Gerundismos 3

Vou deixando o tempo passar,
o dia acabar,
a semana terminar

Vou deixando de lembrar,
deixando de desejar ,
deixando de pensar

Vou deixando a vida me levar,
sua vida lhe guiar,
nossa vida se afastar

Vou deixando pessoas se aproximarem,
novos rostos se mostrarem,
outros sentimentos brotarem

Vou, pouco a pouco, deixando você me deixar,
deixando você não me escolher,
não exigindo que venha me ver

Vou deixando o pensamento devanear,
meu coração se preparar,
deixando o fim se anunciar

Vou deixando de dizer,
deixando a vontade arrefecer,
deixando de ser mais você

Vou deixando de acreditar,
deixando de te esperar
e começando a cantar:

*“Just live your life…”

Brisa Dalilla =27/01/2009=
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*Apenas viva sua vida

contando mentira

porque não bateram na minha porta?
porque esconderam de mim toda história?
calei, me escondi, emudeci…
depois de tudo que ouvi
contado por alguém
que pra mim é ninguém.
mas eu sinto além,
penso além,
vejo além…
afinal, quem sou eu além de uma
LOUCA?
doida varrida,
desencontrada na vida,
totalmente sem voz.
e, ao fim, ficamos aqui
todos nós,
juntos
e sós.
vivendo e contando mentira
de tantas vidas
deixadas pra trás…

brisa dalilla =03/06/2009=


Feridas 3

Feridas mal curadas
São como portas entreabertas
Cheias de olhos a espiar



Brisa Dalilla


I wanna be a vampire 1

Sugar o sangue,
Sugar o que ferve…
E que a luxúria me enerve!
Entretida no transe,
Sem qualquer pudor…
Faça-me sentir calor!
Ferva-me,
Entretenha-me,
Camufle-me.
Componha-me versos,
Cheios de retrocessos
E encharcados de prazer.
Sorva-me,
Sugue-me…
Sou tua,
Mas só até o amanhecer!
Crepúsculo de uma cor só.
História insana de corpos
Que não podem ser um só.
Vontade de um só?
Ah, então não há
De acontecer…
Para consumar o prazer
Todos tem de estar
Numa só vontade,
Onde só a luxúria diz a verdade,
Onde o coração não dita regras,
Onde o vampiro sou eu,
Não você…

Brisa Dalilla


mots sincères* 1

(eu falo por…)

-você-

dormir cansado (do mundo).
acordar cansado (de tudo).
perecer…

per-ma-ne-cer…
isso está tão errado,
e só você não vê.

tempo? não há tempo.
o momento não vivido
não arrefece o sentimento.
só potencializa,
aumenta,
define.

meus fantasmas rondam, ameaçam…
sobrevoam a névoa longínqua onde ela se esconde.

“poderia viver?
saberia durar?
tentaria fugir por nada?”

ora, mas deveria me preocupar? calma, calma…

está tudo voltando a sua configuração inicial…

(eu falo por…)
-ela-
sei que você entrega a alma
inteira ou repartida
ao jogo desse tabuleiro.
e o jogo é real,
com rainhas, cavalos, peões.

como que peça mesmo você
vai jogar?
ah, rainha! claro…
sei que é nobre demais
para se trair tão estupidamente.

você é mais forte. m a i s   f o r t e… MAIS FORTE!
(que todos nós, olhe bem…)
pensa que
v  a  i  ,   v  a  i  ,   v  a  i  . . .
cair,
____cair,
________cair…
bem assim… d e v a g a r i n h o…

mas o sentimento é puro, forte e grande.

eu deveria tentar atenuar,
fazer sucumbir,
como manda meu interesse interno.
mas o interesse externo total,
insiste em mantê-lo de pé.


“poderia morrer?
saberia lutar?
tentaria vencer com alma?”

olha… me ouça…

as coisas não são necessariamente assim
simplistas e simplórias…
só lhe basta colocar os óculos

(caros e estilosos)
e ver que
só você pode cuidar disso tudo…

(eu falo por…)


-mim-
será que o verbo que os une
vai chegar então ao fim?

