entojos


o incômodo de se incomodar

ando tendo problemas sérios de incômodo. durante a maior parte da minha vida eu tentei apenas me incomodar com o que me afetava diretamente. mas hoje eu me sinto tão incomodada com isso, que passei a me incomodar com a falta de incômodo com certas coisas. complicado, né?

o cerne da questão é que eu sei das coisas erradas que podem mudar/melhorar no mundo, na vida, no universo, nas pessoas etc, mas não sei o que posso fazer pra ajudar. a palavra não era bem ajudar, mas vocês entenderam. não sei mesmo o que fazer pra começar o processo de mudar essa relidade. e minha opção sempre foi de não fazer nada enquanto eu não soubesse realmente o que fazer.

isso dá mais incômodo ainda porque nada pior do que empurrar as coisas com a barriga, esperar pra ver se acontece algo, ficar de olho em sinais pra ver se surge algum insight. e nessa onda a gente continua levando a vida do jeito que ela quer nos levar.

aí vem outro e me diz que “o que não tem solução, solucionado está”. olha, meu caro, eu até acreditava nisso… mas –  PUTAQUEPARIU – se o problema existe é porque tem alguma solução, né? nós que não achamos ainda. nós que estamos cegos pras coisas. e eu já não enxergo bem mesmo… certeza que se a solução fosse um cheiro ou alguma coisa palpável eu já teria encontrado. maldita!

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eu sou diferente de vocês 1

eu vou atrás, corro, faço o que precisar, dou um jeito. eu não vejo empecilho na minha frente. não importa se tá chovendo canivete, com trânsito, sem grana, eu dou um jeito. é pra ficar horas num ônibus, gastar tubos com avião, se foder no caminho? não importa. e quando eu quero, quando alguém precisa, eu faço o que for. mas essa sou eu. e eu sou diferente de vocês. eu faria mesmo diferente. mas não posso esperar que ninguém faça como eu.

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porra nenhuma

você é um pândego, rapaz. acha que tudo na vida é brincadeira e que o pato nasce mesmo com dedo grudado pra fugir de casamento. acha que isso tudo pode ficar assim? solto, largado no mundo, pendente de um lado e grudado do outro… eu não sei bem definir o papel que tu tem nisso tudo, mas se tivesse que botar essa porra em uma palavra seria: cretino. é, cretinice é o que define essa relação linda loira japonesa e doida que nem o laerte de saias. mas sabe o que é foda, eu gosto disso. já bem disse aqui um bocado que curto esse padrão específico, né? ainda não fui na analista, mas ctz que ela vai me dar um diagnóstico parecido com esse mesmo: eu super curto o erro. não me ferrar em relacionamentos é de uma impossibilidade tamanha, que eu nem cogito ser diferente um dia. vaique essa é a regra da minha história, pra um dia eu escrever um livro contando esse monte de pataquada que eu vivo. falando sobre como todas as relações são cretinas, me enfurecem e eu, vadiazona, gosto. porque ser desse jeito pra mim é quase que uma bênção… ter um material fodido de confusões sentimentais pra escrever é massa. até a hora que eu achar que vai ser legal ser diferente. ou porra nenhuma, né?

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oi você. 5

você mesmo. que me olha e não me vê. que não enxerga e não me lê.

não me lê e não me entende.

você que deveria ser mais. você que costumava ser tudo e agora nada faz.

você por quem despedaço cada fio de aço de minha proteção.

você que não vê céus nem pisa no chão.

você que não me entende.

a quem me mostro e não me sente.

que não busca entender nem ver nem querer.

você, que mesmo de óculos não vê!

você. quem é mesmo você?

é quem é, até deixar de ser.

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~mto chatiado~

“ford estava cantarolando algo. era apenas uma nota, repetida em intervalos regulares. ele queria que alguém perguntasse o que estava cantarolando, mas ninguém perguntou. se alguém tivesse perguntado, teria respondido que estava repetindo várias vezes o início de uma canção de noel coward chamada ‘mad about the boy’. alguém diria, então, que estava cantando apenas uma nota, e ele responderia que, por motivos que lhe pareciam óbvios, estava omitindo a parte do ‘about de boy’. ficou muito chateado, já que ninguém lhe perguntou nada disso.”

a vida, o universo e tudo mais – douglas adams
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whatever 2

isso tudo poderia ser simples. poderia não me fazer tão abatida, tão fraca, tão suscetível. isso tudo poderia ser tão fácil. não precisaria ninguém sofrer, chorar ou ficar com a sensação de perda, de falta… isso tudo poderia ser tão mais vivo, vívido ou até mais vivido. poderia ser mais, simplesmente por ser, mesmo sem motivo aparente ou satisfação a dar para o mundo. poderia ser tão intenso, quanto os poucos momentos de luz fraca, sons inebriantes, lençóis novos e sensações indiscretas. isso poderia ser tão lindo, tão gostoso, tão sem palavras como as palavras que ninguém nunca consegue dizer. mas fica aqui o sentimento indigesto, a conversa travada, o dito pelo não dito. sobra uma tristeza estranha, uma indecisão tacanha e a vontade de fazer alguma coisa diferente pra que as coisas, então, sejam diferentes. resta a visão opaca de tantas lágrimas, o gosto amargo de não ter mais gosto algum e a certeza de que nenhuma certeza há de vingar.

