camena


a resposta da letargia

sinônimos e anônimos

Você mexe e remexe (com) o meu íntimo de uma forma que desestrutura, desmonta e espalha pedaços e desejos por todo este nosso *universo*paralelo*. Fraciona minha unidade e remete todos os meus *eus* ao encontro dos seus *eus* – que não são poucos! – tão desapercebidamente do que faz, como inconsciente da marca que imprime em cada uma das minhas partes. Brinca com meus instintos, com meus sentidos, me bagunça e depois me junta com aquele jeito agridoce, puro, quase ingênuo (porque natural) de quem nada faz por mal. Você chega cheia de metáforas, sinonímias e antíteses (do tipo tudo ao mesmo tempo, agora…), e se revela uma grande hipérbole de sentimentos, com todos esses paradoxos psicodélicos e ecléticos, transformando os nossos pequenos *momentos de eternidade* numa verdadeira catarse. Você para o tempo e manipula a realidade virtual, como uma cientista louca, e eu entro no seu jogo, de cobaia, só para ver no que vai dar… Porque me vejo em você, me sinto em você, começo e termino em você, com todas as figuras de linguagem. *Nós* somos sinônimos, apesar de anônimos aos olhos do mundo. Nos projetamos um no outro, portanto não há muito o que descobrir, a não ser nós mesmos. Se me descubro, lhe descubro e vice-versa. Não tem segredo… não tem mistério… Apenas somos e estamos sendo. Por isso não temos prazo de validade. No *nosso* universo não existe o tempo, tudo é pleno, tudo é agora, sem chegadas ou despedidas. Apenas acontecemos…

Pedro Camena 01/05/2008

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letargia 2

Gosto quando você me descobre e me pega de surpresa. Naquele tempo onde eu, já envolvida no estado letárgico da mente e do corpo, deixo-me dominar pelo entorpecimento de sua visão em mim. Gosto porque aí o seu beijo não mente. Abusa da força e me deixa o ânimo quente. Nada se controla, tudo se desloca. Me excedo, sem medo. E jogo seu jogo de prazer. É aí que vejo que o desejo que existe em mim, há em você. Vou brincando com suas cartas marcadas, com as jogadas ensaiadas e as insinuações abusadas. Vou sentido que você sente como eu, mente como eu, se envolve como eu. Mistérios? Segredos? Nada mais há a descobrir. Mesmo porque chega perto o dia em que iremos partir. Cada um para seu lado, de sentimento guardado. Para um dia deixar aflorar, se o tempo (e seus caprichos) achar que devamos nos encontrar.

30/04/2008

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todos ao vento 4

a palavra é o que une e o que separa…
é preciso saber sentir. saber pensar.
saber falar. saber calar.
essa é a ciranda de roda que me embala.
que cala a fala.
que confunde a mente
em tudo que se pensa e/ou sente.

o que é pensado e sentido
logo remete à emoção.
a confusão desastrada
que ultrapassa o simples limite da razão.
via de mão dupla, onde não se sabe
por qual caminho trilhar.
o falar ou o calar…
o sentir ou o pensar…

ah! que venham todos!
venham me desafiar!
fazer infringir minhas próprias regras.
mudar conceitos, transformar.
pois eu sou a reencarnação do caos.
a palavra de ordem fora da ordem.
o pensamento solto, sem rédeas.
a idéia que ainda não surgiu.
o sentimento perdido.
o saber desconhecido…

que venham todos!
todos ao vento, que eu sou BRISA.

pedro camena e brisa dalilla =05/05/2008=

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melancolia au contraire 4

quando tudo está desassociado do que deveria ser é que mais penso em você.

e também porque o contrário das coisas sempre me faz querer o contrário do contrário e vice versa. sempre assim. bem aquela coisa de criança pequena. o não é sim e o sim é não. e sozinha mesmo, sem a ajuda de senhor ninguém – dentro do meu mundo subjetivo e mais surreal que qualquer forma de imaginaçãoeu crio esses estranhos subterfúgios para não te amar mesmo te amando. ou não.

