entojos


meh [1]

uma das coisas que eu mais odeio em mim é essa coisa de ser boazinha. reajo a coisas que são incompatíveis com reações amenas, sendo polida, racional, justa… eu deveria estar quebrando copos, chutando o pau da barraca, xingando a mãe. mas não… eu entendo tudo, racionalizo tudo, compreendo tudo. toda boazinha. e cretina. o quanto isso é bom ou ruim eu nem consigo analisar direito, porque a vista turva não deixa. mas vai passar: é o que você sabe quando acontece uma coisa dessas. é o que fica martelando na sua cabeça há horas, junto com a dor de ter (aparentemente) falhado miseravelmente. :}

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não sei mais escrever 1

definitivamente eu consegui desaprender a escrever. acho que agora está acontecendo o que eu mais tinha medo… eu já não sei mais falar. desaprendi a me expressar. não consigo coordenar frase alguma sem me embolar toda e falar tudo ao contrário, ou sem cair no choro (e querer me enfiar num buraco no chão). agora eu não sei mais escrever. pronto, satisfeito? aí você pergunta “porra, mô véi… comé que não sabe mais se tá aqui escrevendo, sua cretina louca?”. é que eu não sei mais usar metáforas. isso é o ápice de perder a mão na escrita. não sei mais enfiar dentro de frases, palavras e sílabas o viés do meu pensamento. perdi a arte de escrever para que só eu entendesse. perdi a propriedade de falar de coisas que pra mim eram simples. não que o ato de escrever seja igual a esconder ou apenas dizer baboseiras, cara pálida. mas nem tudo que eu digo, quero que seja compreendido de fato. ou que seja sério. e olha, eu sabia fazer isso tudo, meu caro. eu sabia fazer poesia como ninguém. eu sabia até recitar! sabia misturar realidade e ficção em cada conto meloso e crônica dolorosa posta no papel. sabia ser como todo escritor de fato é: mentiroso, arteiro, construidor de castelos de palavras. eu acho que no fundo isso tudo é culpa de lula. é, o nosso amado lulinha paz e amor, ex-presidente desse brasil varonil. ele conseguiu a façanha de me fez odiar metáforas. me fez sacanear todas as analogias que eu ouvia, como mais ninguém conseguiu. e aí que eu perdi a mão (da mesma forma que perco o viço de tempos em tempos). pronto, acho que é bem isso. meu texto reflete meu momento e esse é meu momento. não sei falar, não sei escrever e não sei de mais porra nenhuma nesse caralho desse cu. e se você não está acostumado com os palavrões, não se assuste. talvez eles tenham sido a única coisa que permaneceu. até quando, né? nobody knows. então vão curtir a sexta-feira de vocês, que – se você está lendo isso agora, pessoinha manêra do meu coração mole – você é um desocupado ou um foreveralone da vida. e se não sei mais escrever, você não devia me ler. então se plante e vá arranjar o que fazer, meu filho. tchau e bença (e em bom baianês, que é pra não perder o costume).

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eu superestimo pessoas

precisava não precisar de nada
não precisar de nada
não esperar nada
de nada mais
nunca. nada

queria não querer nada
não querer nada
nem sonhar nada
de nada mais
nunca. nada

e no fim não sentir mais nada
enfim não sentir nada
não esperar nada
de nada mais
nunca. nada

nada mais.

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cucucucucucucucucucucucucucu 6

eu poderia repetir cu quantas vezes fosse possível e ainda assim não conseguiria traduzir o quanto esta caralha desalmada desse dia está um CU. e era pra ser um dia maravilhoso. acordei bonita (mulheres me entenderão). o show da amy wino tá ali, lindo, loiro, japonês, nas bocas, pertinho, há pouquíssississimas horas de distância, mas eu só consigo pensar em desligar o dia. rebobinar a fita. voltar no tempo e tal e pá.

pra começar, acordei umas 452 mil vezes de madrugada, ensopada de suor (alô 40º do inferno!) e toda picada de muriçocas (é… é… é… esses seres vampíricos que me perseguem). como sempre, minhas duas opções eram: 1 – dormir de janela fechada, evitar as picadas (ma oe) e MORRER DE CALOR; 2 – dormir de janela aberta e ser toda picada (me sentindo num filme pornô, só que ao contrário) e não transformar meu quarto em sauna. mas fudeu tudo, dormi de janela aberta, o ventilador não deu conta e eu morri das duas coisas. PRONTO. boa forma de ser começar o dia. não dormindo.

(more…)

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ao querer

“desejaria coisa alguma no lugar da quietude. que me preencham ventos e horas que passam, e que ao mesmo tempo me esvaziem deste cheio confuso e irreal. não sou esta que estranha os caminhos, que não sabe aonde ir e que enfrenta com frouxidão estar só – e perde. não sou eu de palavras tão puramente tristes, de encontros tão puramente superficiais, de imagens tão puramente espelhadas. não sou eu o que mostro ser, só não sei eu, aonde fui.”