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trivialidades randômicas e características estranhas do surto

quando a gente surta parece que, além de louca, fica cega, surda e sem entender um palmo de coisas embaixo do nariz. ohhh, that’s the truth. é o esquema de “a dor é minha mesmo, é enorme, é maior que a de todo mundo porque é minha (ora bolas!) e foda-se quem achar errado”. sim, acabei de descrever meus surtos. reconheceu? porque não é só de pollyanismo que vive a pessoa, né? e às vezes, mesmo com o otimismo todo que me acompanha, eu fraquejo, sinto o chão sair dos pés e surto (lindamente, loiramente e japonesamente). normalmente quem fica perto nesses surtos e não consegue segurar a barra ou não entende como é passar por isso, sofre até mais que eu. e pensem que os surtos de hoje são bem menores que os de antigamente. sinta o drama…

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eu gosto de ir embora, mas não gosto de me despedir 17

como assim, bial? vam lá. explico. eu detesto ser a que fica. sempre tive esse pavor. talvez por vir de uma cidade cretina micro mini, enfiada no cu do sul da bahia (alô terra do cacau, um beijo =*). o negócio mermo é que eu cresci vendo grandes talentos, parados e perdidos na cidade micro mini, sendo sugados pela preguiça e excesso de safadeza itabunenses e, finalmente, morrendo na praia (que nem praia é). tanta gente que eu imaginava “caramba, esse cara vai ser sucesso!” virando só mais um no meio da high society que sofre mais do que o povo desse tumblr, mesmo tendo todas as possibilidades e oportunidades de ser mais.

abre parêntese (óbvio que eu sei que, para existir as gentes que perseguem o sucesso e não param no meio do caminho, tem que existir as gentes que ficam. eu tô ligada que nem todas as pessoas que ficam, ficam por incompetência. cada um escolhe o que quer ser e onde quer ser e como quer ser, né não? o que me frustrava (e ainda frustra) era ver as poucas pessoas que eu apostava, ficando pra trás por medo de ser – mais, quem sabe? – feliz) fecha parêntese.

daí que eu comecei cedo essa coisa de ser meio andarilha e de não querer dar conversa pro paradeiro. foi uma sucessão de quebrar a cara e me fuder (not in a good way) por aê. mas no fim das contas eu acabei levando um monte de coisa boa dessas experiências. mas o que eu ainda não aprendi a gostar é da tal da despedida. certa vez eu fui morar em vitória da conquista (falo isso como se tivesse ido mil vezes morar lá, né? mai dexa queto, que esse é meu jeitinho peculiar de escrever [/xuxa]). daí que eu fiz uma mega despedida, brisa fest daqueles de parar a cidade e/ou mudar o rumo dos planetas do sistema solar e fui-me embora pra pasárgada.

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meu mundo gira em torno de você? oi? 20

~do começo sem começo até o fim sem fim.

cuido de você, meu bem, você cuida de mim~

kid abelha

eu sou cretina. quem me conhece sabe que eu amo usar essa palavra. apesar do significado usual dela ser ‘uma pessoa de pouca inteligência ou estúpida‘, meu ser cretina vai mais pro lado de ser uma pessoa que faz merda mesmo. ah, e o conceito é meu, pronto e acabou. se não gostou, vá inventar o seu. eu faço merda todos os dias. e sei que é cretinice. eu erro pra caralho. tomo na cara diversas vezes (viaje no sentido que quiser, catso!), mas no fim tento tirar algo de válido daquilo. porque é vida que segue, né? ficar parada chorando as pitangas, sentada no meio fio não vai adiantar de porra nenhuma. me quebrando e continuando. tudo manêro…

comecei esse texto mais pra ilustrar uma lembrança. já que me enxergo agora como há exatos 5 anos: no meio dum redemoinho de gente sem noção. eu – nativa de itabuna/baêa – lá pras épocas de 2005-2006, resolvi mudar de ares. novo trabalho, novas pessoas e turmas a conhecer. e me encantei de automático com uma turminha super alterna e gente boa, de ilhéus. muitas saídas, festinhas particulares, cachaças homéricas, papos descolados. eu tava na crista da onda. pô. quem conhece a galere de ilhéus sabe que eles são mega fechados. seletchividadche. que pra “entrar” no grupo, precisava quase de autorização oficial em três vias e reconhecida firma. mas bem, eu entrei pela porta lateral, entretida de amores por um dos principais elos da turma. e pronto, brisa feliz.

mas… passa tempo e passa tempo, o tempo passou, as relações mudaram e eu vi o outro lado da moeda.

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