“no meu sonho tenho o mar,
tantos pontos para alimentar”

não há calma
nessas palavras sinceras.
vêm aos borbotões,
não param de escorregar
por meus dedos
curtos e grossos.

palavras ditas por dedos presos em nós…
palavras sentidas por sentimentos sós.
apenas palavras…
cortantes e doloridas,
de uma alma ferida.

tempo? não há tempo.
há o momento
onde não nos dissociamos.
onde nos fundimos
em diversas partes totalmente
desiguais.
e mais,
não há necessariamente
ganhar ou perder.
a decisão não cabe a ele,
muito menos a você.
só existe uma necessidade imensa
de viver,
de conviver.
e de ser,
ou de deixar de ser.
nós contigo,
e ele com você.

Brisa Dalilla =10/11/2008= 03:23h

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*mots sincères – palavras sinceras

Importância 1

A ninguém importa
Essa ansiedade desmedida,
Essa falta de calma,
Essa vontade incontida.
A ninguém importa
Minha falta de chão,
Minha necessidade de ar,
Ou minhas crises sem razão.
(Esse ar que necessito
É o ar da liberdade.
É a possibilidade
De ter todas as possibilidades.
Sempre solta, aberta,
Livre para o mundo
E poder, quando quiser,
Cair no azul profundo.)

A ninguém importa
Minhas tantas viagens loucas
Minha insatisfação inintendível
Minhas pobres palavras soltas
A ninguém importa
E realmente nem poderia
Cada um sente da sua forma
E só eu entendo minha poesia…

Brisa Dalilla


dá licença, vou passar 4

antônimo de um tempo
onde, encantada pelo momento
tola, deixei-me levar

traduzi teu pensamento
esqueci todo lamento
consegui, aos poucos, lhe captar

no abismo furta-cor
onde camuflei meu amor
em dor, cheia de razão

afundei-me na não-mente
escondi o que se sente
impus, enfim, meu não

em nosso ateísmo religioso
meu deus é seu gozo
e a vontade foi cumprida

ama-me, quando te amo
rechaça-me, quando te chamo
leva-me da tua vida

Brisa Dalilla
—————
alguém me manda pra porra, fasfavor? pfffffff! b’gada!

PRESENTE 1

Acham que busco a segurança.
Mas na verdade,
É a liberdade que me prende.
E estar solto talvez seja
O ponto chave,
Da forma de fazer dar certo.
É o estar perto,
Sem a total exigência.
É a relação alma com alma,
Ultrapassando limites do corpo,
Transmitindo uma calma
Que não termina quando você se vai.
Meu presente a você,
É minha presença em seu viver,
Hoje, comigo – honesta e intensamente.
O amanhã não é mais hoje,
E tolo é o que mente
Dizendo do que depende o amanhã,
Sem saber que a dependência é do que se sente…

Brisa Dalilla =2006=


(des)localizando 1

de dentro dos meus olhos você me olha
através do arco por onde contemplo todo teu brilho
de dentro da minha mão você me toca
através de gestos intensos por onde te sinto pulsar
de dentro da minha boca você me beija
e através da tua respiração a minha arqueja
de dentro do meu coração você me sente
através dos intervalos do tempo e do espaço
brincamos de ser protagonistas
do nosso próprio mundo.
de dentro de meu sexo, você me deseja
e através da fome que de seu corpo rijo, exijo
transcendemos juntos, os pontos ditos fixos.
nos embebemos da mesma energia
que guia nossa fome de alegria
e nos transporta para aquele mesmo mundo
onde não podemos perder um segundo,
onde sequer imaginamos futuro sem “nós“,
onde não admitimos mais sermos sós

Brisa Dalilla =09/03/2009=


Fevereiro em Belmonte 1

Transmissão,
Fluindo em transição
Da libido, do inibido
E do suor no seco!
De um encontro furtivo,
De um amasso no beco.
Da tentação…
Onde se conhece
E não é conhecido.
Da gente que vive,
Que sente,
Intensa e honestamente,
Cada confusão da paixão.
Bahia, festa, alegria!
E o tesão f l u i n d o
Na parede do beco,
Na beira do rio,
No quartinho dos fundos.
E a certeza
De que ano que vem
SEMPRE tem mais.

