dispensada de salvar universos

lembrar dói

lembrar de quando a poesia escorria pelos dedos e se entranhava em outros dedos por onde também escorriam poesia, dói.

é uma dor fina, porque as palavras estão lá, mas não se encontram mais. foram condenadas à liberdade eterna, a um limbo onde a escrita não é mais etérea, a navegar soltas no espaço sem se tocar.

e o que me resta é lembrar.

mas lembrar dói.

Lisboa, Março 2021

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