vice-versa 4

não me olhe…
me devore,
me toque
e
me molhe.

sinta-me quente,
interna
e   d e m o r a d a m e n t e.

vontade pungente,
indecente,
além do momento
presente.

me receba
e
me escreva.
reproduza meu sexo
em texto desconexo
com seu dedo gentil.

e no ardil
que se mostra,
através do desejo
dito sem portas,
escancare as nossas!
fujamos do trivial!
estrapolemos nosso normal!
traduzamos nosso querer
em poder
de mim pra você
(e vice versa, como queira fazer).

entreveja nos meus sons
o furor,
que mistura nosso tons.
complete-me com teu gosto
esteja disposto
tranforme o oposto
rasgue meu rosto
enquanto eu
aqui, estupefata, me contorço
de vontade.

e recomeço
o conto
que conta o ponto
que fecha a realidade,
que nada mais é
que a verdade.

(não me olhe…
me devore,
me toque
e
me molhe…)

Brisa Dalilla


SENSAÇÕES 4

Cheiro.
Cheiro do sexo no dedo.
Cheiro do desejo na ponta do dedo.
Cheiro do cheiro.
Da pele que se repele.
Da pele, que se revele!
Do gosto, do cheiro, da pele.

Gosto.
Gosto do sexo na língua.
Gosto do desejo na ponta da língua.
Gosto do gosto.
De gosto que se gosta.
De gosto que se mostra!
Do sexo, do gosto, do cheiro, da pele.

Sexo.
Sexo no dedo. Sexo na língua.
Sexo na ponta do dedo.
Sexo na ponta da língua.
Sexo do sexo.
Da vontade que se repele (vontade da vontade).
Do desejo, que se revele (desejo que te invade)!
Do sexo que se mostra lúcido na ponta da língua e do dedo.

Cheiro, gosto, vontade, desejo.
Sem medo…

Brisa Dalilla =27/11/07=


perigo 3

o tempo nada faz para impedir que se crie na minha mente esperanças de novidades, de mudanças, de acordos diferentes com a vida. penso que se pudesse saltar profundamente sobre todos os planos de não ter planos, tudo seria mais fácil e palpável. o fato de que eu queira não querer algo, quer dizer que não vai acontecer? au contraire. acontece. o querer vem ainda maior. entra e invade tudo que não deveria, não poderia, não bastaria. acaba por trazer a meu mundo possibilidades infinitas, inspirações loucas, vontades excusas. acaba por fazer crescer o desejo de que o desejo não arrefeça nem por um segundo sequer. aí que entendo que sou movida por isso. por todas essas vontade óbvias, que naturalmente vem e vão em um espaço curto de tempo. deu vontade? sigo sentindo. passou? vamos ao próximo desejo. viver controlando as tantas faces de minhas vontades é que é perigoso. perigo é não sentir, não fazer, não viver. perigo é se ver um dia parada no meio de seus próprios sentimentos não sentidos. perigo é deixar de entender como o sentir é belo e gostoso de ser vivido.

