lembra quando eu conseguia escrever?

nem eu.

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eu sou diferente de vocês 1

eu vou atrás, corro, faço o que precisar, dou um jeito. eu não vejo empecilho na minha frente. não importa se tá chovendo canivete, com trânsito, sem grana, eu dou um jeito. é pra ficar horas num ônibus, gastar tubos com avião, se foder no caminho? não importa. e quando eu quero, quando alguém precisa, eu faço o que for. mas essa sou eu. e eu sou diferente de vocês. eu faria mesmo diferente. mas não posso esperar que ninguém faça como eu.

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será?

I don’t have to leave anymore
What I have is right here
Spend my nights and days before
Searching the world for what’s right here

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sobre deus 4

Deus não é pai, não é brasileiro, não é um piadista. Não curte minissaias, não gosta de drinks, não anda de bicicleta. Deus não é elegante, não é asseado, não é onívoro. Não gosta de preliminares, não faz exercícios, não leu o livro Deus, se existe, é uma espécie de aliciador de menores em algum  fliperama gerenciado por um casal de taiwaneses alcoólatras e coniventes. Porque ele paga algumas fichas, deixa você se divertir e, quando menos você espera, ele quer colocar seu rabo. E Deus não tem senso de humor algumEssa parte de conseguir levar as coisas mais absurdas e inesperadas e rir de tudo, isso fica inteiramente por nossa conta.
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surrupiado levianamente do savoir-faire do criativo rafael barba
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a resposta da letargia

sinônimos e anônimos

Você mexe e remexe (com) o meu íntimo de uma forma que desestrutura, desmonta e espalha pedaços e desejos por todo este nosso *universo*paralelo*. Fraciona minha unidade e remete todos os meus *eus* ao encontro dos seus *eus* – que não são poucos! – tão desapercebidamente do que faz, como inconsciente da marca que imprime em cada uma das minhas partes. Brinca com meus instintos, com meus sentidos, me bagunça e depois me junta com aquele jeito agridoce, puro, quase ingênuo (porque natural) de quem nada faz por mal. Você chega cheia de metáforas, sinonímias e antíteses (do tipo tudo ao mesmo tempo, agora…), e se revela uma grande hipérbole de sentimentos, com todos esses paradoxos psicodélicos e ecléticos, transformando os nossos pequenos *momentos de eternidade* numa verdadeira catarse. Você para o tempo e manipula a realidade virtual, como uma cientista louca, e eu entro no seu jogo, de cobaia, só para ver no que vai dar… Porque me vejo em você, me sinto em você, começo e termino em você, com todas as figuras de linguagem. *Nós* somos sinônimos, apesar de anônimos aos olhos do mundo. Nos projetamos um no outro, portanto não há muito o que descobrir, a não ser nós mesmos. Se me descubro, lhe descubro e vice-versa. Não tem segredo… não tem mistério… Apenas somos e estamos sendo. Por isso não temos prazo de validade. No *nosso* universo não existe o tempo, tudo é pleno, tudo é agora, sem chegadas ou despedidas. Apenas acontecemos…

Pedro Camena 01/05/2008

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letargia 2

Gosto quando você me descobre e me pega de surpresa. Naquele tempo onde eu, já envolvida no estado letárgico da mente e do corpo, deixo-me dominar pelo entorpecimento de sua visão em mim. Gosto porque aí o seu beijo não mente. Abusa da força e me deixa o ânimo quente. Nada se controla, tudo se desloca. Me excedo, sem medo. E jogo seu jogo de prazer. É aí que vejo que o desejo que existe em mim, há em você. Vou brincando com suas cartas marcadas, com as jogadas ensaiadas e as insinuações abusadas. Vou sentido que você sente como eu, mente como eu, se envolve como eu. Mistérios? Segredos? Nada mais há a descobrir. Mesmo porque chega perto o dia em que iremos partir. Cada um para seu lado, de sentimento guardado. Para um dia deixar aflorar, se o tempo (e seus caprichos) achar que devamos nos encontrar.