via

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constatações sobre constatações 1

as coisas nunca acabam.
amores são amores enquanto eternos, não infinitos.
situações chatas são facilmente contornadas quando precedem uma boa noite de sexo.
homens são tão complicados quanto mulheres, depende do referencial.
– 70% das pessoas que se dizem felizes, são miseráveis.
– 70% das pessoas que se dizem miseráveis, são ricas e infelizes.
– 70% das pessoas que são felizes, não dizem nada.
– 70% é um bom número aleatório quando você não fez a pesquisa propriamente dita.
o tempo cura o que tem de curar.
feridas não curadas são como portas abertas, cheias de olhos a espiar.
compatibilidade musical condiz com 90% de um relacionamento.
e sexo é uma intersecção entre todas as outras variáveis (não há como medir em porcentagem, mesmo que aleatória e apressada).
– beleza física é importante quando não há nada mais a considerar.
– sexo de qualidade e carinho estão intimamente ligados, mesmo que você não queira (ou espere que estejam).
– a vida é bela e as pessoas são legais.
– se você não acreditar na premissa acima, pode começar a se estressar constantemente pelo resto de seus dias.
todos os momentos são únicos e merecem ser vividos como tal (amores, dores, alegrias, ressentimentos, etc).
as coisas nunca acabam e, olha, nem as conjecturas sobre conjecturas deveriam acabar.

textos como esse merecem ser lidos, repetidos, imprimidos e levados na carteira, para que todo dia você possa se deparar com sua próprias verdades, fixá-las, aprendê-las e ser quem você é, doa a quem doer. inclusive você.

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tinto. 1

era difícil respirar naquele espaço ínfimo. ainda mais sendo o espaço ínfimo dentro de si mesma. era escuro e nefasto, como os sonhos/pesadelos que embalavam a noite. mas ele era sutil e silencioso. chegava bem manso, bem lento, rastejando como animal em caça ao encontro dos seus sentidos. e era belo e alvo, calmo e desvairado. era a personificação da fome de sentidos desconexos e impactantes naquele mesmo espaço ínfimo dentro de si. “mas a fome era maior que a alvura e uma lembrança me atingiu como um cheiro.”*

um cheiro tinto. em vermelho denso. mas ainda assim um cheiro.

 

*trecho de por esquecimento – samarone lima.

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let me be breeze 5

Pra ler ouvindo: http://goo.gl/7K4J

E aí que você se apaixona por uma coisa não palpável. Uma brisa bem suave numa tarde quente de domingo. Você sente profundamente a impressão em seu rosto. Você quer ter aquilo para si, aquela sensação diferente, todo o tempo, todo minuto, todo segundo, por toda a vida. Mas eu te pergunto: você consegue prender uma brisa suave em suas mãos? Diga-me sinceramente, do ponto de vista biológico, físico, químico da coisa. Consegue isso? Não… Claro que não. Você sente a brisa, você se delicia com o vento e a sensação de frescor que ela lhe proporciona. Você pede que na tarde de calor de segunda-feira a mesma brisa venha lhe trazer as mesmas sensações. Você divide a brisa com seu mundo, com outras pessoas, outros lugares, outros tempos, outros momentos. Divide o calor que está sentindo e ao mesmo tempo em que ela vem aplacá-lo, você quer que volte a fazer o mesmo calor (ou pior, até), para que ela volte e volte e volte. Recorrentemente. Construa um forte, uma sala fechada, isolada de tudo e prenda a brisa. Vamos lá, quero ver… Quero ver você prendê-la mesmo. Ou então – se não conseguir – faça com que ela entre pela porta e fique rodando, fechada, silenciosa, sutil, tentando aplacar um calor inexistente. Você pode fazer isso? Diga-me, do fundo da sua alma, você pode? Pode ser que crie uma forma mecânica de fazer com que ela continue a soprar. Mas não é isso que você quer, não é? Você quer a mesma combinação estranha de frescor, força e suavidade. Você quer a sutileza e dança confusa da brisa de verdade. Você, no fundo, quer tudo que poderia sentir se a brisa estivesse livre. Sendo o que deve ser e o que foi criada para ser. Ora uma rajada suave. Ora tufão em agitação contínua. Ora um vento fraco e agradável. Brisa. Apenas brisa.

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A lagarta 2

Eu não quero mais olhar pra trás e ver que deixei tantas partes de mim perdidas no caminho. Ando buscando entre recortes e arquivos antigos, cada pedaço esquecido, cada sonho adiado, cada passo mal dado. Sei que não posso refazer tudo, remontar cada chance deixada de lado. É impossível. Mas é possível voltar a ter uma postura diferente. Voltar a ser menos Brisa, mais Dalilla, não sei. Não sei bem se é por aí. Mas a vontade de me retomar, de me refazer, de renascer está tão latente em mim que às vezes penso que vou explodir de vontade. E desde quando eu sou pessoa de passar vontade, né? Quem me conhece sabe… Quem me lê também sabe. Nunca fui. Sempre consegui me definir como “uma pessoa movida por vontade”. Me arrepia só de pensar que posso estar me perdendo dentro de mim mesma. Camuflando minha verdade para assumir a verdade mais conveniente… Mais fácil. Eu nunca tive nada fácil e nunca fui uma pessoa fácil. Sou formada em “Fundo do Poço”, pós graduada em “Achar a Mola” e mestre em “Renascer das Cinzas”. Não posso me deixar reprovar justamente nas coisas que mais passei e aprendi na vida. Então esse é o ponto chave: retomada. Cada um que me lê aqui vai entender de uma forma. Uns vão pensar que eu vou pegar minha mochila e sair no mundo sozinha, outros que eu vou buscar uma nova área pra trabalhar. O certo é que pouquíssimas pessoas sabem o processo que opera neste momento dentro de mim. E pense que talvez, apenas talvez, você não seja uma delas.

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