randomicidades


wrong

começou o dia querendo existir fora dali. fora daquele espaço ínfimo e também fora de você. pensava ter conseguido, mas o passado recente insistia em martelar bem de mansinho na sua cabeça. queria fugir das possibilidades que não eram mais possibilidades. escapar da maldição do “e se”… nossa, como ela detestava o “e se”. mas você continuava grudado em todo pensamento que surgia. junto com o “e se”. e, bem… não dava pra fugir. não assim. pelo menos ainda não. enquanto ela não percebesse tudo que estava por trás daquela atitude final, nada acabaria. e realmente foi aquele não disfarçado de “vou ali e já volto” já que mudou tudo. que fez com que ela trançasse os próprios pés e caísse bem ali. naquele mesmo lugar de onde ela, rodeada de palavras soltas infernizando seu dia, tentava lembrar da última vez que havia sentido algo daquela forma. no fim das contas, concordo que ela gosta mesmo é de sofrer. até porque quando dói é muito mais bonito…

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whatever 2

isso tudo poderia ser simples. poderia não me fazer tão abatida, tão fraca, tão suscetível. isso tudo poderia ser tão fácil. não precisaria ninguém sofrer, chorar ou ficar com a sensação de perda, de falta… isso tudo poderia ser tão mais vivo, vívido ou até mais vivido. poderia ser mais, simplesmente por ser, mesmo sem motivo aparente ou satisfação a dar para o mundo. poderia ser tão intenso, quanto os poucos momentos de luz fraca, sons inebriantes, lençóis novos e sensações indiscretas. isso poderia ser tão lindo, tão gostoso, tão sem palavras como as palavras que ninguém nunca consegue dizer. mas fica aqui o sentimento indigesto, a conversa travada, o dito pelo não dito. sobra uma tristeza estranha, uma indecisão tacanha e a vontade de fazer alguma coisa diferente pra que as coisas, então, sejam diferentes. resta a visão opaca de tantas lágrimas, o gosto amargo de não ter mais gosto algum e a certeza de que nenhuma certeza há de vingar.

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perigo 3

o tempo nada faz para impedir que se crie na minha mente esperanças de novidades, de mudanças, de acordos diferentes com a vida. penso que se pudesse saltar profundamente sobre todos os planos de não ter planos, tudo seria mais fácil e palpável. o fato de que eu queira não querer algo, quer dizer que não vai acontecer? au contraire. acontece. o querer vem ainda maior. entra e invade tudo que não deveria, não poderia, não bastaria. acaba por trazer a meu mundo possibilidades infinitas, inspirações loucas, vontades excusas. acaba por fazer crescer o desejo de que o desejo não arrefeça nem por um segundo sequer. aí que entendo que sou movida por isso. por todas essas vontade óbvias, que naturalmente vem e vão em um espaço curto de tempo. deu vontade? sigo sentindo. passou? vamos ao próximo desejo. viver controlando as tantas faces de minhas vontades é que é perigoso. perigo é não sentir, não fazer, não viver. perigo é se ver um dia parada no meio de seus próprios sentimentos não sentidos. perigo é deixar de entender como o sentir é belo e gostoso de ser vivido.
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eu quero ser um cheiro 7

