#crônicas


chatiadísima 2

acho uma puta duma sacanagem você invadir sonhos assim sem mais nem menos. quedizê… eu nem te conheço, só vi uma foto sua e PAM você acha super sincero vir torrar os pacovi do meu subconsciente.

no avatar tu só é uma cabeça flutuante, mas no meu sonho apareceu todo lindo, tatuado, falador que só, mostrando como ser daqueles machos viris e inconstantes que chamam na chincha sem pedir licença. um perigo. adoro.

na minha imaginação você bem que curtia poesia, arte, blá, tinha lido uns textos meus, se identificado com meu jeito sem padrão de escrever. ah, e falava segurando minha cintura. menino do céu, não foi muito fácil ficar conversando a dois dedos de distância de sua boca e assim, super me controlar.

foda que eu acordei antes que consumar o beijo e tal, já que os vizinhos resolveram começar uma obra lá pras 8:30 da madrugada. tô pensando em mandar uma reclamação pra síndica já que, né? quem em sã consciência atrapalha um sonho desses com um cara assim como você?

foda. nada fácil ser imaginativa hoje em dia.

*a palavra ~chatiadíssima~ é originária um meme. se não entende, um beijo.
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people are beautiful if you love them 6

é muito, muito difícil mesmo entender o conceito de beleza das pessoas.

“olha, eu curto os morenos, sarados, altos e de olhos verdes.”
“ah, já eu gosto demais dos baixinhos com barriguinha, sabe? acho um charme.”
“gordinhos são meu ponto fraco. caio fácil!”

varia, né? ¬¬

o ponto chave é (e todos sabemos): seu bonito não é o meu bonito e vice versa e tal e pá. olha que eu nunca jamais em hipótese alguma na vida escolhi (até porque você nem escolhe, o coração escolhe, mas tudo bem…) namorados, peguetes, casinhos, ficantes etc, pela beleza. a realidade é que existem muitas milhares de outras coisas que importam na hora da conquista. bata aqui se concorda comigo. o/

já fiquei com umas figuras que, se eu te mostrar as fotos, cê vai perguntar se eu permaneci bêbada durante toda a relação. vdd vddra. se quiser te mostro. mas fico na minha porque vai que acontece o contrário também, né? vai que o ex mostra minha foto pra alguém e a esculhambada vou ser eu…

mas então… o babado é que a beleza é diretamente proporcional ao ~tamanho~ do amor. clichêzão? ô… maior de todos. mas o que é o amor, né pessoa? mega clichê ambulante delícia. você conhece a pessoa, se apaixona e, minha amiga dona de casa, meu amigo telespectador… pode ser o cão chupando manga, a bruxa do 71, que vai ser a coisa mais linda e gostosa que você já viu na vida. e vai ganhar apelidinho carinhoso, beijinho, amorzinho, todos os elogios do mundo todo. pq né, o amor faz essas coisas por você. coisas que você tem que ser muito sábio pra entender que são ‘romantiquisses’ de ocasião e não tem porque ter vergonha depois.

já me apaixonei por um gordinho mais baixo que eu. ficava uma coisa linda e emocionante, eu, que já não sou dessas alturas todas, ser maior que o namorado. mas ó, a gente sempre fez disso uma coisa tão natural, tão à nossa maneira, que não teve um que não dissesse que era o casal mais lindo do mundo. no amor você ama os defeitos mais cretinos, os trejeitos mais estranhos, até coisas que não são defeitos, mas uns doidos insistem que são.

amar é sim essa coisa bizarra e ~maravilhinda~ que faz você ser sublime aos olhos do ser amado. e não tem coisa mais gostosa do que você se enxergar bonita aos olhos da outra pessoa. naqueles momentos comuns do dia, qdo você toda largada no sofá, de moletom e meias, lê um livro; ou depois do amor, quando bate aquela aura deliciosa de prazer compartilhado; ou mesmo quando você chora por algo e aquelas lágrimas ainda assim são parte da sua beleza.

é apenas a missa que todos nós já sabemos de cor e salteado, mas só nos lembramos quando alguém toca no assunto:

people are beautiful if you love them.

post meu pro universo femininoinspirado nesse outro post.

