#dos outros


ele sabe de mim… 1

“Sou poeta, sou redondo e pequenino. Sou criança, sou bom, sou inocente. Tenho a pele macia, sou feito para o beijo e a ternura. Para o afago e a carícia. Se me envolvem com verdades e doçura, com poesia e com romance, eu me deixo conduzir com alegria. Dou a minha mão como se desse a própria alma. Entrego-me todo, viro um anjo sensual e delicado. Confio em quem me toca. Mas, se por acaso tentam me explorar; se me enganam e me mordem, eu reajo feito a salamandra: viro veneno. Se me oprimem e me engolem por maldade, produzo toxina fulminante. Ainda assim, e porque sou grande por dentro, eu sempre me salvo de quem me prende, e saio de novo para a Vida, louco e livre, como agora. E volto a ser gostoso, bem macio, poeta, doce, pequenino…

E pronto outra vez para o beijo e a lambida, para o afago e a ternura.”

Edson Marques


TUDO DENSO

Pare por aí!!
____   Eu não preciso de
______   ___Parâmetros para sentir.
____________     _Sinto…
_____            ________Desapercebidamente;
___________  ___ Despretensiosamente
________      (até mesmo pretenso).
______Mas sinto do meu jeito.
.

Meio turvo,
.
Meio louco,
.
Meio intenso,

E TUDO DENSO!


*Pedro Camena* 27/06/2008

Pieguices

Há alguns meses eu venho reclamando que não consigo escrever nenhuma poesia postável. É vero. Veríííííssimo. Encontro-me naquele período risível (e altamente chato) de hiato criativo amoroso. Normalmente isso me estressa pra caramba! Consigo ficar mais chata do que o normal… E olha que eu já sou chata³³³³³³³³!

Eis que ontem eu achei um livro antigo de poesias, perdido no meio da minha estante que anda entupida best-sellers “lista-dos-10-mais-vendidos-da-veja” style. Epitáfio para o Século XX e outros poemas – Affonso Romano de Sant’Anna. Foi como achar um oásis no meio do deserto… Caramba, eu sempre adorei esse livro! Fui relendo, relendo… Relembrando tantas coisas boas, tantas coisas antigas… Conheci as poesias dele na aula de Jailton, meu mais amado professor de Literatura e Artes.
Mas ok, ok… Isso (especificamente) não vem ao caso, agora. O importante nesse balaio todo é eu ter achado essa poesia abaixo, pela qual eu sempre fui apaixonada, e observar que se não totalmente , ela me redime um pouquinho de ficar tão chateada com o tal hiato criativo amoroso. Consegui entender que não preciso necessariamente escrever poemas de amor no papel. Posso escrever e “poetizar” de outra forma, mais lúdica até: VIVENDO O AMOR…
Como não pensei nisso antes? Acho que continuo meio lerda para pieguices…
ARTE FINAL
Affonso Romano de Sant’Anna

Não basta um grande amor
para fazer poemas.
E o amor dos artistas, não se enganem,
não é mais belo
que o amor da gente.
O grande amante é aquele que silente
se aplica a escrever com o corpo
o que seu corpo deseja e sente.
Uma coisa é a letra,
e outra o ato,
quem toma uma por outra
confunde e mente.

Wally fala por mim… HOJE

HOJE

O que menos quero pro meu dia
polidez, boas maneiras.

Por certo,
um Professor de Etiquetas
não presenciou o ato em que fui concebido.
Quando nasci, nasci nu,
ignaro da colocação correta dos dois pontos,
do ponto e vírgula,
e, principalmente, das reticências.
(Como toda gente, aliás…)
Hoje só quero ritmo.
Ritmo no falado e no escrito.
Ritmo, veio-central da mina.
Ritmo, espinha-dorsal do corpo e da mente.
Ritmo na espiral da fala e do poema.

Não está prevista a emissão
de nenhuma “Ordem do dia”.
Está prescrito o protocolo da diplomacia.
AGITPROP – Agitação e propaganda:
Ritmo é o que mais quero pro meu dia-a-dia.

Ápice do ápice.

Alguém acha que ritmo jorra fácil,
pronto rebento do espontaneísmo?
Meu ritmo só é ritmo
quando temperado com ironia.

Respingos de modernidade tardia?
E os pingos d’águadão saltos bruscos do cano da torneira
e
passam de um ritmo regular
para uma turbulência
aleatória.
Hoje…

