SEU MOÇO 3

Não se aproxime de mim.
Pois mordo! E mordo forte…

Não se aproxime de mim.
Pois estou cansada de terceiras intenções…
Aliás, de todas as intenções.

Essa pessoa aqui, seu moço,
Morde para se proteger.
Como bicho acuado. Perseguido.

Não quero saber desse desmazelo!
Nem palavras doces e falsas,
Ou carícias na mão, colo ou cabelo.

Não suporto mais a idéia do corpo!
Não encontro quem me enxergue pela alma.

E para o caso de você recomendar que eu me esconda e me cubra,
Alegando que aí – talvez sim – queiram ver meu interior.
Revido com o argumento único da liberdade adquirida!
Não faço nada que a ameace.
Minha liberdade é o que posso chamar de MINHA VIDA!

Recomende aos desavisados
Que obedeçam à placa, seu moço:
‘Aqui reside animal raivoso. Animal perigoso em fúria eterna’

Fuja! Corra! Não se aproxime!
Pois mordo! Mordo forte!

E com requintes de crueldade, seu moço…

Brisa Dalila


Desalinho 1

Gosto das cores dos gostos e do sentido no que não há sentido
Gosto do tempo que não pára e que às vezes passa tão lento
Gosto do bafo quente do vento e do clima estranho
Gosto do que gosto e não tenho que ficar justificando todo o dia
Mas justifico sempre e sempre e sempre
Tenho essa necessidade infinita de dizer o que sinto e o que penso
De me justificar a tudo e a todos mesmo sabendo que não preciso
E se amo é porquê me deu vontade de amar e de demostrar
E de todos os dias encher de beijos e de amor aqueles que amo
Mesmo que esses beijos e esse amor sejam em tese imaginários
Que talvez eu beije e ame em pensamento
Sem demonstrar todo esse gostar com carinhos furtivos e palavras soltas
Gosto dessa loucura entranhada em mim
E escrever sem pontos e vírgulas quando bem entender
Queria que um dia todos os textos fossem soltos
E que não tivessem pontos nem vírgulas
Aí cada um poderia tirar dele o sentido que quisesse e bem entendesse
Mesmo que queira passar algo ou fazer algum sentido
So sei que gosto do gosto dele gosto do gosto da pele dele
Gosto de sentir o gosto dele dentro de mim
E olha que eu não pensava em escrever nada erótico
E na verdade isso aqui não é erótico
São palavras soltas e soltas e soltassss
Quem sabe você não está entendendo errado
Algo como bla bla bla whiskas sachet
Se eu não me entendo como você vai entender
E se quiser coloque um ponto de interrogação na oração acima
Se quiser faça o que quiser a vida é sua a vontade é sua sempre
Use os sinais gráficos e acentos onde bem entender
Enfie as interrogações no lixo da vida
Insira exclamações na sua existência
(Te dou várias toma !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!)
E não use pontos finais
Até porque as coisas não tem fim
Os amores as dores o tempo o espaço a vida
A tinta pra pintar cores diferentes na vida
As coisas não terminam
Nem boas nem ruins nem mais ou menos como queira
E nessas teorias doidas dela eu acredito
Vamos parar esse texto por hoje mas já sabendo que ele não tem fim
Um beijo um abraço e um até breve

Hoje sem rima

Brisa Dalilla =03/03/2008=


POESIA PRA MIM

Ritmo: Samba
Composição: Brisa Dalilla

É a poesia da música.
Tem notas, compassos, cadência e tons.
Tem toda magia, melodia e sintonia
De um samba do bom.

É a poesia que é cantada aos sete ventos.
Gritada, urrada em todos os tempos.
Afina cada corda do teu violão.
Vem lá do fundo do coração.

[refrão]
É poesia da boa.
É palavra boa que ressoa.
É pra descer gostoso
Como a bebida que te dá prazer.
Como o gole sedento de quem sempre quer beber…
Lalalaiá Lalalaiá Lalalaiá
É pra descer gostoso como a bebida que te dá prazer…

É poesia pra ser fumada, tragada, sorvida
Amada, queimada, sentida.
É poesia pra mais de metro, meu senhor
É poesia sem tirar nem pôr

Essa é a música louca
De quem segue seu destino
Sem esperar o fim.
É poesia pra você, pra ele, pra ela
E é claro, poesia pra mim!

[refrão]
É poesia da boa.
É palavra boa que ressoa.
É pra descer gostoso
Como a bebida que te dá prazer,
Como o gole sedento de quem sempre quer beber
Lalalaiá Lalalaiá Lalalaiá
É pra descer gostoso como a bebida que te dá prazer
Como o gole sedento de quem sempre quer beber
Lalalaiá Lalalaiá Lalalaiá
É pra descer gostoso como a bebida que te dá prazer…


CONFISSÃO 2

Parem! Eu confesso.
Sou LOUCA!

Não controlo as palavras
Que saem de minha boca!

Me permito, vivo,
Luto, realizo.

