#dos outros


Com[Pressão]

Você não faz arte,
Você cria vida.
Tudo que toca, anima;
Tudo que pensa, esquenta;
Tudo que escreve, ferve.
E eu, panela de pressão,
vibro, sopro, assobio
e até explodo.
Como não?!

Pedro Camena. *28.06.2008*


Você me sente

Você me sente…
Dentro ou fora do seu espaço
Fora da órbita do seu abraço
Do seu enlaço

Você me sente…
Em cada um dos meus traços
Na minha franqueza, no meu embaraço
Em tudo que faço…

Você me sente…
Sente cada um dos meus passos
Quando piso firme, em falso
E até mesmo descalço

Você me sente…
No meu sucesso, no meu fracasso
Na minha falta de espaço
Cada um dos meus pedaços

Você me sente…
Quando me escondo, quando te caço
Quando te rogo, quando te rechaço
Quando te amasso…

Você me sente…
Você me sente…

Pedro Camena =12/09/08=

E hoje eu poetizo através dela… 2

A INTENÇÃO

São coisas sentidas
Que por fim me pertubam
Onde me perco, me acho
Num copo de intenções

Um corpo insiste
Numa despudorada permanência
Numa delicada exigência
De fantasias reais

E dos olhos que se cruzam
Soa o grito de desejo
Como se já existisse o beijo
Mesmo sem propósito declarado.

Diva Brito =05/2005=


A ARTE DO ENTOJO 2

Não sei até onde o Entojo
é cena ou encenação.
Realidade ou imaginário.
Verdade ou habilidade de quem mente.
De quem transforma a realidade
em outras realidades,
só pra esconder a mensagem aparente…
Não sei até onde o Entojo
me beija ou me apedreja.
Me consola, me assola ou me dá de sola!
Me descontrola…
Sei lá o que vem de lá!
Nunca se sabe…
Pode ser um afago, um engasgo
Ou mesmo um desengasgo
amoroso, furioso e, por vezes,
diria até… impiedoso.
Mas vem de dentro pra fora…
E pra mim, Sir Camena,
Que sempre lhe oferece a outra face,
Importa apenas a sua arte.
A arte do Entojo do qual faço parte.

Pedro Camena. 26.08.2008.


Brincando de Escrever

Quando crescer seremos “sei lá o quê”…
Tudo que nos der prazer!
Porque ser “não sei o que lá”…
é muito chato, dá muito trabalho!
Que bom que ainda somos crianças
cheias de semelhanças.
E na falta do que fazer
(no tempo que nos falta),
brincamos assim: de es-cre-ver.
Reconheço que o tempo é curto,
mas o (nos) manipulamos bem.
Com caneta e papel nas mãos
(essas armas letais)
Ninguém pode com a gente!
Fazemos a diferença, simplesmente,
Porque somos diferentes…
Ponto!

Pedro Camena *16/05/2008*


Se não for agora, quando? 1

Tem hora de parar – e tem hora de partir.

Tem hora de permanecer quieto e calado num canto,
e tem hora de cantar e de voar.

Agora,
agora não é hora de dobrar as asas,
nem de calar a voz,
nem de catar gravetos para fazer o ninho.

Agora não é hora de sentir remorsos.

Não é hora de buscar consolo,
nem de caiar o túmulo.

Agora que estou na beirada,
bêbado de alegria
e pronto para o salto,
não me segure em nome de nada.

Não queira impedir-me
dizendo que é muito cedo,
ou que é muito tarde,
ou que está escuro, é perigoso, muito alto,
muito fundo, muito longe…

Não!

Se você não puder incentivar-me para o salto;
se você não puder empurrar-me
em direção à Vida,
então não me segure.

Não me prenda, nem me amarre.

Não envenene com teu medo a minha dança.

Seja só uma silenciosa testemunha desta vertigem.

Porque agora,
agora é hora de voar.

É hora de abrir-me a todas as possibilidades.
E saltar num vôo livre e sem destino
para dentro de mim mesmo.

[Edson Marques]


Escorpião 1

“Cuidado com o escorpião que anda em suas costas!
Será que de vez em quando ele te pica, te deixa envenenada?
Ou será que o veneno dele te deixa aliviada do mundo, te leva as nuvens, bem distantes dos mortais e de seu erros banais?
Será que ele anda em você ou você é seu próprio chão?
Ele aflige ou afaga?
Quem sabe te empresta seu veneno, te transforma em predadora pra fazer dos homens as suas vítimas preferidas, com sua cauda a nos seduzir sem piedade, remorso e com um prazer inquietante nos lábios…”

.
Presente recebido de um bom amigo…


Castanhos delírios de uma noite fluida…

Como se o mar
Invadisse a noite
Marulha o silêncio
Em meu ouvido
Sussurra lembranças
Penetra poros
Dilata veias
Por onde você
Escorre , em ondas
Que me engolem
Arrebentação…