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trivialidades randômicas e características estranhas do surto

quando a gente surta parece que, além de louca, fica cega, surda e sem entender um palmo de coisas embaixo do nariz. ohhh, that’s the truth. é o esquema de “a dor é minha mesmo, é enorme, é maior que a de todo mundo porque é minha (ora bolas!) e foda-se quem achar errado”. sim, acabei de descrever meus surtos. reconheceu? porque não é só de pollyanismo que vive a pessoa, né? e às vezes, mesmo com o otimismo todo que me acompanha, eu fraquejo, sinto o chão sair dos pés e surto (lindamente, loiramente e japonesamente). normalmente quem fica perto nesses surtos e não consegue segurar a barra ou não entende como é passar por isso, sofre até mais que eu. e pensem que os surtos de hoje são bem menores que os de antigamente. sinta o drama…

(more…)

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22:09 1

ela jurava que não queria ter medo de sentir tudo de novo. até porque mesmo na vontade de esquecer a parte romântica da coisa, o passado continuava tão latente – tão presente e tão desejado – que há de se convir que os sentimentos iam se confundir no meio do caminho. e ela nunca teve medo de sentir de novo. o medo na verdade, permeava era a parte do vazio. “é que coração não nasceu pra ficar vazio, sabe?”, ela pensava. daí vinham as lembranças… e relembrar é aquela coisa dolorosa (mas de certa forma gostosa). tem dores que fazem até bem, já dizia o poeta. relembrar e trocar alguns ois, palavras soltas. o comum, o de sempre, o trivial. da rotina que, quando se perde, dá saudade. o trivial, poderia parecer trivial na cabeça do resto do mundo. mas era o trivial só deles e de mais ninguém. que fazia com que se entendessem sem interferências externas. dum mundo que ninguém haveria de mudar. foi como ela aprendeu a lidar, a conviver e a amar.

até hoje ainda permanece a dor gostosa de especular pra si mesma o que poderia ter sido. e ela sabe como a dor de um fim (iminente) pode ser cruel, como se rasgasse a alma em mil pedaços. mas o trivial que permanece, às vezes acalenta a dor. mesmo sabendo que o coração não deixa de sentir as coisas que a cabeça manda. mas há de ser racional, além do emocional. há de ser forte, mesmo quando falta o ar. há de ser correta com as coisas que simplesmente não dependem de nós para acontecer. porque nem sempre dois são um. mas nem sempre o fim é o fim (e o suspiro vem fundo a cada pensamento sobre isso). a verdade é que o fim não é tão terrível assim. e há de se entender que cada fim dita um novo começo. faltando pedaços importantes, claro. mas ainda assim há um começo. e começos não dão medo.

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vá tomar no colo do seu útero! 5

Tudo começou quando eu ainda era mata virgem, ainda intocada, fechada para os lenhadores morenos, sarados e de olhos cor mel… E toda menininha que se preza faz visitas ao ginecologista, coisa de praxe mesmo pra quem ainda não liberou a perseguida. Só que certa vez eu decidi ir sem mamãe do lado e a médica (que eu nunca tinha ido antes) não me perguntou se eu já tinha dado ou não e enfiou um espéculo nas minhas partes baixas. Pause para explicação: meninas puras não passam pela tortura do espéculo, esse negóz prateado aí do lado… Se não guenta um pinto ainda, vai guentar isso aê? Em teoria não, mas eu ganhei esse brinde. Fui *especulada* antes de ser deflorada. Coisas que só acontecem comigo mermo.

E, ô negocinho que incomodou, viu? Ela enfiou a parada fechada e lá dentro abriu até parecer que ia me lascar no meio. A médica ainda deu uma girada supimpa lá dentro pra visualizar melhor, que eu vi estrelas coloridas mil. Depois do exame desnecessário ela disse “Gatinha, você está com uma feridinha no colo do útero.”. E eu calmamente “Mas eu nunca transei, Dona Doutora. Coméquipode?“. Niqui ela responde, me censurando “Seria bom se você tivesse avisado isso antes, pra eu não ter colocado o espéculo…”,  e eu “Ué, você não perguntou…”!

