Daily Archives: June 5, 2012


sobre deus 4

Deus não é pai, não é brasileiro, não é um piadista. Não curte minissaias, não gosta de drinks, não anda de bicicleta. Deus não é elegante, não é asseado, não é onívoro. Não gosta de preliminares, não faz exercícios, não leu o livro Deus, se existe, é uma espécie de aliciador de menores em algum  fliperama gerenciado por um casal de taiwaneses alcoólatras e coniventes. Porque ele paga algumas fichas, deixa você se divertir e, quando menos você espera, ele quer colocar seu rabo. E Deus não tem senso de humor algumEssa parte de conseguir levar as coisas mais absurdas e inesperadas e rir de tudo, isso fica inteiramente por nossa conta.
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surrupiado levianamente do savoir-faire do criativo rafael barba
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a resposta da letargia

sinônimos e anônimos

Você mexe e remexe (com) o meu íntimo de uma forma que desestrutura, desmonta e espalha pedaços e desejos por todo este nosso *universo*paralelo*. Fraciona minha unidade e remete todos os meus *eus* ao encontro dos seus *eus* – que não são poucos! – tão desapercebidamente do que faz, como inconsciente da marca que imprime em cada uma das minhas partes. Brinca com meus instintos, com meus sentidos, me bagunça e depois me junta com aquele jeito agridoce, puro, quase ingênuo (porque natural) de quem nada faz por mal. Você chega cheia de metáforas, sinonímias e antíteses (do tipo tudo ao mesmo tempo, agora…), e se revela uma grande hipérbole de sentimentos, com todos esses paradoxos psicodélicos e ecléticos, transformando os nossos pequenos *momentos de eternidade* numa verdadeira catarse. Você para o tempo e manipula a realidade virtual, como uma cientista louca, e eu entro no seu jogo, de cobaia, só para ver no que vai dar… Porque me vejo em você, me sinto em você, começo e termino em você, com todas as figuras de linguagem. *Nós* somos sinônimos, apesar de anônimos aos olhos do mundo. Nos projetamos um no outro, portanto não há muito o que descobrir, a não ser nós mesmos. Se me descubro, lhe descubro e vice-versa. Não tem segredo… não tem mistério… Apenas somos e estamos sendo. Por isso não temos prazo de validade. No *nosso* universo não existe o tempo, tudo é pleno, tudo é agora, sem chegadas ou despedidas. Apenas acontecemos…

Pedro Camena 01/05/2008

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letargia 2

Gosto quando você me descobre e me pega de surpresa. Naquele tempo onde eu, já envolvida no estado letárgico da mente e do corpo, deixo-me dominar pelo entorpecimento de sua visão em mim. Gosto porque aí o seu beijo não mente. Abusa da força e me deixa o ânimo quente. Nada se controla, tudo se desloca. Me excedo, sem medo. E jogo seu jogo de prazer. É aí que vejo que o desejo que existe em mim, há em você. Vou brincando com suas cartas marcadas, com as jogadas ensaiadas e as insinuações abusadas. Vou sentido que você sente como eu, mente como eu, se envolve como eu. Mistérios? Segredos? Nada mais há a descobrir. Mesmo porque chega perto o dia em que iremos partir. Cada um para seu lado, de sentimento guardado. Para um dia deixar aflorar, se o tempo (e seus caprichos) achar que devamos nos encontrar.

30/04/2008

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