Não posso ficar parada
Vendo a vida escorrer
Pelos dedos…

“O melhor lugar do mundo é aqui, e agora”

Brisa Dalilla 19/02/2008


PUDOR (false modesty) 1


Os virtuosos e suas virtudes.
Rá…
Não vêem o que são:
Fantoches de uma falsa realidade.

Eles – os virtuosos – escondem-se atrás de uma cortina falsa.
Da proteção exacerbada.
Do preconceito exagerado.
Da ‘alternatividade’ fingida.

Tentam e padecem.
Ao proteger uma imagem disforme.
Uma fachada mal armada.
Uma forma de esconder sua realidade.

Para quê esconder,
Se mostrar-se ao mundo há de ser
A mais gostosa das coisas.

O ato e o fato.
Ver e ser visto,
Desejar e ser desejado.

Os virtuosos condenam-nos.
Nós, os loucos, fugitivos dessa cultura do ‘esconder-se’.
Os que aproveitam, os que vivem
E não se deixam levar por este falso pudor.

False modesty.
Eles escondem um mar de vontades,
Alheias às questões consideradas básicas para a humanidade.

Os virtuosos querem projetar uma mentira
Que apenas permanece
Enquanto eles não se dão conta do óbvio ululante.

É bem melhor
(Mais vivo!
Mais digno!
Mais interessante!
E mais empolgante!)
Viver como os loucos!

Os desafiadores,
Os transgressores.
Pessoas de alma livre,
De arte livre,
De pensamentos livres,
Não falsos alternativos, letrados e virgens.

Não se iluda, caro leitor.
Não quero tirar seu pudor.
E nem cogito que sejas como eu.

Senão como raios eu estaria fazendo a diferença?!

Brisa Dalilla =09/05/2006=


full less 4

minha sombra
meu tempo
meu sonho
a luz projeta inúmeros desenhos
não sinto
não entendo
não vejo
forjo análises sofridas
não considero válidas chances perdidas
pranto leva ao espanto
espanto cobre amor com manto
manto é jogado sobre corpo
corpo inerte
não se sabe vivo ou morto
pecados escusos
há tempos que procuro
viver morrer amar estremecer
sem nexo sem sexo sem mãos sins ou nãos
não protesto e entrego me enervo te espero
totalmente inerte ao infinito prazer
para nascer morrer e então reviver

brisa dalilla 29/11/07


A PALAVRA E O POETA

Não é cacau.
Não é água, açúcar, nem sal.
É triste e normal.
É sol que aquece por igual.

Não é simplesmente,
Algo que ensine essa gente.
É passado esquecido,
Sempre sofrido.
É compasso sem notas,
É dissonante
E vai e volta.
É o presente que sai pela porta
Para nunca mais voltar.

Não é tão distante,
Mas engana o cego errante.
E encrava a unha no instante
Que o tempo controla o próprio tempo.

Não é nada feito de rima.
É palavra que se joga lá de cima.
É desgaste, desentendimento, sofrimento.
É sujo, jogado, mal-cuidado,
Como o sapato que te calça apertado.

Esqueça a falsa verdade.
Esqueça a parca felicidade.
E viva alimentando com toras
A fornalha da vontade,
De finalmente entender o embate
Que há entre a palavra e o poeta
Numa quente manhã incompleta.

Brisa Dalilla =03/11/2007=


POETISA ENFERRUJADA

Sede eterna de emoção,
Ânsia de elevar-se,
Necessidade de criação.
Poeta não tem caminho certo,
É um artista sem direção.
Quer sorver todo pensamento do mundo
E transformar em arte arredia,
Preenchendo essa folha vazia,
Sedenta de tinta, letra e sentimento.
Quer ser todo esse tormento,
Quer ser tudo que não vai passar.
E não há como ter um controle,
Pois não consegue parar de versar.
Se não escrever,
O que haverá de fazer
Com suas idéias loucas
(que – acreditem – não são poucas)?
Não pode parar de criar,
De pensar, versar e realizar.
Pois apesar de ser a tão falada “poetisa enferrujada”,
O tempo para ela já não passa mais.
Ficou parado em algum lugar, lá atrás.
No redemoinho de pensamentos e/ou momentos,
Com sentimentos que não voltarão
Nunca mais…

Brisa Dalilla =04/09/2006=
[Em Vitória da Conquista]


quando os outros falam por mim 2

“Acho que a vida anda passando a mão em mim.
A vida anda passando a mão em mim.
Acho que a vida anda passando.
A vida anda passando.
Acho que a vida anda.
A vida anda em mim.
Acho que há vida em mim.
A vida em mim anda passando.
Acho que a vida anda passando a mão em mim…

E por falar em sexo quem anda me comendo é o tempo…
Na verdade faz tempo mas eu escondia
porque ele me pegava à força e por trás…

Um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo
Se você tem que me comer
Que seja com o meu consentimento
E me olhando nos olhos…

Acho que ganhei o tempo
de lá pra cá ele tem sido bom comigo
dizem que ando até remoçando…”