Adiantando o papo, prrq senão a gente ia ficar naquela até o próximo milênio, eu pedi pra ela me explicar como eu tava com uma ferida na porra do colo da desgrama do útero se nunca tinha dado minha xexeca! Ela disse pra eu me acalmar, que aquilo era uma coisa congênita, que não tinha ver necessariamente com relação sexual, essascoisa e tal. Veio de mamãe pra filhinha. Em tempo: Valeu, mãe! Voltando… Segundo a doutora, bastava cauterizar a ferida e tava tudo lindo. Não me proibiu de nada e marcou pro outro mês, prrq tinha que ser logo depois da menstruação (ói a feridinha aí do lado, bombando o planeta).

Não sabia eu que conheceria os prazeres do sexo logo nesse intervalo de tempo. Já disse que essas coisas só acontecem comigo? Então… Depois de um mês de descobertas a acessos inimagináveis em meu lindo e roliço corpinho, fui na tal médica cauterizar a feridinha lindinha. Foi bem legal. Mais processo de enfiar espéculo, abrir espéculo, girar espéculo. Ainda colocou um câmera pra eu ficar assistindo, supimpa! Pelo menos eu fiquei sabendo que beleza interior não é meu forte. Aquelas mesmas coisa de sempre, pressão baixou, desmaiei, posição de trendelemburgblablabla. Entre colos e feridos, salvaram-se todos.

Depois vem ela me dizer que tem que ficar um mês sem fazer ozadia. Mas que pra mim não valia, já que eu era vilge (maria!). Ela não ia imaginar que em um mês eu ia liberar a periquita, né… Ô pôvo crédulo! O problema não é necessariamente ficar 1 mês sem fazer sexo e tal. Super normal. Isso acontece de vez em quando comigo… O problema é você saber que não pode fazer! Isso mata qualquer ser que tenha duas pernas para abrir.

De maneiras que o novo namoradinho teve que segurar um mês sem acessar minhas reentrâncias, o que quase deixa o menino doido. Até hoje não posso garantir que ele não tenha procurado assistência profissional em algum brega ou coisa que o valha… Mas se a necessidade o levou lá, o bichinho usou camisinha e escondeu todas as evidências direitinho pra que eu não descobrisse. Já diria o poeta, né: “Visibilidade opaca; Cegueira seletiva…”

O caso desse texto todo acima é que, depois de milênios passados, depois de eu ter cauterizado a ferida e depois de eu ter desmaiado durante a porra da cauterização, a feridinha no colo do útero voltou. E lá vou eu pra mais processo de enfiar espéculo, abrir espéculo, girar espéculo, cauterizar e o escambau. Mas o pior, o terrível, o mais preocupante fato de, denovo, não poder fazer sexo por um mês!!! E outra… Eu não tô namorando, não tô com peguete fixo… Mas quer apostar quanto que assim que eu cauterizar a desgrama do colo do meu útero, aparece um?!
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Ps: Texto escrito em 09/02. Precisamente 13/02 eu comecei a namorar. Preciso dizer a dificuldade que eu passei nesse mês? HAHAHA

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TRANSCRIÇÕES 4

Da minha agenda de 2006 (meu último “querido diário”)…


18/08 – Sexta-feira –
Festival de Inverno Bahia

Chegamos em Conquista à noite. Paramos no toco. Toco? Que nada! O nome do lugar era gancho e eu falei toco! HAHAHA Anderson buscou a gente com a namorada dele e mais um menino bem gracinha. na casa foi bem legal, galera bem pra cima. Só teve um baixinho que ficou dando em cima de mim. Normal, né?! A estrutura do Festival é perfeitaaaa! Alguém me explica o que é aquilo? Que cidade é essa, meu pai? O que eu tava fazendo perdida aqui em Itabuna que nunca tinha visto isso? Vanessa da Mata arrasou. Que mulher linda! Com aquele saião enorme, descalça, se acabando de dançar num tapete no palco. E eu curti até a última banda. Quase me perco da galera, porque Diva foi embora mais cedo. Mas achei aquele menino carequinha da camisa verde. Aó me localizei. No fim tudo deu certo. Muito bom!

19/08 – Sábado – Noite louca!