nem todas as coisas que vem na cabeça devem ser postas pra fora. nem todas as nossas esperanças se tornam realidade. nem toda realidade pode me convencer a não ser quem sou de verdade. nem todo tempo deve ser passado sozinha. e nem todo espaço deve ser reservado para outras pessoas. porque tudo que você tem no final, é a si mesmo. porque mesmo que todo companheirismo do mundo e toda amizade do universo estejam aí, disponíveis para consumo, ser um pouco sozinho é primordial. porque há um quê de filme nesse negócio de ser solitário, de ler um livro sozinho na praça, de ir ao cinema ver um filme que você quer independente da vontade de outrem, de comer aquele prato maravilhoso do seu restaurante preferido ouvindo uma música deliciosa no player e simplesmente ser feliz. enquanto escrevo essas linhas, curto a madrugada solitária mais fantástica de todos os tempos. porque não importa a cólica, não importa o calor, não importa o sono que vou sentir amanhã, importa que eu decidi curtir essa madrugada, viver minha solidão de forma bem vivida. que nem quando te falam “se cuida” e você diz “tô me cuidando” e no fim, para os padrões de quem mandou se cuidar, você está totalmente descuidado. ó… tô me cuidando pra ser cada vez menos complacente com essa rotina estúpida de parecer ser algo ou de ter que provar qualquer coisa. eu simplesmente sou. e sou fruto de escolhas tão loucas e sem sentido, que penso: pra quê fazer sentido? é tão mais simples e surpreendente apenas seguir “sendo”. não planejando exatamente cada passo a ser dado. eu não tenho planos, tenho desejos. desejo ter uma casa minha, pra guardar minhas loucuras e pedaços nela. desejo ter uma estante enorme, com todos meus livros e diários  (des)arrumados meticulosamente, pra num futuro pouco distante deixar um material manêro pra quem quiser me conhecer de verdade. desejos fazer mais tatuagens. desejo comer ao menos um temaki por semana. desejo dançar descordenada em alguma pista por aí sempre que possível. desejo desabar e chorar quando for necessário. desejo amar e amar quantas vezes forem precisas e necessárias, até que eu saiba definir cada tipo de amor. desejo fazer, escolher e mudar meus caminhos sempre que quiser e puder. desejo inclinar todos os planos do mundo e jogá-los despenhadeiro abaixo, para que eles voem. para que eles saibam o que é se jogar de algo, e flutuar, e cair, e se machucar, e levantar e sorrir. e desejo ser parte de tudo que se vive, se sente e no fim das contas desaparece, some do plano real das coisas e vai morar no pensamento, na lembrança e, porque não, no cheiro. acho que finalmente descobri o que quero ser quando deixar de ser: um cheiro…
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sobre cheiros, gostos e saudades 6

talvez por nunca ter tido uma visão muito apurada e não levar o tato tão a sério assim (fora das quatro paredes ou dum reco reco cotidiano em algum beco obscuro das augusta da vida), eu tenha ficado viciada em cheiros e gostos. pronto. esses são meus sentidos válidos de lembrança e acabou. e porque caixas d’água você foi pensar e querer escrever sobre isso agora, brisa dalilla etecétera? então…

tava eu linda, ruiva e brasileira no posto esses dias, comprando minhas humildes três long necks de cerveja – pra curtir minha noite by myself manêra – quando visualizei um pequeno pacotinho de halls uva verde. nada a ver pra vocês, né? mas deixa eu contar outra coisa aí eu volto e explico o babado. aí quando chego no caixa, tinha um rapaz muito bem apessoado usando aquele perfume cretino (que eu adoro, mas finjo odiar) chamado malbec. o boticário eu sei, faz nem medo… mas tem razão de ser essa relação amor/ódio. RAZÃOZONA da disgrama, aliás.

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primeira vez, fode. 6

a primeira vez que você fode alguma coisa é marcante. porque lembrar que te foderam é normalzinho, comum, geração capricho, blá. mas lembrar que você teve a mão sexual e fodeu a situação, coisa, trabalho, pessoa, amizade ou relacionamento, dói. para los carahleos. porque é muito fácil ser quem tá do lado fodido… você sofre e tal e pá. mas foi o outro lado que te fez mal. você tem tudo a seu favor. as pessoas te apóiam, a sociedade te apóia, ninguém te chama de sacana, filhodumaputa e sem vergonha. ninguém te rechaça e deixa de te chamar pra tomar aquele sorvete de fim de tarde. ou aquela cachaça de fim de semana. apenas o lado fodedor sofre a retaliação toda. e você lá, fica pagando de boa pessoa, que não fez nada de errado, só sofre. que peninha bozolina. ah… te fudê. quando você é o lado que fez a merda, você fica marcado para todo sempre. porque, mesmo que você tenha feito a merda sem intenção (“pô, sem querer, desculpaê, foi mau, nunca mais faço isso!”), já te consideram a escória da humanidade. é como se nada de bom do que você tivesse feito na vida, importasse mais. foi uma irmã dulce na vida e sem querer pisou numa formiga = assassina. e porque eu tô falando tudo isso? primeiro porque eu já estive muitas vezes nesse lado de quem fode. e em todas as vezes sofri pra caralho, porque mais difícil do que ter que pedir perdão é ter que pedir perdão pra pessoas que, aparentemente, estão pouco se fodendo pra você. e que te ignoram. e que deixam pra lá. e que calam. e que não falam nem pra dizer um “cale a boca, porra! fique no seu canto…”. e eu, com minha mão sexual, fiz nesses últimos tempos o que não concordo. calei e deixei pra lá, por pura falta de paciência de conversar ou entender. primeiro porque tinha ficado exausta com quintilhões de situações bosta que estavam acontecendo. e quando isso acontece, me fecho. mas não sei se quero ficar nessa posição de fodida (não visualizem). e, infinitamente maior do que a minha vontade de aprender a pedir perdão, é minha vontade de aprender a aceitar perdão. e sei lá. vou dar enter nessa porra sem saber mesmo o que escrevi. não que seja tão diferente do que escrevo normalmente nessa budega. espero que quando eu pare pra ler isso de novo, calhe de me fazer pensar e quem sabe tentar mudar de atitude. e acredito que isso vale para mais umas pessoas que vão ler issaquê. abs.