Brisa Dalilla =2001=


—–
Relembrando….

BRISA… 1

É alma que não se cala;
Palavra que tira de tempo;
Transbordo de sentimentos

Não é sopro, nem é v e n t o;
É livre, leve e solta;
É ar em m o v i m e n t o

*Pedro Camena*

Agonia 1

São olhos que não se vêem,
Bocas que não se beijam,
Braços que não se enlaçam.

São dias sem alegria,
Mágica sem fantasia,
Pedaços de sim, cheios de nãos.

São noites, em si, tão vazias,
Camas, que quentes, são frias,
Palavras sem cor, nem razão.

É o sim que revela desprezo,
Caminho difícil, tropeço,
Em suma, a falta de chão.

São tórridos tempos de fúria,
Augúrio do tempo sem forma,
Resumo do meu dia não.

Brisa Dalilla =13/09/2008=


VOCÊ ESPERA 2

Você espera sempre por aquele carinho manjado,
As mesmas pessoas de sempre,
Fazendo as mesmas coisas de sempre.

Você se satisfaz com tão pouco,
Com o trivial, o imutável, o normal.
Você não quer alçar, correr, crescer!
Não quer fugir, saltar, sumir!
Não quer mais do que a vida pode te oferecer.

Você não quer emoção,
Não quer amor de nenhum coração!
Não quer saber como é ser amado da melhor forma,
Ou de outra forma qualquer…

Conformado…
Você sempre estará aí estático, parado,
No seu mundo infantil.
Nessa rede de pessoas sem emoção,
Que não vivem pelo coração.
Apenas levam suas vidas,
Sem fazer a menor diferença.

E que diferença faz?

Brisa Dalilla =25/10/2005=


metade

você não sabe metade das coisas que eu deveria realmente dizer.

não sabe porque tenho medo de contar
e sei que se disser posso me perder.
um dia ainda vou aprender a falar
que você não sabe metade das coisas que eu quero te contar.
sobre o que sonho pra nós dois,
sobre o que espero de nós dois,
sobre o que espero pra nós dois.
você não sabe da metade das noites que passo sem dormir
ou até sem fome
ou com vontade de sumir.
sumir pra ver se me esqueço.
porque só se me esquecer, eu te esqueço.
porque eu sei o que você merece e o que eu mereço,
porque eu queria que o fim ditasse um novo começo.
você não sabe o que é me sentir tão completa e tão vazia.
não sabe que o calor que perto, esquenta,
de longe esfria.
não sabe metade do que padeço e talvez ache que não mereço.
mas sabe que amar você eu sei.
você talvez não entenda nem metade do amor que sinto.
que é tão maior do que eu pensava, que às vezes minto.
minto pra parecer que as coisas são realmente normais.
que as leves ofensas não me atingiram jamais.
minto porque é do meu feitio mentir.
pra um dia chegar e explodir.
e te dizer verdades que não sei o que são na verdade.
se raiva incontida no coração.
ou se mágoa de quem sofre em vão.
ou se é amor que se sente.
que no fim das contas é a única parte de mim que não mente.
e que sente.
fundo e forte.
sente demais até.
sem pudor e sem sorte.
até o dia que meu coração achar que der.

SOU EU: "SEU MOÇO"!

Ei, moça!!!
Aqui quem fala é “seu moço”!
E chego cheio de intenções.
Primeiras, segundas, terceiras…
Todas elas: boas e más.
(aliás…)
Do jeito que você cansa,
Do jeito que você gosta!

Sabe, moça…
Esse “seu moço” aqui,
não tem medo de mordida.
Nem da sua mordida raivosa!
Apesar de não ser vacinado,
Pras coisas que ferem a carne
E passam pro coração.

Mas, tenho medo não!
Quero que me morda
e morda “de com vontade”.
Com todas as intenções:
primeiras, segundas, terceiras…
Todas elas: boas e más.
(aliás…)
Do jeito que você cansa,
Do jeito que você goza!

Pedro Camena *17/05/2008*

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Ele acaba comigo…. Mas com estilo, sempre!