Acordei que nem uma doida. O menino que me cedeu o quarto e a cama tava dormindo no sofá, tadinho! Saímos pra almoçar e encontramos com Diva e Léo perto do terminal. Diva fez uma brincadeira dizendo que eu ia ficar com ele. Vê se pode?! Eu nem lembrava o nome do menino… HAHAHA Ah! Em tempo, o nome dele é Pablo. Descobri por Diva! *rsrsrs* Ficamos a tarde toda em Paulinho, um barzinho massa. Você nem bem respirava e seu copo já tava cheio. Depois rolou um reggae na casa que a gente tava (a Floresta). Foi hilário! Torrei quase uma garrafa de conhaque sozinha! Depois fomos bêbados pro Festival. Só lembro de ouvir a última música de Lenine (que foi a primeira pra mim) e acordar no barracão do forró com Lordão! Cara, eu apaguei em Engenheiros e Los Hermanos! Quando caiu a ficha eu tava no barracão com Pablo! Aff… Se eu sou doida? Doideira maior rolou depois! Sinceramente… APAIXONEI!

20/08 – Domingo – Sem comentários?!?

Que leseira foi essa!? Coisa de louco… Mal chego aqui e já tô de romance. Hehehe. E olha que eu tinha jurado vir aqui só pra ver O Rappa… Pense! Fomos à tarde para a casa do irmão de Pablo (que não parece nada com ele, diga-se de passagem). Batemos a velha feijoada e depois a galera ficou tomando várias. Galera show demais! Até Luci, da E10, tava lá. Mais tarde descemos pro Festival. Ah… Aí eu já tava em outra dimensão… Primeiro Fernanda Porto, minha loucura! Tocou tudo que eu amo! Paulinho Moska foi muito bom também. E depois… Depois veio O Rappa!!!!!!! Foi simplesmente s e m c o n d i ç õ e s!!!! Não tem como explicar! Eu e Diva ainda ligamos pra Digalogo de lá! Era o níve dele! Cara, não tenho como explicar! Vou dormir, que tô chapadassa (como diria Jaquinho)!

21/08 – Segunda-feira – O retorno…

A volta pra casa é a pior parte… Pra mim, eu não levantava daquele sofá NUNCA em minha vida! Bom demais! Mas a realidade sempre nos chama. E a minha (por enquanto) é Itabuna… Levantamos do referido sofá (depois de Zé Luíz – bêbado que nem um gambá – pegar na minha bunda duas vezes… :P) e fomos refazer o caminho de volta. Rodamos um pouco pela city até chegar ao gancho (ou toco, sei lá! HAHAHA) e pegar o buzão. Poxa… Vou sentir falta daqui, viu? Bom lugar pra se viver, esse… Mas seil á, que sabe eu não volto? Valeu muitoooooooooo!

22/08 – Terça-feira – Êba!

Já em Itabuna. Conversando com ele pelo msn. Tá rolandooooooooooooooooooooooo! HEHEHE

23/08 – Quarta-feira – Vou ou não vou? Ai, eu tô com medo!

Nossa mãe! Esse menino tá mexendo comigo mais do que queria admitir… O que há, Brisa? Vixe, Maria! Parece doida… E agora? Eu vou ou não vou? De qualquer forma, eu já falei coisas demais pra ele (ahahaha)! O que faço? Será que cara ou coroa funciona pra resolver o impasse? Amanhã penso nisso…

24/08 – Quinta-feira – FUI!

Bom, tô indo… E que seja o que Deus quiser! Mais uma vez arriscando… Quem sabe não sai algo daí? Conquista… Aí vou eu!

25/08 – Sexta-feira – Ninguém acredita em mim (e eu adoro)!

HAHAHAHAHAHAHAHA
Ninguém botava fé que eu viesse!
E eu vimmmmmmmmmmmmmm!
VIM!
Até Godô duvidou!!!

Ps: Aqui parece ser uma cidade boa pra se morar… Quem sabe…

O resto vocês já sabem. Voltei pra Itabuna só pra arrumar a mala. Fui e nao voltei por um ano e meio… Muitas coisas boas, muita batida de cabeça, muito aprendizado… Tempo bom (como todos os outros que cismam em não voltar mais)… Hoje, estou de volta a Itabuna. Mas sei que cada tempo é seu tempo. Cada coisa acontece como deve acontecer. E isso nem foi excesso de saudosismo. Apenas uma forma de marcar essa data. Hoje faz exatamente dois anos que eu voltei de Conquista a Itabuna, já na intenção de fazer minha primeira jornada totalmente sozinha. Foi duro, foi difícil, mas foi lindo! Um beijo enorme (em pensamento, já que esse blog é pouco lido pelo meu povo de lá) e uma saudade imensa de tudo que vocês (e principalmente, Bito e Godô) me proporcionaram nesse tempo que fui uma itabunense-conquistense. AMO MESMO.

