Yearly Archives: 2013


clichê 1

tô eu lá de boa bebendo meu campari e do nada um cara começa a conversar comigo dizendo que queria me “paquerar”. e eu só consegui pensar “quem raios fala paquerar nos dias de hoje pelamordedeus?”. não só pensei, como falei em voz alta. típico. não sei exatamente como se deu o próximo momento porque eu devia estar muito bêbada e, poxa, era um acampamento, tava todo mundo meio sem noção, louco e vocês já sabem.

só sei que teve esse cara que me salvou do paquerador, começou a conversar e em dado momento ficou olhando pra mim sem dizer nada. às vezes eu acho que foram dias, anos, milênios. porra de momento que não acabava! seria bom mesmo se não acabasse, viu? tava legal ficar ali parada só olhando e tal.

não aprofundando nas coisas porque eu tenho problemas em aprofundar (e por favor não pense besteira) nas histórias, o que se seguiu foi uma sucessão de momentos lindos, loucos e emocionantes. e nego sabe que pra chegar nesses momentos lindos eu passei pela batalha dificílima de ter que ir no ebsp, num evento de sex shop e no capão redondo, só pra poder ficar com esse rapaz. sou muito esforçada.

agora temos uma casa, dois gatos L-I-N-D-O-S e uma vida juntos que vem de uma convivência tão fantástica que eu nem conto mais porque teria que derramar mais um balde de clichê por aqui.

nego, obrigada por fazer meus dias mais felizes. te amo e não é pouco. feliz dia dos namorados. <3

<3

 

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o incômodo de se incomodar

ando tendo problemas sérios de incômodo. durante a maior parte da minha vida eu tentei apenas me incomodar com o que me afetava diretamente. mas hoje eu me sinto tão incomodada com isso, que passei a me incomodar com a falta de incômodo com certas coisas. complicado, né?

o cerne da questão é que eu sei das coisas erradas que podem mudar/melhorar no mundo, na vida, no universo, nas pessoas etc, mas não sei o que posso fazer pra ajudar. a palavra não era bem ajudar, mas vocês entenderam. não sei mesmo o que fazer pra começar o processo de mudar essa relidade. e minha opção sempre foi de não fazer nada enquanto eu não soubesse realmente o que fazer.

isso dá mais incômodo ainda porque nada pior do que empurrar as coisas com a barriga, esperar pra ver se acontece algo, ficar de olho em sinais pra ver se surge algum insight. e nessa onda a gente continua levando a vida do jeito que ela quer nos levar.

aí vem outro e me diz que “o que não tem solução, solucionado está”. olha, meu caro, eu até acreditava nisso… mas –  PUTAQUEPARIU – se o problema existe é porque tem alguma solução, né? nós que não achamos ainda. nós que estamos cegos pras coisas. e eu já não enxergo bem mesmo… certeza que se a solução fosse um cheiro ou alguma coisa palpável eu já teria encontrado. maldita!

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lembrar

acordou num lugar diferente. um quarto branco estranho. um lugar que nunca havia ido antes. a única coisa familiar eram seus diários, que estavam meticulosamente desarrumados numa estante que travava a porta. percebeu que cada diário tinha um bilhete preso na capa, dizendo “leia-me”. ela pensou “pra quê? eu já sei tudo que está escrito neles”. em alguns segundos a inscrição dos bilhetes havia mudado para “você precisa lembrar”.

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vadia 1

minha poesia é uma puta ruim
some no mundo sem dar uma mísera satisfação
e quando volta, se volta, quer ocupar seu lugar de “direito” como se nada tivesse acontecido.

vadia.

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eu dancei! 3

naquele dia eu dancei loucamente. dancei porque o momento pedia, a oportunidade chamava, a música era deliciosa e não haveria nada melhor pra expurgar demônios. eu ainda não tinha o demônio no ombro esquerdo. hoje não preciso mais expurgar nada, sabe? o bem e o mal vivem em mim e ok, é isso, acabou. mas naquele dia eu estava na melhor companhia, rodeada de pretensas bruxas brancas, dançando junto com a lua, mesmo que não desse pra ver a lua dali. a bebida descia como água e a água lavava o corpo e o corpo pedia mais dança. e quando a música a acabou, fizemos nossa própria música, correndo pelas ruas e gritando pra quem merecia ouvir “eu dancei!”. eu dancei sim e dançarei sempre que o momento pedir, a oportunidade chamar e a música, deliciosa, me tomar. porque danço com a consciência de que não há maneira melhor de me expressar e dançando eu faço mais poesia do que você poderia imaginar.

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a vdd

“meu médico disse que eu tenho uma glândula de senso de dever malformada, além de uma deficiência natural em fibras morais – grunhiu para si mesmo – e portanto estou dispensado de salvar universos.”

ford prefect – gmg

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