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eu gosto de ir embora, mas não gosto de me despedir 17

como assim, bial? vam lá. explico. eu detesto ser a que fica. sempre tive esse pavor. talvez por vir de uma cidade cretina micro mini, enfiada no cu do sul da bahia (alô terra do cacau, um beijo =*). o negócio mermo é que eu cresci vendo grandes talentos, parados e perdidos na cidade micro mini, sendo sugados pela preguiça e excesso de safadeza itabunenses e, finalmente, morrendo na praia (que nem praia é). tanta gente que eu imaginava “caramba, esse cara vai ser sucesso!” virando só mais um no meio da high society que sofre mais do que o povo desse tumblr, mesmo tendo todas as possibilidades e oportunidades de ser mais.

abre parêntese (óbvio que eu sei que, para existir as gentes que perseguem o sucesso e não param no meio do caminho, tem que existir as gentes que ficam. eu tô ligada que nem todas as pessoas que ficam, ficam por incompetência. cada um escolhe o que quer ser e onde quer ser e como quer ser, né não? o que me frustrava (e ainda frustra) era ver as poucas pessoas que eu apostava, ficando pra trás por medo de ser – mais, quem sabe? – feliz) fecha parêntese.

daí que eu comecei cedo essa coisa de ser meio andarilha e de não querer dar conversa pro paradeiro. foi uma sucessão de quebrar a cara e me fuder (not in a good way) por aê. mas no fim das contas eu acabei levando um monte de coisa boa dessas experiências. mas o que eu ainda não aprendi a gostar é da tal da despedida. certa vez eu fui morar em vitória da conquista (falo isso como se tivesse ido mil vezes morar lá, né? mai dexa queto, que esse é meu jeitinho peculiar de escrever [/xuxa]). daí que eu fiz uma mega despedida, brisa fest daqueles de parar a cidade e/ou mudar o rumo dos planetas do sistema solar e fui-me embora pra pasárgada.

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recife, would you be my valentine? 10

amigos baianos perguntaram “ô véi, que porra você tá fazendo em recife?”. tem gente que ainda nem sabe que há exatos 254 dias eu saí de mala e cuida da bahia e vim parar no calor mais cretino de pernambuco. acham que eu tô lá na bahia, escondida. bem, respondendo à pergunta dos amigos, há uns 6 meses atrás eu diria “vim a trabalho, tô conhecendo as coisas daqui, descobrindo a cidade, as pessoas e curtindo tudo.”; há uns 3 meses eu diria “tô passando um perrengue danado, mermããão. meio perdida das ideias mas segurando a barra como dá.”; hoje eu (fora do momento entojo de ser) digo: “quero sair daqui não, fasfavor… com perrengue ou sem perrengue: RECIFE TE AMO <3”.

“mas mô véi… a bahia não é o melhor lugar do mundo? o que tu quer fazer em recife?”. veja bem, cara pálida. ser baiano é massa quando você tá fora da bahia (pelo menos na minha visão das coisas). é muito – mas muito mais mesmo – interessante dizer que é da terra do acarajé, fazer piadas com a tradicional preguiça da minha terra e mostrar a pimenta (alô alô!) que a gente tem, estando fora da bahia. como diz o querido colega de profissão e conterrâneo, nizan guanaes “lá todo mundo é baiano, né?”. o negócio é esse… de onde eu venho não tem tempo ruim, a gente dá jeito em tudo e o sambarilove é de fábrica.

“mas e aí, como é estar na terra do frevo? o que você ganhou até agora?”.

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