diário de uma pessoa sem smartphone

dia 1

PUTAQUEPARIU JÁ ME ROUBARAM O IPHONE AÍ O MOTOROLA QUEBRA AGORA O SAMSUNG GSDJSUAHANHDGSASJSDFGSJ CARALHO!!!!!!!!!!!!

dia 2

não paro de pensar o que o ladrão pode fazer com minhas fotos e vídeos (de gatinhos). estou tendo palpitações estranhas e minha perna fica tremendo sozinha. socorr

dia 3

sonhei que o celular aparecia do nada na minha mesa e eu começava a chorar copiosamente, agarrada nele.

dia 4

coloquei o chip no meu celular antigo. consegui, depois de muito custo, instalar o viber e o twitter. o swype não funciona mais. o maps não abre. ele desliga sozinho quando vou fazer ligação. o twitter e o viber pararam de funcionar. estou chorando. vou comprar um nokia de lanterninha.

dia 5

o ônibus demorou pra chegar e eu não pude entrar no “cadê meu ônibus” pra saber onde ele tava. nem pude usar o google maps pra procurar um outro ônibus. nem pude usar o waze pra saber como tava o trânsito. nem pude ver os tweets dos @usuariometrosp pra saber se valia a pena pegar metrô. como as pessoas sobrevivem assim?????

dia 6

tava numa rua desconhecida e não sabia qual ônibus pegar. tive que pedir informação a um desconhecido e ele me respondeu certinho. não é que esse negócio de interagir com pessoas dá certo? não deu pra conferir o twitter no caminho pra casa. fiquei olhando pela janela e descobri que meu bairro tem muitas árvores e é lindo. nunca tinha reparado…

dia 7

hoje é o primeiro dia que não fico pensando se desloguei e mudei as senhas de todos os aplicativos. ai, gente… será que eu desloguei e mudei a senha de todos os aplicativos? meu deus, esqueci do gmail! vou colocar a verificação de dois passos por via das dúvidas.

dia 8

encontrei meu kindle enfiado debaixo de uma bolsa. nem sabia que tinha perdido. li um livro inteiro no caminho pro trabalho. tava com saudade de ler e nem lembrava.

dia 9

descobri que no celular antigo funciona fm. como tem estação de rádio aqui, né? fiquei até perdida em qual escolher. descobri que katy perry tá nas paradas de sucesso.

dia 10

sou outra pessoa. acho que não vou comprar outro smartphone :)

dia 11

sonhei que estava dentro duma partida de triple town e os ursos malvados ficavam batendo na minha cabeça com pedras, dizendo que eu não tinha condições psicológicas de juntar 3 arbustos e fazer uma árvore =~

dia 12

a câmera desse celular não funciona e eu me pego tirando fotos imaginárias e fazendo posts imaginários no instagram. não sei até quando posso suportar.

dia 13

MEU DEUS EU PRECISO DE UM SMARTPHONE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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clichê

tô eu lá de boa bebendo meu campari e do nada um cara começa a conversar comigo dizendo que queria me “paquerar”. e eu só consegui pensar “quem raios fala paquerar nos dias de hoje pelamordedeus?”. não só pensei, como falei em voz alta. típico. não sei exatamente como se deu o próximo momento porque eu devia estar muito bêbada e, poxa, era um acampamento, tava todo mundo meio sem noção, louco e vocês já sabem.

só sei que teve esse cara que me salvou do paquerador, começou a conversar e em dado momento ficou olhando pra mim sem dizer nada. às vezes eu acho que foram dias, anos, milênios. porra de momento que não acabava! seria bom mesmo se não acabasse, viu? tava legal ficar ali parada só olhando e tal.

não aprofundando nas coisas porque eu tenho problemas em aprofundar (e por favor não pense besteira) nas histórias, o que se seguiu foi uma sucessão de momentos lindos, loucos e emocionantes. e nego sabe que pra chegar nesses momentos lindos eu passei pela batalha dificílima de ter que ir no ebsp, num evento de sex shop e no capão redondo, só pra poder ficar com esse rapaz. sou muito esforçada.