é… às vezes eu me perco nas lembranças e penso que nunca te amei de verdade. entendo que apenas criei mais uma dessas paixonites agudas dentro de mim para manter acesa a sensação falsa de felicidade instantânea. ou de segurança. vai saber…

o que já sabemos é que sou eternamente torta das ideias e do coração. o que eu tento descobrir é se esqueço tão fácil quanto amo. porque mesmo depois de anos, de tantos tempos, de tantas pessoas que passaram por mim (nós?) e as reviravoltas da vida…  eu volto a lembrar tão facilmente de ti, tão sem querer querendo, que acho que voltei a te amar – quando nem sei se deixei de…

(more…)

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maktub. est écrit.

tem gente que gosta de apagar o passado. eu não. cada parte, cada momento, cada instante, cada suspiro, cada palavra vivida (sim, eu vivo palavras também)… tudo fica guardado em mim. aqui e em meus infinitos cadernos, agendas, notas. minha memória nunca foi das melhores, talvez por isso eu insista em anotar tudo. como se eu soubesse que um dia vou precisar recorrer a esses escritos para lembrar o que fiz, o que fui e claro – porque não – o que sou. e eu sou isso mesmo… talvez essa seja a representação exata: um monte de rabiscos de lembranças guardadas em cadernos, que vez ou outra ligações [in]esperadas, aparecimentos furtivos e leituras aleatórias, me forçam a lembrar. quando falo ‘forçam’, não entendam como se a lembrança fosse forçada. não, pelo contrário. é natural e gostosa. lembrar é gostoso. nossa… como é bom. e lembrar como você consegue fazer parte de uma pessoa, mesmo não ‘estando’ parte dela… e lembrar que certos elos são tão fortes que o tempo e o espaço nunca conseguirão quebrar. porque poucos sabem a diferença entre os mundos. reconhecer que pertence a outro mundo, não é pra todo mundo. e esse mundo (paralelo, lúdico e etéreo) que só nós conhecemos, onde é permitido ser cheio de metáforas, sinonímias e antíteses (do tipo tudo ao mesmo tempo, agora)… onde não é estranho se revelar uma grande hipérbole de sentimentos, com todos paradoxos psicodélicos e ecléticos imagináveis onde é possível transformar os pequenos *momentos de eternidade* numa verdadeira catarse… é nesse mundo onde vive o meu eu de verdade. e onde podem conviver em harmonia perfeita, o poeta real e o real espectro imaginário.

o que permanece no meio da profusão de lembranças reativadas é a certeza: o roteiro está inacabado. est écrit.

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TUDO DENSO

Pare por aí!!
____   Eu não preciso de
______   ___Parâmetros para sentir.
____________     _Sinto…
_____            ________Desapercebidamente;
___________  ___ Despretensiosamente
________      (até mesmo pretenso).
______Mas sinto do meu jeito.
.

Meio turvo,
.
Meio louco,
.
Meio intenso,

E TUDO DENSO!


*Pedro Camena* 27/06/2008
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SOU EU: "SEU MOÇO"!

Ei, moça!!!
Aqui quem fala é “seu moço”!
E chego cheio de intenções.
Primeiras, segundas, terceiras…
Todas elas: boas e más.
(aliás…)
Do jeito que você cansa,
Do jeito que você gosta!

Sabe, moça…
Esse “seu moço” aqui,
não tem medo de mordida.
Nem da sua mordida raivosa!
Apesar de não ser vacinado,
Pras coisas que ferem a carne
E passam pro coração.

Mas, tenho medo não!
Quero que me morda
e morda “de com vontade”.
Com todas as intenções:
primeiras, segundas, terceiras…
Todas elas: boas e más.
(aliás…)
Do jeito que você cansa,
Do jeito que você goza!

Pedro Camena *17/05/2008*

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Ele acaba comigo…. Mas com estilo, sempre!
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