dispensada de salvar universos

OU NÃO

Banho quente. Sabonete com cheirinho de bebê agrada. A alfazema de sempre serve como perfume. Deixa o corpo molhado. É bom o choque do contato com o ar gélido. Arrepia. Faz sentir mais. Chet Baker no player. Lembranças de conversas de outrora. Revelações, confissões, risos, amor, sexo. Fossa? Não, seu moço. Esse coração aqui anda parado no tempo. Tensiona sentir tanta coisa que ainda não veio. O tempo é inimigo. Minutos passam de forma inversamente proporcional ao sono que não quer vir. A luz já se apagou. O monitor pisca ao longe. A lanterna do celular faz seu serviço bem. O livro da tribo diz que a página rabiscada é quarenta e seis. O verso impresso diz “para viajar, basta existir!”. Esse Pessoa sabe das coisas. Entende a infinita arte dos desejos. Sabe de meus planos. Meio do ano que vem? Quem sabe… Tudo pode dar certo. Ou não, já dizia Caetano. E a vida corre. Pula. Dança. Segue seu rumo torto. E eu sigo o meu. Não mais indo de encontro à própria vida. E sim, consciente do caminho torto que me levará até lá. Onde? Lá no alto. No centro. Bem dentro. Forte e fundo. Lá onde mora o medo do mundo.

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