eu quero ser um cheiro 7

nem todas as coisas que vem na cabeça devem ser postas pra fora. nem todas as nossas esperanças se tornam realidade. nem toda realidade pode me convencer a não ser quem sou de verdade. nem todo tempo deve ser passado sozinha. e nem todo espaço deve ser reservado para outras pessoas. porque tudo que você tem no final, é a si mesmo. porque mesmo que todo companheirismo do mundo e toda amizade do universo estejam aí, disponíveis para consumo, ser um pouco sozinho é primordial. porque há um quê de filme nesse negócio de ser solitário, de ler um livro sozinho na praça, de ir ao cinema ver um filme que você quer independente da vontade de outrem, de comer aquele prato maravilhoso do seu restaurante preferido ouvindo uma música deliciosa no player e simplesmente ser feliz. enquanto escrevo essas linhas, curto a madrugada solitária mais fantástica de todos os tempos. porque não importa a cólica, não importa o calor, não importa o sono que vou sentir amanhã, importa que eu decidi curtir essa madrugada, viver minha solidão de forma bem vivida. que nem quando te falam “se cuida” e você diz “tô me cuidando” e no fim, para os padrões de quem mandou se cuidar, você está totalmente descuidado. ó… tô me cuidando pra ser cada vez menos complacente com essa rotina estúpida de parecer ser algo ou de ter que provar qualquer coisa. eu simplesmente sou. e sou fruto de escolhas tão loucas e sem sentido, que penso: pra quê fazer sentido? é tão mais simples e surpreendente apenas seguir “sendo”. não planejando exatamente cada passo a ser dado. eu não tenho planos, tenho desejos. desejo ter uma casa minha, pra guardar minhas loucuras e pedaços nela. desejo ter uma estante enorme, com todos meus livros e diários  (des)arrumados meticulosamente, pra num futuro pouco distante deixar um material manêro pra quem quiser me conhecer de verdade. desejos fazer mais tatuagens. desejo comer ao menos um temaki por semana. desejo dançar descordenada em alguma pista por aí sempre que possível. desejo desabar e chorar quando for necessário. desejo amar e amar quantas vezes forem precisas e necessárias, até que eu saiba definir cada tipo de amor. desejo fazer, escolher e mudar meus caminhos sempre que quiser e puder. desejo inclinar todos os planos do mundo e jogá-los despenhadeiro abaixo, para que eles voem. para que eles saibam o que é se jogar de algo, e flutuar, e cair, e se machucar, e levantar e sorrir. e desejo ser parte de tudo que se vive, se sente e no fim das contas desaparece, some do plano real das coisas e vai morar no pensamento, na lembrança e, porque não, no cheiro. acho que finalmente descobri o que quero ser quando deixar de ser: um cheiro…

é proibido parar de gozar 5

porque ser vivo é ser etéreo. é brincar de ser invencível e de lançar o corpo no turbilhão das vontades não aplacadas. é querer sorver cada centímetro de alma pela boca; tocar o coração com os dedos; acariciar o tempo, beber o sorriso, congelar o momento. é sambar os desejos, batucar paixão com saudade e misturar pecado com coisas sem nexo. é despejar sentimento líquido na corredeira do tempo e cantar a música de quem segue só seus instintos. é pegar a regras estúpidas do mundo e jogar ladeira abaixo. e se não tiver ladeira, fazer das regras pipa. para voar, dançar, planar… daquele jeito livre e desobediente das coisas que se envolvem no vento. num espaço longínquo onde ninguém conseguirá derrubar ideias diferentes, pois cortar vôo das coisas livres não será permitido. é proibido deixar de sentir. é proibido parar de exagerar. é proibido se podar. é proibido se impedir de amar. é proibido parar de gozar.


but baby it ain’t over ’til it’s over

acordou sufocada debaixo daquela aura ridícula de calor infernal. lavou o rosto, foi até a cozinha, bebeu um belo copo de água gelada. mas tudo ainda sufocava. um banho gelado talvez resolvesse. e foi o que fez. mas o sufoco aparentemente vinha de outro canto, de dentro. não dava bem pra explicar.

um toque e o aviso, hora de ir. entrou no carro, olhou de soslaio e falou amenidades. o que estava por vir já era tão doloroso sem nem acontecer, que só a possibilidade daquilo virar fato consumado, aumentava infinitamente o sufoco. pararam no primeiro lugar disponível. “aproveito e conheço já que nunca vim aqui, né?”. sem espaço com ar condicionado, decidiram conversar no calor mesmo.

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people are beautiful if you love them 6

é muito, muito difícil mesmo entender o conceito de beleza das pessoas.

