trate de fazer passar. até que o destino mude o curso das coisas. até que a vida se encarregue de oferecer uma nova chance de tentar…


skap

Quando você pinta tinta, dessa tela cinza
Quando você passa doce, dessa fruta passa
Quando você entra mãe-benta, amor aos pedaços
Quando você chega nega fulô
Boneca de piche
Flor de azeviche

Você me faz parecer menos só
Menos sozinho
Você me faz parecer menos pó
Menos pozinho

Quando você fala bala, no meu velho oeste
Quando você dança lança flecha, estilingue
Quando você olha molha meu olho que não crê
Quando você pousa mariposa morna, lisa
O sangue encharca a camisa

Você me faz parecer menos só
Menos sozinho
Você me faz parecer menos pó
Menos pozinho

Quando você diz, o que ninguém diz
Quando você quer, o que ninguém quis
Quando você ousa lousa pra que eu possa ser giz
Quando você arde, alardeia sua teia cheia de ardis
Quando você faz a minha carne triste, quase feliz.

;~


não sei mais escrever 1

definitivamente eu consegui desaprender a escrever. acho que agora está acontecendo o que eu mais tinha medo… eu já não sei mais falar. desaprendi a me expressar. não consigo coordenar frase alguma sem me embolar toda e falar tudo ao contrário, ou sem cair no choro (e querer me enfiar num buraco no chão). agora eu não sei mais escrever. pronto, satisfeito? aí você pergunta “porra, mô véi… comé que não sabe mais se tá aqui escrevendo, sua cretina louca?”. é que eu não sei mais usar metáforas. isso é o ápice de perder a mão na escrita. não sei mais enfiar dentro de frases, palavras e sílabas o viés do meu pensamento. perdi a arte de escrever para que só eu entendesse. perdi a propriedade de falar de coisas que pra mim eram simples. não que o ato de escrever seja igual a esconder ou apenas dizer baboseiras, cara pálida. mas nem tudo que eu digo, quero que seja compreendido de fato. ou que seja sério. e olha, eu sabia fazer isso tudo, meu caro. eu sabia fazer poesia como ninguém. eu sabia até recitar! sabia misturar realidade e ficção em cada conto meloso e crônica dolorosa posta no papel. sabia ser como todo escritor de fato é: mentiroso, arteiro, construidor de castelos de palavras. eu acho que no fundo isso tudo é culpa de lula. é, o nosso amado lulinha paz e amor, ex-presidente desse brasil varonil. ele conseguiu a façanha de me fez odiar metáforas. me fez sacanear todas as analogias que eu ouvia, como mais ninguém conseguiu. e aí que eu perdi a mão (da mesma forma que perco o viço de tempos em tempos). pronto, acho que é bem isso. meu texto reflete meu momento e esse é meu momento. não sei falar, não sei escrever e não sei de mais porra nenhuma nesse caralho desse cu. e se você não está acostumado com os palavrões, não se assuste. talvez eles tenham sido a única coisa que permaneceu. até quando, né? nobody knows. então vão curtir a sexta-feira de vocês, que – se você está lendo isso agora, pessoinha manêra do meu coração mole – você é um desocupado ou um foreveralone da vida. e se não sei mais escrever, você não devia me ler. então se plante e vá arranjar o que fazer, meu filho. tchau e bença (e em bom baianês, que é pra não perder o costume).


planos

não faço mais planos…
não quero planos de ter planos.
não quero
……..
me perder
……………nos planos

de não realizá-los de plano.
esse é o tipo de apelo
de quem vaga num plano
entre o sonho [EU] pesadelo.

m.m.


recife, would you be my valentine? 10

amigos baianos perguntaram “ô véi, que porra você tá fazendo em recife?”. tem gente que ainda nem sabe que há exatos 254 dias eu saí de mala e cuida da bahia e vim parar no calor mais cretino de pernambuco. acham que eu tô lá na bahia, escondida. bem, respondendo à pergunta dos amigos, há uns 6 meses atrás eu diria “vim a trabalho, tô conhecendo as coisas daqui, descobrindo a cidade, as pessoas e curtindo tudo.”; há uns 3 meses eu diria “tô passando um perrengue danado, mermããão. meio perdida das ideias mas segurando a barra como dá.”; hoje eu (fora do momento entojo de ser) digo: “quero sair daqui não, fasfavor… com perrengue ou sem perrengue: RECIFE TE AMO <3”.

“mas mô véi… a bahia não é o melhor lugar do mundo? o que tu quer fazer em recife?”. veja bem, cara pálida. ser baiano é massa quando você tá fora da bahia (pelo menos na minha visão das coisas). é muito – mas muito mais mesmo – interessante dizer que é da terra do acarajé, fazer piadas com a tradicional preguiça da minha terra e mostrar a pimenta (alô alô!) que a gente tem, estando fora da bahia. como diz o querido colega de profissão e conterrâneo, nizan guanaes “lá todo mundo é baiano, né?”. o negócio é esse… de onde eu venho não tem tempo ruim, a gente dá jeito em tudo e o sambarilove é de fábrica.

“mas e aí, como é estar na terra do frevo? o que você ganhou até agora?”.

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