Viviane Mosé


my stupid words

Minhas palavras estúpidas
Não cabem mais em minha boca!
Elas escapam de tal forma
Que não consigo controlar.
Mas minhas palavras estúpidas
Me protegem de suas ações estúpidas.
Então, pois que não,
Somos todos – eu disse TODOS – meros estúpidos
Vagando no meio de um não sei o quê!
Uma corja de loucos,
Sem atitude e sem profundidade!
Mais tua maior estupidez
É achar que é normal como esta corja.
Pois talvez, no fundo,
Os normais sejam como eu,
E eles – a corja – sejam os pobres loucos
A proferir reles frases feitas
Que no fundo me soam como frases de pára-choque de caminhão.
[Don’t try to understand my stupid words
‘Cause u can’t reach them]

Pois também faz parte dessa burrice inveterada,
Dessa massa ultrapassada, de gente que se pensa elitizada!
E minhas palavras estúpidas (que tanto te enojam),
Não cabem mais em minh’alma.
Elas não calam… Não calam!
Apenas falam tudo que vai de encontro
À tuas fracas ilusões.
Eu não desisto!
Eu nasci para transgredir,
Para mudar,
Modificar.
Nasci para ser teu avesso.
Talvez por isso combinemos tanto:

Eu estúpida; você iludido.
Mas não tente acreditar em mim,
Não confie em mim nem em minhas palavras estúpidas.
Pois sou apenas a poetisa enferrujada pela ação do tempo que passa.
Nada mais.

[and who cares?]

Brisa Dalilla =20/04/2005=


você pertence a mim 2

em cada traço, em cada passo
em cada não, em todo sim
é… você pertence a mim.
a meu beijo, meu desejo
meu erro e acerto
do seu começo a meu fim
você pertence a mim.
nos meus gestos, meu retrocessos
e com minha mão alcança meu sexo
você pertence a cada parte de mim.
e da mesma forma que a você pertenso
em todo meu jogo, na falta de senso
no excesso de amor, na sorte ou na dor
você pertence a mim.

brisa dalilla =08/01/09=


eu me acho tão triste

quando anoiteço,
quando amanheço,
quando acordo em sonhos,
quando sonho pesadelos.
quando me perco,
quando me afasto,
quando nao sei o caminho,
quando me vejo sozinha,
eu me acho tão triste…

quando sinto saudades suas,
quando caminho sozinha nas ruas,
quando sei que nao tenho o que desejo
quando a cura está em um so beijo.
quando o tempo se arrasta,
quando a solidão nos afasta,
quando não sei o que fazer,
quando só me resta morrer,
eu me acho tão triste…

quando penso em te esquecer,
quando vejo que nao sinto você,
quando me sinto coberta de gelo,
quando recorro ao mais agudo apelo.
quando sofro psicoticamente,
quando me sinto metade de gente,
quando choro sem poder parar,
quando falo sem ao menos pensar
eu me acho tão triste…
quando meus espelhos refletem vazio,
quando no calor, morro de frio,
quando você some sem avisar,
quando fico louco a perguntar (o que que a vida vai fazer de mim).
quando dormindo, grito seu nome,
quando nao sinto nada, mesmo morrendo de fome,
quando quero ser sua outra metade,
quando não quero morrer de saudade,
eu me acho tão triste…



Brisa Dalilla =07/01/2008=


A POESIA SUMIU! 1

A poesia sumiu!
Tá escondida num canto qualquer
Do meu pensamento.

Brisa dalilla =17/06/2004=


que jeito?

acordei procurando minha alegria
e logo vi que era tarde
tarde demais para achar
algo bom pra se guardar
de tudo que existe.
hoje na casa vazia procurei você
e a cama fria (fria como meus pulsos
mortos, sem sangue, sem nada)
só aumentava a dor
não estancava a ferida
calada em meu peito
que jeito?
hoje na casa vazia
procurei meu sentido, meu sentir
e vi que a madeira fina que cobre nossas coisas
mentiu pra mim
me enganou de novo
levou pra longe tudo que havia de bom
e agora pergunto se é possível carregar tanta dor
num só peito
é possível?
não haverei de saber…
ah, me conte você!
porquê eu não consigo mais…

Brisa Dalilla =26/12/2008=


filosofia 3

todo amor tem sua filosofia

criando mecanismos complicados
para fazer coisas tão simples

(e sempre há uma forma de aceitar
desde a cama vazia
até um confortante ninho de amor)

todo amor tem sua forma tardia
de dizer coisas que já
deveriam vir implícitas

(e sempre há um sabor diferente
uma resposta diferente
a tudo que se deve mudar)

todo amor tem seu tempo passado
misto de paixões, decepções
ou de casos mal terminados

(e sempre há um sentimento guardado
esperando a chance
de enfim, se mostrar)

todo amor tem uma febre ardida
uma mágoa sentida
de quem não quer se regenerar

(e sempre há uma força
que nos traz de volta à realidade
tranformando em presente, a saudade)…

Brisa Dalilla =25/12/2008=