#poesias


quem é você?

eu sou o vento da tarde 
o sentimento misto de medo e liberdade 
que se sente na beira do precipício 
antes de pular

eu sou o que mal começou
mas já vai acabar
porque se só o presente existe
ele acabou de passar

eu sou a saudade do mar
sou a força da terra que nunca vai me deixar
sou a junção de loucura, raiva, dor
e também um tantinho de amor


segura

segura, que este tempo será recompensado logo mais

segura, porque tudo há de ser vivido com o que a vida lhe traz

segura, que a luz que aqui te cega lá vai te iluminar

segura, que todo navegador – por mais perdido que esteja – tem certeza de onde quer chegar

segura, que quando estivermos do outro lado, tudo aqui serão só lembranças

de um tempo em que a esperança era a bóia que restava para segurar.


vadia 1

minha poesia é uma puta ruim
some no mundo sem dar uma mísera satisfação
e quando volta, se volta, quer ocupar seu lugar de “direito” como se nada tivesse acontecido.

vadia.


acordes da urgência 1

teu beijo às vezes é ânsia,e a vontade é uma constância.
teu beijo provocativo é forte,
mesmo assim, não é querer de morte…
nunca foi desejo finalizado,
nem nada tão arquitetado.teu beijo sôfrego,
quando quente, derrete na minha boca.
teu beijo urgente,
só funciona para a minha exagerada falta de urgência.
e acaba por combinar com o meu,
independente de como meu beijo for…

mas estar preso na minha magia,
é ter que crer na fantasia
de se ter um ao outro,
mesmo assim ser livre, leve e solto.
é estar amarrado pela força do beijo,
pela união da urgência ao desejo,
mesmo sendo duas almas em estágios distintos.

diferença nem sempre é incongruência,
mas a inconstância faz parte de mim.
vou e volto, como quero e quando quero,
espero sempre ser assim.
e quero que aprenda comigo,
pois muito tenho a lhe ensinar,
como descobrir os acordes certos,
quando a melodia gêmea chegar.
e saber que mesmo em tons diferentes,
a música toca em qualquer lugar.

brisa dalilla =06/06=



oi você. 5

você mesmo. que me olha e não me vê. que não enxerga e não me lê.

não me lê e não me entende.

você que deveria ser mais. você que costumava ser tudo e agora nada faz.

você por quem despedaço cada fio de aço de minha proteção.

você que não vê céus nem pisa no chão.

você que não me entende.

a quem me mostro e não me sente.

que não busca entender nem ver nem querer.

você, que mesmo de óculos não vê!

você. quem é mesmo você?

é quem é, até deixar de ser.


eu quero

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eu quero brincar de querer você. brincar de fingir te ter, tocar, tecer. brincar de sonhar me emaranhar em teus cabelos e desejos. e brincar de poder ser seu desejo.

quero brincar de tentar te fazer sorrir, e sorrindo, brincar de poder te olhar dormindo. e nessa brincadeira de tanto querer, transformar o sonho em realidade, a cama em nossa verdade e meu desejo em seu prazer.


todos ao vento 4

a palavra é o que une e o que separa…
é preciso saber sentir. saber pensar.
saber falar. saber calar.
essa é a ciranda de roda que me embala.
que cala a fala.
que confunde a mente
em tudo que se pensa e/ou sente.

o que é pensado e sentido
logo remete à emoção.
a confusão desastrada
que ultrapassa o simples limite da razão.
via de mão dupla, onde não se sabe
por qual caminho trilhar.
o falar ou o calar…
o sentir ou o pensar…

ah! que venham todos!
venham me desafiar!
fazer infringir minhas próprias regras.
mudar conceitos, transformar.
pois eu sou a reencarnação do caos.
a palavra de ordem fora da ordem.
o pensamento solto, sem rédeas.
a idéia que ainda não surgiu.
o sentimento perdido.
o saber desconhecido…

que venham todos!
todos ao vento, que eu sou BRISA.

pedro camena e brisa dalilla =05/05/2008=


vice-versa 4

não me olhe…
me devore,
me toque
e
me molhe.

sinta-me quente,
interna
e   d e m o r a d a m e n t e.

vontade pungente,
indecente,
além do momento
presente.

me receba
e
me escreva.
reproduza meu sexo
em texto desconexo
com seu dedo gentil.

e no ardil
que se mostra,
através do desejo
dito sem portas,
escancare as nossas!
fujamos do trivial!
estrapolemos nosso normal!
traduzamos nosso querer
em poder
de mim pra você
(e vice versa, como queira fazer).

entreveja nos meus sons
o furor,
que mistura nosso tons.
complete-me com teu gosto
esteja disposto
tranforme o oposto
rasgue meu rosto
enquanto eu
aqui, estupefata, me contorço
de vontade.

e recomeço
o conto
que conta o ponto
que fecha a realidade,
que nada mais é
que a verdade.