“olha, eu curto os morenos, sarados, altos e de olhos verdes.”
“ah, já eu gosto demais dos baixinhos com barriguinha, sabe? acho um charme.”
“gordinhos são meu ponto fraco. caio fácil!”

varia, né? ¬¬

o ponto chave é (e todos sabemos): seu bonito não é o meu bonito e vice versa e tal e pá. olha que eu nunca jamais em hipótese alguma na vida escolhi (até porque você nem escolhe, o coração escolhe, mas tudo bem…) namorados, peguetes, casinhos, ficantes etc, pela beleza. a realidade é que existem muitas milhares de outras coisas que importam na hora da conquista. bata aqui se concorda comigo. o/

já fiquei com umas figuras que, se eu te mostrar as fotos, cê vai perguntar se eu permaneci bêbada durante toda a relação. vdd vddra. se quiser te mostro. mas fico na minha porque vai que acontece o contrário também, né? vai que o ex mostra minha foto pra alguém e a esculhambada vou ser eu…

mas então… o babado é que a beleza é diretamente proporcional ao ~tamanho~ do amor. clichêzão? ô… maior de todos. mas o que é o amor, né pessoa? mega clichê ambulante delícia. você conhece a pessoa, se apaixona e, minha amiga dona de casa, meu amigo telespectador… pode ser o cão chupando manga, a bruxa do 71, que vai ser a coisa mais linda e gostosa que você já viu na vida. e vai ganhar apelidinho carinhoso, beijinho, amorzinho, todos os elogios do mundo todo. pq né, o amor faz essas coisas por você. coisas que você tem que ser muito sábio pra entender que são ‘romantiquisses’ de ocasião e não tem porque ter vergonha depois.

já me apaixonei por um gordinho mais baixo que eu. ficava uma coisa linda e emocionante, eu, que já não sou dessas alturas todas, ser maior que o namorado. mas ó, a gente sempre fez disso uma coisa tão natural, tão à nossa maneira, que não teve um que não dissesse que era o casal mais lindo do mundo. no amor você ama os defeitos mais cretinos, os trejeitos mais estranhos, até coisas que não são defeitos, mas uns doidos insistem que são.

amar é sim essa coisa bizarra e ~maravilhinda~ que faz você ser sublime aos olhos do ser amado. e não tem coisa mais gostosa do que você se enxergar bonita aos olhos da outra pessoa. naqueles momentos comuns do dia, qdo você toda largada no sofá, de moletom e meias, lê um livro; ou depois do amor, quando bate aquela aura deliciosa de prazer compartilhado; ou mesmo quando você chora por algo e aquelas lágrimas ainda assim são parte da sua beleza.

é apenas a missa que todos nós já sabemos de cor e salteado, mas só nos lembramos quando alguém toca no assunto:

people are beautiful if you love them.

post meu pro universo femininoinspirado nesse outro post.


sobre cheiros, gostos e saudades 6

talvez por nunca ter tido uma visão muito apurada e não levar o tato tão a sério assim (fora das quatro paredes ou dum reco reco cotidiano em algum beco obscuro das augusta da vida), eu tenha ficado viciada em cheiros e gostos. pronto. esses são meus sentidos válidos de lembrança e acabou. e porque caixas d’água você foi pensar e querer escrever sobre isso agora, brisa dalilla etecétera? então…

tava eu linda, ruiva e brasileira no posto esses dias, comprando minhas humildes três long necks de cerveja – pra curtir minha noite by myself manêra – quando visualizei um pequeno pacotinho de halls uva verde. nada a ver pra vocês, né? mas deixa eu contar outra coisa aí eu volto e explico o babado. aí quando chego no caixa, tinha um rapaz muito bem apessoado usando aquele perfume cretino (que eu adoro, mas finjo odiar) chamado malbec. o boticário eu sei, faz nem medo… mas tem razão de ser essa relação amor/ódio. RAZÃOZONA da disgrama, aliás.

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melancolia au contraire 4

quando tudo está desassociado do que deveria ser é que mais penso em você.

e também porque o contrário das coisas sempre me faz querer o contrário do contrário e vice versa. sempre assim. bem aquela coisa de criança pequena. o não é sim e o sim é não. e sozinha mesmo, sem a ajuda de senhor ninguém – dentro do meu mundo subjetivo e mais surreal que qualquer forma de imaginaçãoeu crio esses estranhos subterfúgios para não te amar mesmo te amando. ou não.