Amo porque não existe outra forma…

Brisa Dalilla =21/08/08=

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A ENCENAÇÃO 1

……..

Olha, vou logo aqui te contar a verdade toda, que eu não sou de enrolação. Eu te enganei. Éééé, enganei mesmo! E enganei bonito. Quando eu comecei com aquele papinho molenga de “vamos tomar um choppinho pra relaxar” eu queria só te comer. É, comer mesmo! Igual a homem sacana que diz que só quer ‘pôr a cabecinha’. Eu te prendi certinho na minha teia. E você ficou com a ilusão de que tava me conquistando. Pobre tolo, ah… Você queria namorar. Eu só queria me divertir. Você queria a mulher pra casar. E eu só estava interessada numa parte específica de sua anatomia… Aquela timidez e o olhar lânguido que você tanto elogiou… Bah! Pura cena. Aquele excesso de pudor (assaz exacerbado), aquele papo de poucos namorados… Tudo balela! E você caiu na conversa do jeitinho que eu queria… Se apaixonou, se encantou… Olha, acho até que me amou! E ó, sério mesmo, eu não te amei nem um pouquinho. Eu estava é me deleitando com toda a encenação. Me deliciei porque estava ganhando um jogo que só eu sabia o enredo. Aliás, te conto mais! Você pagou caro por um crime que não cometeu. Seu primeiro erro foi me olhar e me querer. Errou também por investir na hora errada, onde eu, totalmente puta da vida com outro cara, precisava me vingar. Ah, e me vinguei lindamente! Ele me deixou de lado. Eu te dei a chance de partilhar a mesma cama que eu. Ele me esqueceu. Eu deixei você me ter para apenas afrontá-lo (em pensamento, já que ele não chegaria a saber de nada). Ele me magoou. Eu destruí você quando, após o seu gozo, ordenei que recolhesse suas roupas inúteis e saísse de minha vida. Ele jurou que me amava. Você me amou. E eu? Eu o amava, mas não te amei. E não te amo! Fui má mesmo. Uma boa bisca. E você? Apenas mais uma isca. Olha, sei que não vale mais nada tentar me desculpar. Fiz o que fiz com juízo. Sabendo que iria magoar. Talvez o que faça com que você tenha pena de mim, seja o fim da história. Não deveria te contar o que passei, pois como sofri só eu sei! Depois da noite terminada, virei aquela garrafa de conhaque barato que há tempos guardava. Embebedei sozinha. Fiquei como realmente merecia, deitada no chão daquela cozinha fria e vazia. Me penalizei por ser estupidamente idiota! Por expulsar de forma tão bruta um amor sincero que me bateu à porta. Me penalizei simplesmente por ser quem sou. Doida varrida de alma sombria que só escolhe os caminhos tortos para seguir. Espero que ao ler este texto, você não me maldiga, ou ache que sou o que não espero ser. Ria de minha cara, no máximo. E pode sussurrar entre os dentes que eu mereci. Mereci mesmo. E nada me fará pensar que não devo pagar esse preço…

……

Brisa Dalilla
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A coisa mais gostosa que já se inventou

Hoje ele me questiona como e porque tudo aconteceu. A admiração, depois o fogo, a paixão. Coisas que ainda não tiveram fim. E apesar de tudo que andamos dizendo, percebo que visualizamos tantas facetas um do outro que descobrimos o óbvio: eu o completo como ele me completa (e vice-versa, e tanto faz…).

Semelhanças e diferenças existem para o nosso bem. Só não soubemos tirar proveito delas. E se você diz que “o medo é o maior ladrão de oportunidade”, veja como – por medo – já perdemos tantas.