(não me olhe…
me devore,
me toque
e
me molhe…)

Brisa Dalilla


SENSAÇÕES 4

Cheiro.
Cheiro do sexo no dedo.
Cheiro do desejo na ponta do dedo.
Cheiro do cheiro.
Da pele que se repele.
Da pele, que se revele!
Do gosto, do cheiro, da pele.

Gosto.
Gosto do sexo na língua.
Gosto do desejo na ponta da língua.
Gosto do gosto.
De gosto que se gosta.
De gosto que se mostra!
Do sexo, do gosto, do cheiro, da pele.

Sexo.
Sexo no dedo. Sexo na língua.
Sexo na ponta do dedo.
Sexo na ponta da língua.
Sexo do sexo.
Da vontade que se repele (vontade da vontade).
Do desejo, que se revele (desejo que te invade)!
Do sexo que se mostra lúcido na ponta da língua e do dedo.

Cheiro, gosto, vontade, desejo.
Sem medo…

Brisa Dalilla =27/11/07=


boba 1

e daí que me veio aquele sorriso bobo nos lábios…

ainda agorinha. sem esperar.

e já que vivo de viver e vivo de lembrar,

depois de passar metade do dia vivendo sem quase respirar,

agora paro e respiro para poder lembrar.

e a única coisa que posso sobre isso dizer

é que nem poderia ter coisa mais clichê

do que esse negócio bobo de sentir saudades de você.

 

brisa dalilla 11/07/2011


lá do alto 2

lá do alto ela só conseguia sorrir de leve, por trás do nervosismo. era tudo plano. era tudo novo. era tudo azul manteiga derretendo em nuvens brancas e fofinhas. “algodão doce” – ela sussurrava. a vida tinha consistência de algodão doce e gosto da bala 7 belo que rodava de um canto a outro de sua boca. hmmm… dava até pra acalmar a ânsia… dava até para diminuir o frio na barriga. dava até pra olhar o céu através da janelinha e chamar aquilo de VIDA!

brisa dalilla =05/06/2010=
durante a viagem para hellcife


RIP 1

o retrato se mostra calado
esperando o tempo passar,
e meu gosto, aqui, não provado
querendo a fome matar.
na chuva e na bossa
o medo faz troça
com o desejo,
e o o que não vejo
é o mundo em segredo
escondido de todos e de si mesmo.
prevendo o enredo
que agora entendo
e mostro ao solene papel,
me perdi na rima
que se jogou de cima
do 14º andar
só porque cansou de esperar.

brisa dalilla =13/06/2010=


papa don’t preach 1

minhas cicatrizes são mapas
meu erros, escadas
para alguma tranformação
que não sei onde vai começar
ou terminar

minhas dores são besteiras
as crises, passageiras
para algum objetivo infantil
que não sei porque acontece
ou se esquece

minhas lágrimas são preces
as poesias, exegeses
para algum livro esquecido na estante
que não sei se vai ser pedra
ou diamante

minhas horas são dedos mínimos
os pecados, infindos
para alguma tristeza inesgotável
que não se sabe desnecessária
ou inevitável

Brisa Dalilla =27/10/2008=


TUFÃO 1


Começo por onde devo.
Me apego.
Não me nego!
Me entrego
E aceito.

Envolvo.
Comovo.
Com meu entojo
E minha alma transtornada.

Viro pulsação pura.
Rasgo a roupa!
Te [e me] sinto. Chego ao êxtase.
Gozo até a última gota…

Amo, estremeço
E entorpeço.
Aí pronto, acabou?
Não… Isso não acaba,
Não finaliza!
Até que o
tufão em meu corpo
Finalmente vire
brisa

Brisa Dalilla =07/09/2008=


difícil 2

difícil tentar dizer, quando não há nada a ser dito
difícil acreditar no que não está escrito
difícil ver as coisas com olhos crédulos

difícil acreditar nas pessoas que amamos
difícil se desfazer de histórias passadas
difícil tentar ser a perfeita namorada

difícil passar por cima de tudo
difícil ter calma, com o coração doendo
difícil tentar se fazer confiar a todo instante

difícil ser tudo que sou
difícil não aprender com meus erros
difícil ter de esconder tanto medo

[…]

difícil é deixar de enxergar tudo difícil…

Brisa Dalilla