é… às vezes eu me perco nas lembranças e penso que nunca te amei de verdade. entendo que apenas criei mais uma dessas paixonites agudas dentro de mim para manter acesa a sensação falsa de felicidade instantânea. ou de segurança. vai saber…

o que já sabemos é que sou eternamente torta das ideias e do coração. o que eu tento descobrir é se esqueço tão fácil quanto amo. porque mesmo depois de anos, de tantos tempos, de tantas pessoas que passaram por mim (nós?) e as reviravoltas da vida…  eu volto a lembrar tão facilmente de ti, tão sem querer querendo, que acho que voltei a te amar – quando nem sei se deixei de…

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boba 1

e daí que me veio aquele sorriso bobo nos lábios…

ainda agorinha. sem esperar.

e já que vivo de viver e vivo de lembrar,

depois de passar metade do dia vivendo sem quase respirar,

agora paro e respiro para poder lembrar.

e a única coisa que posso sobre isso dizer

é que nem poderia ter coisa mais clichê

do que esse negócio bobo de sentir saudades de você.

 

brisa dalilla 11/07/2011


estaria maluco se não tivesse junto 1

esse são joão me fez reencontrar muita gente e lembrar de muita coisa. voltar pra a bahia sempre me proporciona esse monte de emoções misturadas. de sentimentos que ainda teimo em sentir e outros que não me afetam mais (e em teoria deveriam. mai, né?). e mesmo os que não afetam, ainda permanecem na lembrança. e eu sou aquela que gosta de lembrar, né? ‘aquelas coisa’…

daí que agora há pouco falei que precisava de um show d’o rappa. e parando pra pensar, tem um fundamento estranho, essa vontade. deve ser algo relacionado com loucuras e começos. minha relação com o rappa começou precisamente em 2003. conheci músicas do cd ‘o silêncio que precede o esporro’ e fiquei completamente encantada. a força das letras, a melodia e a presença de marcelo falcão fizeram com que eu me tornasse fã automaticamente. tudo bem que eu já conhecia músicas de outros cd’s (a feira, pescador de ilusões, homem amarelo etc), mas as músicas do cd que citei me pegaram pelo pé de verdade. principalmente essa:

~e a cachaça queima bem forte, vibrante e forte~

daí que depois de tanta tietagem ilusória, em 2005 tive finalmente a oportunidade de ver a banda ao vivo. seria em ilhéus, no domingo… dia meio errado, já que tinha que trabalhar no outro dia em itabuna. mas, foda-se. era a chance. e depois de um churrasco da firma que eu trabalhava na época, parti pra meu show. obviamente ninguém tinha marcado comigo e eu ia sozinha. mas naquela mesma tarde a sorte (??) mudou e calhei de ter companhia.

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entende?

há os que não compreendem… mas eu entendo a felicidade que existe quando uma música me transporta para outro universo. parte do passado… quem sabe futuro. aquilo que dá pra saber que – independente do tempo – sempre estará presente. porque, mesmo que tudo mais se quebre com o tempo, é no coração que permanece guardado o bruto do sentimento. aquele sentimento de dor fina, com cheiro de saudade… claro. mas é a saudade boa. porque, mesmo sem sentir de perto, sempre é bom lembrar.

“ainda há fogo em mim, queria sempre assim…

quem sabe ainda sobre alguma chance. a tarde, o vento e o mar”


trivialidades randômicas e características estranhas do surto

quando a gente surta parece que, além de louca, fica cega, surda e sem entender um palmo de coisas embaixo do nariz. ohhh, that’s the truth. é o esquema de “a dor é minha mesmo, é enorme, é maior que a de todo mundo porque é minha (ora bolas!) e foda-se quem achar errado”. sim, acabei de descrever meus surtos. reconheceu? porque não é só de pollyanismo que vive a pessoa, né? e às vezes, mesmo com o otimismo todo que me acompanha, eu fraquejo, sinto o chão sair dos pés e surto (lindamente, loiramente e japonesamente). normalmente quem fica perto nesses surtos e não consegue segurar a barra ou não entende como é passar por isso, sofre até mais que eu. e pensem que os surtos de hoje são bem menores que os de antigamente. sinta o drama…

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