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VERDADES-MENTIRAS II

Eu escrevo para que você veja
Minhas verdades-mentiras,
Escancaradas como meu jeito rude.
Porque a tal verdade-mentira
Vai me ferindo,
Lenta e dolorosamente.
E o dia que conseguir livrar-me dela,
Será um dia de redenção!
E ela não machucará mais a mim,
Mas sim a outro coração burro,
Outra mente desgovernada,
Outro corpo usado,
Outra pessoa inconseqüente,
Ou algo mais parecido com gente…

Brisa Dalilla =10/10/05=


VERDADES-MENTIRAS

Espero verdades
Que vêm em forma de mentiras.
Que me ferem sem dó nem piedade
E me obrigam a passar a mentir.
Então eu finjo acreditar
Nas tais verdades-mentiras,
Só pra agradar tua vontade…

Brisa Dalilla =06/10/05=


LIVRES

Você não vai direto ao assunto
E não vem com calma
Na hora de me conquistar.
Você é meio teimoso,
Um misto de determinado e manhoso,
Não era nada do que podia esperar.
Você acredita no que deseja,
Monta, arquiteta e planeja
Antes de se decidir.
Lembra-me uma locomotiva grande e lenta,
Que anda devagar, mas impõe força,
Sem sair dos trilhos uma vez sequer.
[Mas não sei se tenho a força de te segurar!]
Ah, meu falso sonhador!
Teu ceticismo me deixa insegura,
Pois você não acredita em mm.
No meu abraço, no meu afago,
Ou no meu amor…
Minha salvação é saber que,
Apesar de duvidar de mim,
Nunca vai me esquecer!
Ou esquecer nossa música,
Ou nosso primeiro beijo,
Ou nosso primeiro amor.
Dou-te este beijo de despedida,
Pois não sei se vou voltar.
E não há mais com o que se preocupar.
Agora estamos livres,
Pra ficar aqui ou para voar…

Brisa Dalilla =31/08/05=


VOCÊ

Você chega sem saber meus segredos.
Faz medo!
E teu excesso de malícia me faz sentir esse medo gostoso.
Um estranho frio na barriga que entorpece o corpo.

Você chega com essa cara lavada,
De homem decidido.
Com fome, com ânsia…
Exalando libido!

Você chega com uma sutileza inconfundível,
Que nos fim das contas só me confunde mais!
Deixando-me tão à vontade para ser quem sou
E ao mesmo tempo me inibindo de ser só sua.

Você chega pra me mostrar
Que não era nada do que eu havia planejado!
Mas talvez por isso seja o que me faltava.
O avesso da minha máscara…

Você chega para me fazer te odiar,
Por conseguir me fazer de boba tantas vezes sem que eu perceba.
Ou por me fazer de boba, e mesmo percebendo,
Eu te dar uma sétima chance.

Você chega pra mim
Do mesmo jeito que chegaria para outra.
Ma não me importa,
Eu não ligo.

Você chega meio incomum.
Diferente desse, deste ou daquele.
E me olha de um jeito que só você consegue,
E me olha de um jeito que você nem percebe.

Você chega afundando as mãos em mim.
Segurando com força para que eu não fuja,
Pois sabe que eu tenho mania de fugir,
E sabe que é difícil me segurar.

Você chega para me revelar,
E mostrar coisas que eu não conheço.
E mostrar coisas que eu não sinto.
E mostrar coisas que eu não vejo.

Você chega para me completar,
Pra me acompanhar.
E mesmo assim consegue me deixar tão vazia.
Tão segura e ao mesmo tempo tão sozinha.

Você chega do mesmo jeito que vai.
Você me afaga, me beija, me atrai,
E simplesmente sai da minha vida!
Deixando-me sozinha no mesmo ponto de partida.

Brisa Dalilla =2005=


Brisinha Serelepe

Olha só a ambigüidade dos seus cabelos
Um paradoxo que causa tremor
Anjo nos cachos
Perverso na cor

Menininha séria,
Mulher que não cresceu,
Que lugar tão distante é esse que vai
Quando se esconde nos seus pensamentos?

Ah! Responde também
Onde achou o tom que cobre tua pele
Esse branco lhe cai tão bem!

Pra cada dia tem um nome,
Se quer um ar de Lolita,
Porque não Dalilla?

Ela quando chega avisa
Às vezes deixa que a vida a leve
Como papel na ventania
Às vezes ela leva a vida sendo o próprio vento,
Sendo a própria Brisa.

Milena Palladino (2006)

*Brigada Mi!
Te amo!


EU PODERIA

Eu poderia escrever aqui uma poesia minha.
Seja pra lhe deixar intrigado, desarmado,
Ou apaixonado.

Ah! Eu sei o que poderia!

Poderia recitar um canto
E te deixar preso num espanto – louco – ao ouvir
Minha forma descrente e incongruente
De fazer meus versos, retrocessos e sons.

Eu poderia fazer um texto diferente:
sem ponto nem traço sem métrica sem espaço
sem pingos nos is e sem regras tardias

Ah! Eu sei o que poderia.

Eu até poderia te mandar à merda de um jeito doce.
Aí você veria que não sente,
E que tudo que eu digo e escrevo se desmente.
Que por si só, esse jogo de leva e trás é uma mentira fria.
É um refluxo de idéias ininteligíveis
De um alguém que estando tão sem ter o que fazer
Fez ARTE!
E arte é coisa de mentiroso, eu sei.
Eu sei que até eu mesma poderia me chamar de mentirosa.

Eu sei, porque eu sei.

Ah! Eu eu sei o que poderia.

Brisa Dalilla =10/08/2006=

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