entojo


About entojo

É alma que não se cala; Palavra que tira de tempo; Transbordo de sentimentos... Não é sopro, nem é v e n t o; É livre, leve e solta; É ar em m o v i m e n t o…

quem é você?

eu sou o vento da tarde 
o sentimento misto de medo e liberdade 
que se sente na beira do precipício 
antes de pular

eu sou o que mal começou
mas já vai acabar
porque se só o presente existe
ele acabou de passar

eu sou a saudade do mar
sou a força da terra que nunca vai me deixar
sou a junção de loucura, raiva, dor
e também um tantinho de amor


água salgada 2

chorar

lavar os olhos da alma

fazer sair tudo o que está preso

incrustado no que sobrou do coração

partido, esquecido

agora molhado

pela água salgada

que não é do mar

mas, se deixar, afoga

(ou afaga)

eu quero poder chorar no mar

sem me preocupar

em ter pra quem voltar


segura

segura, que este tempo será recompensado logo mais

segura, porque tudo há de ser vivido com o que a vida lhe traz

segura, que a luz que aqui te cega lá vai te iluminar

segura, que todo navegador – por mais perdido que esteja – tem certeza de onde quer chegar

segura, que quando estivermos do outro lado, tudo aqui serão só lembranças

de um tempo em que a esperança era a bóia que restava para segurar.


diário de uma pessoa sem smartphone 5

dia 1

PUTAQUEPARIU JÁ ME ROUBARAM O IPHONE AÍ O MOTOROLA QUEBRA AGORA O SAMSUNG GSDJSUAHANHDGSASJSDFGSJ CARALHO!!!!!!!!!!!!

dia 2

não paro de pensar o que o ladrão pode fazer com minhas fotos e vídeos (de gatinhos). estou tendo palpitações estranhas e minha perna fica tremendo sozinha.

dia 3

sonhei que o celular aparecia do nada na minha mesa e eu começava a chorar copiosamente, agarrada nele.

dia 4

coloquei o chip no meu celular antigo. consegui, depois de muito custo, instalar o viber e o twitter. o swype não funciona mais. o maps não abre. ele desliga sozinho quando vou fazer ligação. o twitter e o viber pararam de funcionar. estou chorando. vou comprar um nokia de lanterninha.

dia 5

o ônibus demorou pra chegar e eu não pude entrar no “cadê meu ônibus” pra saber onde ele tava. nem pude usar o google maps pra procurar um outro ônibus. nem pude usar o waze pra saber como tava o trânsito. nem pude ver os tweets dos @usuariometrosp pra saber se valia a pena pegar metrô. como as pessoas sobrevivem assim?????

dia 6

tava numa rua desconhecida e não sabia qual ônibus pegar. tive que pedir informação a um desconhecido e ele me respondeu certinho. não é que esse negócio de interagir com pessoas dá certo? não deu pra conferir o twitter no caminho pra casa. fiquei olhando pela janela e descobri que meu bairro tem muitas árvores e é lindo. nunca tinha reparado…

dia 7

hoje é o primeiro dia que não fico pensando se desloguei e mudei as senhas de todos os aplicativos. ai, gente… será que eu desloguei e mudei a senha de todos os aplicativos? meu deus, esqueci do gmail! vou colocar a verificação de dois passos por via das dúvidas.

dia 8

encontrei meu kindle enfiado debaixo de uma bolsa. nem sabia que tinha perdido. li um livro inteiro no caminho pro trabalho. tava com saudade de ler e nem lembrava.

dia 9

descobri que no celular antigo funciona fm. como tem estação de rádio aqui, né? fiquei até perdida em qual escolher. descobri que katy perry tá nas paradas de sucesso.

dia 10

sou outra pessoa. acho que não vou comprar outro smartphone 🙂

dia 11

sonhei que estava dentro duma partida de triple town e os ursos malvados ficavam batendo na minha cabeça com pedras, dizendo que eu não tinha condições psicológicas de juntar 3 arbustos e fazer uma árvore =~

dia 12

a câmera desse celular não funciona e eu me pego tirando fotos imaginárias e fazendo posts imaginários no instagram. não sei até quando posso suportar.

dia 31

#RIP ✨


lembrar

acordou num lugar diferente. um quarto branco estranho. um lugar que nunca havia ido antes. a única coisa familiar eram seus diários, que estavam meticulosamente desarrumados numa estante que travava a porta. percebeu que cada diário tinha um bilhete preso na capa, dizendo “leia-me”. ela pensou “pra quê? eu já sei tudo que está escrito neles”. em alguns segundos a inscrição dos bilhetes havia mudado para “você precisa lembrar”.


vadia 1

minha poesia é uma puta ruim
some no mundo sem dar uma mísera satisfação
e quando volta, se volta, quer ocupar seu lugar de “direito” como se nada tivesse acontecido.

vadia.


eu dancei! 3

naquele dia eu dancei loucamente. dancei porque o momento pedia, a oportunidade chamava, a música era deliciosa e não haveria nada melhor pra expurgar demônios. eu ainda não tinha o demônio no ombro esquerdo. hoje não preciso mais expurgar nada, sabe? o bem e o mal vivem em mim e ok, é isso, acabou. mas naquele dia eu estava na melhor companhia, rodeada de pretensas bruxas brancas, dançando junto com a lua, mesmo que não desse pra ver a lua dali. a bebida descia como água e a água lavava o corpo e o corpo pedia mais dança. e quando a música a acabou, fizemos nossa própria música, correndo pelas ruas e gritando pra quem merecia ouvir “eu dancei!”. eu dancei sim e dançarei sempre que o momento pedir, a oportunidade chamar e a música, deliciosa, me tomar. porque danço com a consciência de que não há maneira melhor de me expressar e dançando eu faço mais poesia do que você poderia imaginar.


