Daily Archives: May 11, 2012


detrás

você prende meus pulsos atrás do pescoço e eu não sei como começar a te contar toda a verdade. mesmo assim, começo. temos sempre que começar de algum lugar, não é?

eu não sou nada disso que você vê, muito menos o que digo. eu não sei exatamente de que matéria fui feita pra ser assim estranha. enxergo significados em coisas que não deveriam e tenho toda a gama de maus sentimentos existente dentro do peito.

não sei ser amada. não sei me deixar ser amada. destruo cada possibilidade disso em segundos, como se – sim – isso fosse o normal a ser feito, mesmo antes tendo criado uma realidade paralela onde tudo aquilo poderia quem sabe funcionar.

não sei fazer carinho. tudo que faço é meio no automático, como se aquilo fosse coisa trivial normal banal. e no fim das coisas sei que não é. sei o que significa para as outras pessoas. eu apenas não dou a mínima, não ligo. se sinto agora, não quer dizer que nos próximos cinco minutos vou continuar a sentir. nem quer dizer que eu não volte a sentir. entendeu? nem eu.

entendo minha vida – ou seja lá o que isso realmente for – como um filme. e eu ali, meio perdida no roteiro, tento transformar a meu bel prazer tudo em drama. vezenquando uma comédia, porque eu devo ter um pouco disso enfim. mas no final é tudo muito denso pra ser analisado por qualquer um.

você solta meus pulsos detrás do pescoço e eu não sei como terminar de te contar toda a verdade. então eu só te beijo.

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o dia em que eu mais senti saudades da bahia 3

“brisa, um dos apreciadores tá bem doente…”. foi assim que eu recebi a notícia de que marlon tava mal no hospital lá na bahia. mas eu sempre tenho aquele espírito de “ah, que é isso, vai ficar tudo bem…”. e era pra ficar, né? menino novo, cheio de coisa pra fazer e viver ainda. e pá, no outro dia recebo a notícia de que ele faleceu. deu um nó na garganta tão cretino que eu não consegui me mover.

daí eu me sinto na obrigação de contar pra vocês um pouco mais dessa turma, pelo menos da forma como eu a vi se formar, que começou a se juntar no colégio, ainda nos idos da 6ª série… vocês tem noção de quantos anos tem isso? não sei, sou ruim de conta desde aquela época. solange, professora de matemática que o diga. o que começou com a reunião de um ou dois gatos pingados numa sala de aula no colégio galileu virou uma coisa tão maior que todos nós, que nem fica difícil tentar explicar.

vamos começar pela 7ª série e de como eu entrei nessa galera, que é mais interessante. no começo do ano, depois de uma briga homérica com tássio, a diretora me mudou de sala, da 7ª A para a 7ª B. e o que ele fez? óbvio que foi o que qualquer pessoa faria: pediu pra ser mudado de sala também e me disse “é o destino que quer juntar a gente, brisinha.”. pode uma cara de pau, dessas? bom, mas daí surgiu o elo principal, porque era em torno de tássio que todo mundo se juntava.

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