detrás

você prende meus pulsos atrás do pescoço e eu não sei como começar a te contar toda a verdade. mesmo assim, começo. temos sempre que começar de algum lugar, não é?

eu não sou nada disso que você vê, muito menos o que digo. eu não sei exatamente de que matéria fui feita pra ser assim estranha. enxergo significados em coisas que não deveriam e tenho toda a gama de maus sentimentos existente dentro do peito.

não sei ser amada. não sei me deixar ser amada. destruo cada possibilidade disso em segundos, como se – sim – isso fosse o normal a ser feito, mesmo antes tendo criado uma realidade paralela onde tudo aquilo poderia quem sabe funcionar.

não sei fazer carinho. tudo que faço é meio no automático, como se aquilo fosse coisa trivial normal banal. e no fim das coisas sei que não é. sei o que significa para as outras pessoas. eu apenas não dou a mínima, não ligo. se sinto agora, não quer dizer que nos próximos cinco minutos vou continuar a sentir. nem quer dizer que eu não volte a sentir. entendeu? nem eu.

entendo minha vida – ou seja lá o que isso realmente for – como um filme. e eu ali, meio perdida no roteiro, tento transformar a meu bel prazer tudo em drama. vezenquando uma comédia, porque eu devo ter um pouco disso enfim. mas no final é tudo muito denso pra ser analisado por qualquer um.

você solta meus pulsos detrás do pescoço e eu não sei como terminar de te contar toda a verdade. então eu só te beijo.

___________

o dia em que eu mais senti saudades da bahia 3

“brisa, um dos apreciadores tá bem doente…”. foi assim que eu recebi a notícia de que marlon tava mal no hospital lá na bahia. mas eu sempre tenho aquele espírito de “ah, que é isso, vai ficar tudo bem…”. e era pra ficar, né? menino novo, cheio de coisa pra fazer e viver ainda. e pá, no outro dia recebo a notícia de que ele faleceu. deu um nó na garganta tão cretino que eu não consegui me mover.

daí eu me sinto na obrigação de contar pra vocês um pouco mais dessa turma, pelo menos da forma como eu a vi se formar, que começou a se juntar no colégio, ainda nos idos da 6ª série… vocês tem noção de quantos anos tem isso? não sei, sou ruim de conta desde aquela época. solange, professora de matemática que o diga. o que começou com a reunião de um ou dois gatos pingados numa sala de aula no colégio galileu virou uma coisa tão maior que todos nós, que nem fica difícil tentar explicar.

vamos começar pela 7ª série e de como eu entrei nessa galera, que é mais interessante. no começo do ano, depois de uma briga homérica com tássio, a diretora me mudou de sala, da 7ª A para a 7ª B. e o que ele fez? óbvio que foi o que qualquer pessoa faria: pediu pra ser mudado de sala também e me disse “é o destino que quer juntar a gente, brisinha.”. pode uma cara de pau, dessas? bom, mas daí surgiu o elo principal, porque era em torno de tássio que todo mundo se juntava.

(more…)

___________

certeza

e quando você quer sentir aquilo de novo, mas não lembra quando, onde nem porque o mesmo sentimento se perdeu dentro de você?20120507-144429.jpg

___________

bate paper 3

– frio aqui, heim?

– nem tanto… tô sentindo até vontade de correr pelada no meio da rua.

– QUE?

– brincadeira, menino. relaxe aí.

– ah, tá.

– mas você tava falando do frio. quer puxar assunto do nada?

– com você, sempre.

– então vamo falar na real. quer puxar assunto, fala a verdade então.

– eu quero você.

– ah, mas isso eu já sei ué…

– agora fiquei tímido.

– uma porra que ficou tímido. não guenta nem um puxão assim, é? dá pra ficar perto de mim assim não.

– mas porque você é tão bruta?

– é meu jeitinho.

– eu gosto do seu jeitinho.