30/04/2008

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verso completo 1

eu deitada na cama, branca, nua, cigarro numa mão, caneta na outra, tentando concatenar aquele verso perdido pra colocar no papel.

você sentado na poltrona, nu, acendendo o cigarro com aquele zippo que eu sempre quis roubar, me olhando concatenar aquele verso perdido pra colocar no papel.

você quem tinha começado aquela poesia e eu me sentia meio insegura em seguir algo que você tivesse começado.

acompanhar sua mente frenética sempre me exigiu um esforço a mais. mas eu gostava de como seu alter-ego me fazia pensar.

ele, que conseguia ser mais que nós juntos, apenas porque nos juntou. ele, que podia dar as cartas como bem quisesse.

joguei no papel apenas metade do verso e você fez cara feia. tinha que ser completo. uma lágrima rolou e eu só conseguia pensar que dali a alguns dias você não estaria mais entre minhas pernas.

eu deitada na cama, branca, nua, cigarro no fim, caneta e papel jogados de lado e você completando meu verso com a única coisa que importava naquele momento.

você.

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janela de vazio

era estranho que ela se visse mais uma vez presa naquela mesma folha de papel em branco. há poucos dias o seu mundo era uma aquarela tão linda, tão cheia de cores! mas vai ver que o lugar dela fosse mesmo lá, não é? uma folha de papel sem nenhuma linha, nem cor, nem desenho, nem nada. pra quê cor, quando se tinha tanto vazio a ser visto? uma janela de vazio.

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rascunho

nunca fui boa em desenhar rostos, mas o seu eu queria gravar de alguma forma. dali a alguns meses você estaria sei lá onde e eu ia ficar aqui apenas com lembranças meio perdidas. e eu sou péssima com isso de lembrar… logo você ia virar um cheiro, sabe? aquele cheiro particular que quando eu sentisse em alguma outra pessoa, me faria lembrar de tudo. e eu queria lembrar é de seus traços, as cavidades e reentrâncias de cada milímetro da sua pele, sua textura… eu queria mais. eu queria mais desde sempre, claro, óbvio, ok. mas “mais” era o que você não podia dar e eu sabia. eu sabia e ainda assim insistia que deveria lembrar de você de alguma forma. rascunhei uns poucos traços com um grafite velho que eu carregava na bolsa, numa folha vazia do caderno que você me deu. sempre foi tão fácil me agradar, né? acho que era mais por você saber exatamente o que fazer pra me agradar. ou saber me ler. saber que aquele espacinho onde eu guardava meus pensamentos era tão ou mais importante que qualquer coisa. era fácil me ler simplesmente porque qualquer coisa que eu escrevesse era um sinal. eu não gosto de desperdiçar palavras. nunca gostei de dizer coisas em vão. mas só você sabia disso. e cada traço a mais que eu desenhava, parecia dizer exatamente isso. exatamente o que eu deveria rascunhar, pra lembrar e remoer quando você partisse: eu nunca encontraria alguém que me descobrisse mais que você, nessa vida.

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acordes da urgência 1

teu beijo às vezes é ânsia,e a vontade é uma constância.
teu beijo provocativo é forte,
mesmo assim, não é querer de morte…
nunca foi desejo finalizado,
nem nada tão arquitetado.teu beijo sôfrego,
quando quente, derrete na minha boca.
teu beijo urgente,
só funciona para a minha exagerada falta de urgência.
e acaba por combinar com o meu,
independente de como meu beijo for…

mas estar preso na minha magia,
é ter que crer na fantasia
de se ter um ao outro,
mesmo assim ser livre, leve e solto.
é estar amarrado pela força do beijo,
pela união da urgência ao desejo,
mesmo sendo duas almas em estágios distintos.

diferença nem sempre é incongruência,
mas a inconstância faz parte de mim.
vou e volto, como quero e quando quero,
espero sempre ser assim.
e quero que aprenda comigo,
pois muito tenho a lhe ensinar,
como descobrir os acordes certos,
quando a melodia gêmea chegar.
e saber que mesmo em tons diferentes,
a música toca em qualquer lugar.

brisa dalilla =06/06=


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