o dia em que eu mais senti saudades da bahia 3


“brisa, um dos apreciadores tá bem doente…”. foi assim que eu recebi a notícia de que marlon tava mal no hospital lá na bahia. mas eu sempre tenho aquele espírito de “ah, que é isso, vai ficar tudo bem…”. e era pra ficar, né? menino novo, cheio de coisa pra fazer e viver ainda. e pá, no outro dia recebo a notícia de que ele faleceu. deu um nó na garganta tão cretino que eu não consegui me mover.

daí eu me sinto na obrigação de contar pra vocês um pouco mais dessa turma, pelo menos da forma como eu a vi se formar, que começou a se juntar no colégio, ainda nos idos da 6ª série… vocês tem noção de quantos anos tem isso? não sei, sou ruim de conta desde aquela época. solange, professora de matemática que o diga. o que começou com a reunião de um ou dois gatos pingados numa sala de aula no colégio galileu virou uma coisa tão maior que todos nós, que nem fica difícil tentar explicar.

vamos começar pela 7ª série e de como eu entrei nessa galera, que é mais interessante. no começo do ano, depois de uma briga homérica com tássio, a diretora me mudou de sala, da 7ª A para a 7ª B. e o que ele fez? óbvio que foi o que qualquer pessoa faria: pediu pra ser mudado de sala também e me disse “é o destino que quer juntar a gente, brisinha.”. pode uma cara de pau, dessas? bom, mas daí surgiu o elo principal, porque era em torno de tássio que todo mundo se juntava.

alguém lembra da banda marylou? aulo, tássio, felipe fagundes, rodrigo, yulo, segundinho e cia ltda, tocando instrumentos de plástico comprados em loja de 1,99, na frente da sala de aula. que tempo fantástico! eu também obriguei os meninos a dançarem fat family comigo, porque né? todos gordos e sensuais. e teve o dia que eu bati em dubagas sem querer, depois de tentar socar renato. esse dia sim foi foda. com essa galera, até os amigos secretos em pizzaria que solange fazia, ficavam bons.

na 8ª série a turma aumentou… não lembro em que momento cada um foi surgindo… foram tantos (nesse momento sinto falta dos meus diários, guardados lá em itabuna)! só sei que nesse ano nós fizemos uma gincana acontecer. nós, a 8ª série, a escória da humanidade, fizemos a melhor equipe de gincana já vista e ganhamos na raça! botamos 1º e 2º anos no chinelo. foi lindo… e sim, em itabuna, gincana é coisa séria.

no 1º ano entraram várias meninas novas na turma. queria lembrar dos casais originais, mas me confundo nos anos. acho que era priscilla spice e rafael scher, rodrigo e lorena, felipeta e may bobage. chegou raulzito e também polete (bob, pra naldo). e também edgard, que depois virou caxassa filosofal. dividiram a gente em 3 salas diferentes. foi complicado conviver direito com todo mundo separado. mas nós somos foda, né?

o 2º ano eu nem vi passar direito. ficava entre as imitações de batoré, que representava tão bem nossa amada diretora, cornélia. eu também devia estar ocupada num tanto de festas que eu participava e as cartas de 20 páginas que escrevia pra ed, que tava em salvador. mas sempre tinha um fim de semana na casa de felipeta em águas de olivença, pra me trazer de volta pra turma. nossa, e que finais de semana! porres de conhaque presidente e guaraná que não me esqueço.

3º ano e eu fiquei mais off que tudo. mas lembro bem quando rildinho chegou na sala de aula, deixando as meninas loucas. lembro que fizemos aposta de quem pegava primeiro. mas priscilla foi mais rápida na época. nunca me esqueço do momento ilustre onde 3 dos nossos foram expulsos da sala de aula e tiveram que enfrentar cornélia. “terceiro ano, terceiro ano!”. batoré imitando isso é a melhor coisa do mundo.

acabamos o colégio, em 2003 prestamos vestibular e cada um foi pra um caminho diferente. depois nos encontramos no reveillon em itacaré. imagine uma casa acabada (aquela de felipe serviço, ou muniz, como queiram), com um freezer de cerveja na porta. foi um dos eventos mais fodas que eu já fui na vida. banzito participou desse também.

e esses caras sempre foram mega empreendedores. eles tinham que fazer mais. e não sei quando decidiram formalizar o grupo em si. sei que em 2004 tivemos a primeira mega festa. era a oportunidade de todos da turma que haviam se perdido por aí, reencontrarem todo mundo. e foi num sítio na saída de itabuna que começou (ao menos pra mim) a saga dos apreciadores de cerva.

ah, e tem tanta gente fantástica nessa galera: leozinho, bereh, jaqueira, marlon, dum, thiago, milena, sinvalzin… depois as esposas, os filhos, os pais e nossa, aquilo que era um grupo pequenos de amigos organizado, virou mais que uma família! mesmo tendo participado do crescimento do grupo de longe (sempre morando fora), eu sempre fui uma apreciadora honorária, por amar tanto esses amigos que tenho desde a 6ª série e por aprender a amar todos os outros que essa turma me trouxe.

esse texto enorme vem desse aperto terrível no coração de saber que pode acontecer alguma coisa a algum de vocês, meus apreciadores… e eu vou estar longe. que não vou poder dar um abraço de conforto, não vou poder tomar umas pra relembrar os momentos… não vou poder curtir mais o tempo perto de vocês. sim, porque ainda há gente que eu não curti o suficiente pra me despedir. e na verdade nunca haverá esse “suficiente”. sempre vai faltar…

no são joão eu tô chegando pra matar de abraços todos vocês e tentar desfazer um pouquinho desse aperto que ficou no peito e não me deixa dormir. aquela sensação terrível que você tem quando não pode estar junto daqueles amigos que viu crescer, casar, ter filhos, se realizarem na vida, e poder dizer o quanto os ama.

apreciadores, amigos, eu amo vocês. muito.

e marlon… vai em paz que tu deixou muito amor por aqui, meu nêgo.

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About entojo

É alma que não se cala; Palavra que tira de tempo; Transbordo de sentimentos... Não é sopro, nem é v e n t o; É livre, leve e solta; É ar em m o v i m e n t o…


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3 thoughts on “o dia em que eu mais senti saudades da bahia

  • Maurilio Mesquita

    Eu já ia escrever toda uma história minha sobre algo semelhante que aconteceu há 7 anos, mas era muito grande… Enfim, Brisinha, vá e aperte seus nêgos, abrace forte mesmo, faça valer nos que ficaram o carinho pelo amigo que se foi. E pare (mentira, não pare) de me fazer lacrimejar com lembranças de histórias bonitas ao acontecer algo ruim. Mas na verdade, são sempre as histórias bonitas que ficam. E fique bem, viu? =*