– então porque reclama?

– quando a gente gosta a gente reclama de muita coisa.

– mas se tu gosta é pra gostar do pacote todo, né não?

– é verdade.

– tá disposto a receber o pacote?

– ficou estranha essa frase.

– é, nos dias ímpares eu sou estranha. nos pares eu sou chata. e segue a vida.

– eu te amo.

– pare de falar besteira e me beije logo, rapaz.

___________

porra nenhuma

você é um pândego, rapaz. acha que tudo na vida é brincadeira e que o pato nasce mesmo com dedo grudado pra fugir de casamento. acha que isso tudo pode ficar assim? solto, largado no mundo, pendente de um lado e grudado do outro… eu não sei bem definir o papel que tu tem nisso tudo, mas se tivesse que botar essa porra em uma palavra seria: cretino. é, cretinice é o que define essa relação linda loira japonesa e doida que nem o laerte de saias. mas sabe o que é foda, eu gosto disso. já bem disse aqui um bocado que curto esse padrão específico, né? ainda não fui na analista, mas ctz que ela vai me dar um diagnóstico parecido com esse mesmo: eu super curto o erro. não me ferrar em relacionamentos é de uma impossibilidade tamanha, que eu nem cogito ser diferente um dia. vaique essa é a regra da minha história, pra um dia eu escrever um livro contando esse monte de pataquada que eu vivo. falando sobre como todas as relações são cretinas, me enfurecem e eu, vadiazona, gosto. porque ser desse jeito pra mim é quase que uma bênção… ter um material fodido de confusões sentimentais pra escrever é massa. até a hora que eu achar que vai ser legal ser diferente. ou porra nenhuma, né?

___________

demorou 3

demorou, mas agora ela finalmente compreendia
não deu certo porque ele não entendia poesia

20120423-003941.jpg

___________

chatiadísima 2

acho uma puta duma sacanagem você invadir sonhos assim sem mais nem menos. quedizê… eu nem te conheço, só vi uma foto sua e PAM você acha super sincero vir torrar os pacovi do meu subconsciente.

no avatar tu só é uma cabeça flutuante, mas no meu sonho apareceu todo lindo, tatuado, falador que só, mostrando como ser daqueles machos viris e inconstantes que chamam na chincha sem pedir licença. um perigo. adoro.

na minha imaginação você bem que curtia poesia, arte, blá, tinha lido uns textos meus, se identificado com meu jeito sem padrão de escrever. ah, e falava segurando minha cintura. menino do céu, não foi muito fácil ficar conversando a dois dedos de distância de sua boca e assim, super me controlar.

foda que eu acordei antes que consumar o beijo e tal, já que os vizinhos resolveram começar uma obra lá pras 8:30 da madrugada. tô pensando em mandar uma reclamação pra síndica já que, né? quem em sã consciência atrapalha um sonho desses com um cara assim como você?

foda. nada fácil ser imaginativa hoje em dia.

*a palavra ~chatiadíssima~ é originária um meme. se não entende, um beijo.
___________

if you say…

“É hora de soltar o rosto franzido, engolir a saliva seca e apreciar o espelho… Enxergar o futuro junto do reflexo da poltrona da sala, na mesinha ao lado, com ou sem porta-retrato com a alma gêmea a vida há de ser boa, há de perdoar nossos erros e nossos impulsos, perdoar a nossa infinita humanidade que diante dos abismos das loucuras não nos permite nunca dizer não… We are young, we run free!” | Bam

___________

somebody that I used to know

you can get addicted to a certain kind of sadness
like resignation to the end, always the end
(..)

I guess that I don’t need, that though
now you’re just somebody that I used to know
(…)

now and then I think of all the times you screwed me over
but had me believing it was always something that I’d done
(…)

but I don’t wanna live that way, reading into every word you say
you said that you could let it go
and I wouldn’t catch you hung up on somebody that you used to know

___________