a vdd

“meu médico disse que eu tenho uma glândula de senso de dever malformada, além de uma deficiência natural em fibras morais – grunhiu para si mesmo – e portanto estou dispensado de salvar universos.”

ford prefect – gmg


sobre deus 4

Deus não é pai, não é brasileiro, não é um piadista. Não curte minissaias, não gosta de drinks, não anda de bicicleta. Deus não é elegante, não é asseado, não é onívoro. Não gosta de preliminares, não faz exercícios, não leu o livro Deus, se existe, é uma espécie de aliciador de menores em algum  fliperama gerenciado por um casal de taiwaneses alcoólatras e coniventes. Porque ele paga algumas fichas, deixa você se divertir e, quando menos você espera, ele quer colocar seu rabo. E Deus não tem senso de humor algumEssa parte de conseguir levar as coisas mais absurdas e inesperadas e rir de tudo, isso fica inteiramente por nossa conta.
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surrupiado levianamente do savoir-faire do criativo rafael barba

a resposta da letargia

sinônimos e anônimos

Você mexe e remexe (com) o meu íntimo de uma forma que desestrutura, desmonta e espalha pedaços e desejos por todo este nosso *universo*paralelo*. Fraciona minha unidade e remete todos os meus *eus* ao encontro dos seus *eus* – que não são poucos! – tão desapercebidamente do que faz, como inconsciente da marca que imprime em cada uma das minhas partes. Brinca com meus instintos, com meus sentidos, me bagunça e depois me junta com aquele jeito agridoce, puro, quase ingênuo (porque natural) de quem nada faz por mal. Você chega cheia de metáforas, sinonímias e antíteses (do tipo tudo ao mesmo tempo, agora…), e se revela uma grande hipérbole de sentimentos, com todos esses paradoxos psicodélicos e ecléticos, transformando os nossos pequenos *momentos de eternidade* numa verdadeira catarse. Você para o tempo e manipula a realidade virtual, como uma cientista louca, e eu entro no seu jogo, de cobaia, só para ver no que vai dar… Porque me vejo em você, me sinto em você, começo e termino em você, com todas as figuras de linguagem. *Nós* somos sinônimos, apesar de anônimos aos olhos do mundo. Nos projetamos um no outro, portanto não há muito o que descobrir, a não ser nós mesmos. Se me descubro, lhe descubro e vice-versa. Não tem segredo… não tem mistério… Apenas somos e estamos sendo. Por isso não temos prazo de validade. No *nosso* universo não existe o tempo, tudo é pleno, tudo é agora, sem chegadas ou despedidas. Apenas acontecemos…

Pedro Camena 01/05/2008


letargia 2

Gosto quando você me descobre e me pega de surpresa. Naquele tempo onde eu, já envolvida no estado letárgico da mente e do corpo, deixo-me dominar pelo entorpecimento de sua visão em mim. Gosto porque aí o seu beijo não mente. Abusa da força e me deixa o ânimo quente. Nada se controla, tudo se desloca. Me excedo, sem medo. E jogo seu jogo de prazer. É aí que vejo que o desejo que existe em mim, há em você. Vou brincando com suas cartas marcadas, com as jogadas ensaiadas e as insinuações abusadas. Vou sentido que você sente como eu, mente como eu, se envolve como eu. Mistérios? Segredos? Nada mais há a descobrir. Mesmo porque chega perto o dia em que iremos partir. Cada um para seu lado, de sentimento guardado. Para um dia deixar aflorar, se o tempo (e seus caprichos) achar que devamos nos encontrar.

30/04/2008


verso completo 1

eu deitada na cama, branca, nua, cigarro numa mão, caneta na outra, tentando concatenar aquele verso perdido pra colocar no papel.

você sentado na poltrona, nu, acendendo o cigarro com aquele zippo que eu sempre quis roubar, me olhando concatenar aquele verso perdido pra colocar no papel.

você quem tinha começado aquela poesia e eu me sentia meio insegura em seguir algo que você tivesse começado.

acompanhar sua mente frenética sempre me exigiu um esforço a mais. mas eu gostava de como seu alter-ego me fazia pensar.

ele, que conseguia ser mais que nós juntos, apenas porque nos juntou. ele, que podia dar as cartas como bem quisesse.

joguei no papel apenas metade do verso e você fez cara feia. tinha que ser completo. uma lágrima rolou e eu só conseguia pensar que dali a alguns dias você não estaria mais entre minhas pernas.

eu deitada na cama, branca, nua, cigarro no fim, caneta e papel jogados de lado e você completando meu verso com a única coisa que importava naquele momento.

você.


janela de vazio

era estranho que ela se visse mais uma vez presa naquela mesma folha de papel em branco. há poucos dias o seu mundo era uma aquarela tão linda, tão cheia de cores! mas vai ver que o lugar dela fosse mesmo lá, não é? uma folha de papel sem nenhuma linha, nem cor, nem desenho, nem nada. pra quê cor, quando se tinha tanto vazio a ser visto? uma janela de vazio.