agora temos uma casa, dois gatos L-I-N-D-O-S e uma vida juntos que vem de uma convivência tão fantástica que eu nem conto mais porque teria que derramar mais um balde de clichê por aqui.

nego, obrigada por fazer meus dias mais felizes. te amo e não é pouco. feliz dia dos namorados. <3

<3

 

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o incômodo de se incomodar

ando tendo problemas sérios de incômodo. durante a maior parte da minha vida eu tentei apenas me incomodar com o que me afetava diretamente. mas hoje eu me sinto tão incomodada com isso, que passei a me incomodar com a falta de incômodo com certas coisas. complicado, né?

o cerne da questão é que eu sei das coisas erradas que podem mudar/melhorar no mundo, na vida, no universo, nas pessoas etc, mas não sei o que posso fazer pra ajudar. a palavra não era bem ajudar, mas vocês entenderam. não sei mesmo o que fazer pra começar o processo de mudar essa relidade. e minha opção sempre foi de não fazer nada enquanto eu não soubesse realmente o que fazer.

isso dá mais incômodo ainda porque nada pior do que empurrar as coisas com a barriga, esperar pra ver se acontece algo, ficar de olho em sinais pra ver se surge algum insight. e nessa onda a gente continua levando a vida do jeito que ela quer nos levar.

aí vem outro e me diz que “o que não tem solução, solucionado está”. olha, meu caro, eu até acreditava nisso… mas –  PUTAQUEPARIU – se o problema existe é porque tem alguma solução, né? nós que não achamos ainda. nós que estamos cegos pras coisas. e eu já não enxergo bem mesmo… certeza que se a solução fosse um cheiro ou alguma coisa palpável eu já teria encontrado. maldita!

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lembrar

acordou num lugar diferente. um quarto branco estranho. um lugar que nunca havia ido antes. a única coisa familiar eram seus diários, que estavam meticulosamente desarrumados numa estante que travava a porta. percebeu que cada diário tinha um bilhete preso na capa, dizendo “leia-me”. ela pensou “pra quê? eu já sei tudo que está escrito neles”. em alguns segundos a inscrição dos bilhetes havia mudado para “você precisa lembrar”.

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vadia

minha poesia é uma puta ruim
some no mundo sem dar uma mísera satisfação
e quando volta, se volta, quer ocupar seu lugar de “direito” como se nada tivesse acontecido.

vadia.

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eu dancei!

naquele dia eu dancei loucamente. dancei porque o momento pedia, a oportunidade chamava, a música era deliciosa e não haveria nada melhor pra expurgar demônios. eu ainda não tinha o demônio no ombro esquerdo. hoje não preciso mais expurgar nada, sabe? o bem e o mal vivem em mim e ok, é isso, acabou. mas naquele dia eu estava na melhor companhia, rodeada de pretensas bruxas brancas, dançando junto com a lua, mesmo que não desse pra ver a lua dali. a bebida descia como água e a água lavava o corpo e o corpo pedia mais dança. e quando a música a acabou, fizemos nossa própria música, correndo pelas ruas e gritando pra quem merecia ouvir “eu dancei!”. eu dancei sim e dançarei sempre que o momento pedir, a oportunidade chamar e a música, deliciosa, me tomar. porque danço com a consciência de que não há maneira melhor de me expressar e dançando eu faço mais poesia do que você poderia imaginar.

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eu sou diferente de vocês

eu vou atrás, corro, faço o que precisar, dou um jeito. eu não vejo empecilho na minha frente. não importa se tá chovendo canivete, com trânsito, sem grana, eu dou um jeito. é pra ficar horas num ônibus, gastar tubos com avião, se foder no caminho? não importa. e quando eu quero, quando alguém precisa, eu faço o que for. mas essa sou eu. e eu sou diferente de vocês. eu faria mesmo diferente. mas não posso esperar que ninguém faça como eu.

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