E o meu cais te aporta , sem margens…

No espelho
São seus olhos
O meu reflexo
Desapareço
Dissolvida

Abduzida
Por alguma força mística
Poção mágica
Grudada nas retinas
Castanhos delírios
Incensando
Os caminhos…

Sinestesias…

Silêncio cheirando
A mistério…
Respiro e me inspiro
Me entrego …
Alquimia de corpos etéreos
Explosão de átomos
Mistura volátil
Encontro marcado
Numa noite lúdica
Fluida
Quase música…
A guardar em suas notas
A respiração ofegante

Do beijo imaginado…

Um violino
Ao longe
Conduz a dança
Até o ato final…
Adormeço sobre a seda
Do seu corpo astral…
Sobre as sobras dos sonhos
Amanheço…
Procuro o espelho
Preciso do ópio
Dos seus olhos
Só por mais uma noite

A última…

Eu juro…Depois…
Depois …

Quebro o espelho…

(Raiblue)

_Peguei emprestado de um blog lindo… O da Raiblue. Como minha inspiração tirou férias de mim e logo logo vai viajar pra loooonge (e demoooora pra voltar), vou ficar por aqui com os rabiscos de outros poetas e amigos, que me confortam tanto o coração. :* muá muá


Tempestade de nós


Temos meteorologia, física e química próprias.
Somos iguais que se atraem (e se distraem!!).
Corpos soltos que se misturam e se contraem.
Corpos do tipo opostos, e sempre a postos!
Mistura homogênea, como bem disse a Palladino.
Desafiamos a gravidade, abusamos da força,
velocidade e aceleração nos corpos em interação.
Manipulamos o nosso tempo, fazemos clima.
Quase sempre é tempestade (de nós)
Se é pra esquentar, esquentamos.
Se queremos chover, chovemos.
Entramos em ebulição.
Só não secamos,
Ou esfriamos.
Isso não!

Pedro Camena =10/05/2008=


SUJEITO SEM JEITO

Com você é bom de qualquer jeito.
Até mesmo sem jeito – do jeito que você me deixa! -,
me beija e me acolhe, de todos os seus jeitos.
Você me envolve, abusando dos trejeitos,
e deixa tudo suspeito. Daquele mesmo jeito de que
“Não tem mais jeito, sujeito!”.

Pedro Camena =10/05/2008=


onze anos

De repente ele passou a notar a colega que sentava na cadeira do meio, três filas depois da dele. Não sabia por que, mas de repente o sorriso dela passou a parecer lindo. Nunca haviam conversado mais que três ou quatro frases, sempre em trabalhos de grupo que a professora passava, mas ainda assim sua voz era linda também.

Até os óculos que ela usava davam um ar gracioso à sua face. Reuniu toda a sua (falta) de coragem e pensou um plano: Ela vai me notar! E pensou em estratagemas (Flanquear o adversário é sempre melhor que um ataque frontal, já dizia Sun Tzu). Mudou de cadeira. Sentou ao seu lado. Estava sempre onde ela estava. No pátio do recreio, na fila do lanche. Consertou a postura (Peito pra fora, barriga pra dentro!). Por fim tomou uma atitude. Um bilhete, assim, simples, escrito: Eu gosto de você. Te amo. E assinou, colocou dentro do caderno dela.

No dia seguinte, algo de estranho no ar. As meninas cochichavam e olhavam de soslaio. Os caras, aqueles imbecis que só pensam em bater baba, riam. Ela sentou longe dele. Um silêncio ensurdecedor caiu entre eles na aula de matemática. No intervalo, com a voz inaudível, ele tentou chamá-la para conversar:

– …

Ela, entretanto, disse:

– Ó, não é por nada não, mas gosto de você só como amigo, tá, e não quero estragar a amizade.

E saiu, em direção à merenda, enquanto o rapazote, já novamente com o peito pra dentro e a barriga pra fora, depois de levar o primeiro dos inúmeros foras de sua vida, pensava consigo:

– Foda-se, Sun Tzu.

Edgard Freitas


inesquecível

Inesquecível, o sol naquela tarde,
A brisa balançava as águas iluminadas pela luz solar.
Dunas se formavam com a ajuda do vento.
O tempo passava, e cada vez mais o sol se escondia;
Mas a lembrança faz com que eu reviva o passado.

Ponho-me a olhar diretamente nos seus olhos;
Há outros planos para o dia seguinte;
Quando vier a hora certa, lhe avisará;
Nunca fui de abrir meus segredos para o mundo;
Assim como nunca deixei de te amar;
O espelho reflete seu amor por mim, eu sei.

de Daniel Santana para Brisa Dalilla