Neste ano completamos um ciclo. Sei que nem todas as mudanças foram benéficas, mas insisto em ser a Srtª. Coração Mole. Deixo-me alcançar os sentimentos sem bloqueios, ou sem fingir que não vejo o que acontece comigo quando você está por perto.

Não me envergonho de meus sentimentos, e talvez seja uma das poucas coisas que me orgulho ultimamente: ser intensa; doar-me por inteiro; deixar minha emoção me levar até o fim.

O que cansa o corpo e a mente é o desgaste. Há muito venho me desgastando por coisas que me permito sentir. E a partir deste momento farei o possível para deixar este sentimento em segundo, terceiro […], décimo plano, partindo do pressuposto que meu bem estar é mais importante que qualquer sentimento que busco compartilhar.

Neste ano, minha única regra é viver! Aproveitar o que a vida oferece e que há de oferecer para o meu prazer. Extrapolar quando quiser sentir-me nas alturas, moderar as atitudes quando o desconfiômetro apitar… Evitar desentendimentos e levar em meu peito o mais bonito dos sentimentos vividos.

Às vezes fecho meu olhos e vejo que não achei o que procuro. Mas quem sabe esse seja a beleza da vida… Uma eterna busca por novos sentimentos. Uma eterna busca por novos momentos. É…

A COISA MAIS GOSTOSA QUE JÁ SE INVENTOU!


*Texto publicado originalmente em 18/03/06
(mas continua atualíssimo).


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de repente

De repente, não mais que de repente… Acontece o inesperado! As palavras se escondem, o grito some, e o coração apressa. Bum! Bum! Bum! Ai meu Deus! Ai meu Pai! E tudo que era fácil, fica difícil. E tudo que era possível, vira impossível! Até seu bichinho de estimação percebe o desassossego iminente. A verborragia de sempre é substituída pelo engasgo. O tempo é contado a cada passo. E o final do fim do infindável, ninguém sabe, ninguém soube, ninguém viu. Simplesmente sumiu! A presença constante e cortante mudou seu rumo. O jeito rápido e insistente simplesmente tomou prumo. E todos os motivos para se ser como se é, acabaram por destruir o torpor. O corpo rijo que se outrora se fizera presente, foi embora com aquela gente. Povo incrédulo, invejoso e intransigente. Tudo que construía se perdeu. O calor que já subia, arrefeceu. E o tempo e o espaço se foram junto aos passos daquele rapaz. Mas e então, e aí, e agora… Como é que se faz? O que lhe resta é viver e levar. Temer, mas continuar. Pois com o tempo, o passado e a saudade, hão de se acostumar.

20/06/2006

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onze anos

De repente ele passou a notar a colega que sentava na cadeira do meio, três filas depois da dele. Não sabia por que, mas de repente o sorriso dela passou a parecer lindo. Nunca haviam conversado mais que três ou quatro frases, sempre em trabalhos de grupo que a professora passava, mas ainda assim sua voz era linda também.

Até os óculos que ela usava davam um ar gracioso à sua face. Reuniu toda a sua (falta) de coragem e pensou um plano: Ela vai me notar! E pensou em estratagemas (Flanquear o adversário é sempre melhor que um ataque frontal, já dizia Sun Tzu). Mudou de cadeira. Sentou ao seu lado. Estava sempre onde ela estava. No pátio do recreio, na fila do lanche. Consertou a postura (Peito pra fora, barriga pra dentro!). Por fim tomou uma atitude. Um bilhete, assim, simples, escrito: Eu gosto de você. Te amo. E assinou, colocou dentro do caderno dela.

No dia seguinte, algo de estranho no ar. As meninas cochichavam e olhavam de soslaio. Os caras, aqueles imbecis que só pensam em bater baba, riam. Ela sentou longe dele. Um silêncio ensurdecedor caiu entre eles na aula de matemática. No intervalo, com a voz inaudível, ele tentou chamá-la para conversar:

– …

Ela, entretanto, disse:

– Ó, não é por nada não, mas gosto de você só como amigo, tá, e não quero estragar a amizade.

E saiu, em direção à merenda, enquanto o rapazote, já novamente com o peito pra dentro e a barriga pra fora, depois de levar o primeiro dos inúmeros foras de sua vida, pensava consigo:

– Foda-se, Sun Tzu.

Edgard Freitas

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