Wally Salomão


coordenadas 4

Terceira à esquerda. Segunda à direita. Segue em frente. Passa pelo orelhão. Quando vir um sorriso à sua direita, você dobra. Quatro quarteirões. Olha pra cima. Se tiver uma nuvem, você espera ela passar. Se não tiver, entra depressa. Uma porta branca. Estreita, tem de se esforçar um pouco. Aí, só subir a escada. Mil, novecentos e vinte e sete degraus. Aí chega no trampolim. Abra os braços, pra se equilibrar bem, que um tombo agora pode ser fatal! Lá embaixo, uma piscina. Vermelha. Vermelha porquê? Ué, porque sim, ora! A água é quentinha, vai gostar. Mais divertido se pular de cabeça. Respira fundo antes, que leva um tempo pra você voltar à tona! Mas volta. Aí, umas braçadas. É preciso fôlego… Vai nadar aí por um bom tempo. Mas é gostoso, a água quentinha não te deixa ficar dolorido. Não, não tem fundo, não dá pra descansar. Faz o seguinte: de vez em quando você bóia. Põe a barriga pra cima e bóia. Igual criança. Se o céu estiver escuro, pode ir se preparando. Vai precisar ter força. Mas passa. Não dá pra se afogar, só assusta um pouco. Continua nadando. Só duas possibilidades de chegada: abismo ou praia. Se chegar na praia, melhor. É um lugar bonito. Relaxante. Tomara que seja. Se for abismo, vai doer. Mas passa. Dependendo do peso da sua alma, você vai cair por alguns minutos, algumas horas. Tem gente que cai por anos. Dizem por aí que tem gente que nunca mais pára de cair. Mas é lenda. É, não chega a ser perigoso, assim, perigooooooooso… Mas assusta. Tá, é perigoso, sim… Mas e o que não é? Depois? Ah, sei lá… Você vai decidir. O que eu sei é que você vai ter vontade de começar tudo de novo. Vai, segue em frente. Sem medo. Bota um sorriso na cara e vai. Anda! Vai! Boa sorte. Qualquer coisa, liga. Tchau.

( por André Gonçalves )


Edson fala por mim 2

Não existem verdades definitivas. O que existem são interpretações elaboradas sobre aspectos da realidade — logicamente comprováveis ou não — mas sempre necessariamente condicionadas pelo ponto de vista, pela visão do mundo, história de vida e capacidade intelectual de quem as propõe.”

Edson Marques

*Me ajudando a tirar a poeira deste blog entojado.*


12 Conselhos para ter um Infarto Feliz 1

1. Cuide de seu trabalho antes de tudo. As necessidades pessoais e familiares são secundárias;

2. Trabalhe aos sábados o dia inteiro e, se puder também aos domingos;

3. Se não puder permanecer no escritório à noite, leve trabalho para casa e trabalhe até tarde;

4. Ao invés de dizer não, diga sempre sim a tudo que lhe solicitarem;

5. Procure fazer parte de todas as comissões, comitês, diretorias, conselhos e aceite todos os convites para conferências, seminários, encontros,reuniões, simpósios etc;

6. Não se dê ao luxo de um café da manhã ou uma refeição tranqüila. Pelo contrário, não perca tempo e aproveite o horário das refeições para fechar negócios ou fazer reuniões importantes;

7. Não perca tempo fazendo ginástica, nadando, pescando, jogando bola ou tênis. Afinal, tempo é dinheiro;

8. Nunca tire férias, você não precisa disso. Lembre-se que você é de ferro (e ferro, enferruja!!!);

9. Centralize todo o trabalho em você, controle e examine tudo para ver se nada está errado. Delegar é pura bobagem; é tudo com você mesmo;

10. Se sentir que está perdendo o ritmo, o fôlego e pintar aquela dor de estômago, tome logo estimulantes, energéticos e anti-ácidos. Eles vão te deixar tinindo;

11. Se tiver dificuldades em dormir não perca tempo: tome calmantes e sedativos de todos os tipos. Agem rápido e são baratos;

12. E por último, o mais importante: não se permita ter momentos de oração, meditação, audição de uma boa música e reflexão sobre sua vida. Isto é para crédulos e tolos sensíveis…

Repita sempre : “Eu não perco tempo com bobagens”

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Recebi por e-mail e achei ótimo para o atual momento… =D


Presentinho

“Espero que você espalhe as sementes qualquer que seja a sua senda, para nunca errar o caminho de volta para casa, escreva todas as suas idas e vindas, para de vez em quando, num momento de solidão, relembrar delas para, inclusive, rir das tristezas e chorar pelas alegrias…
Espero ainda que pelo menos meia dúzia de capetinhas possa herdar a sua irreverência, sua criatividade, sua eloqüência e seus versos, para deixar bem nítido que parte de você haverá de continuar…
Espero também que sua jornada seja tão dilatada que os seus possam se dar ao direito de mudar carinhosamente a grafia do seu nome subtraindo a letra r de Brisa…”
Obrigada!

SOU EU: "SEU MOÇO"!

Ei, moça!!!
Aqui quem fala é “seu moço”!
E chego cheio de intenções.
Primeiras, segundas, terceiras…
Todas elas: boas e más.
(aliás…)
Do jeito que você cansa,
Do jeito que você gosta!

Sabe, moça…
Esse “seu moço” aqui,
não tem medo de mordida.
Nem da sua mordida raivosa!
Apesar de não ser vacinado,
Pras coisas que ferem a carne
E passam pro coração.

Mas, tenho medo não!
Quero que me morda
e morda “de com vontade”.
Com todas as intenções:
primeiras, segundas, terceiras…
Todas elas: boas e más.
(aliás…)
Do jeito que você cansa,
Do jeito que você goza!

Pedro Camena *17/05/2008*

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Ele acaba comigo…. Mas com estilo, sempre!

quando os outros falam por mim 2

“Acho que a vida anda passando a mão em mim.
A vida anda passando a mão em mim.
Acho que a vida anda passando.
A vida anda passando.
Acho que a vida anda.
A vida anda em mim.
Acho que há vida em mim.
A vida em mim anda passando.
Acho que a vida anda passando a mão em mim…

E por falar em sexo quem anda me comendo é o tempo…
Na verdade faz tempo mas eu escondia
porque ele me pegava à força e por trás…

Um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo
Se você tem que me comer
Que seja com o meu consentimento
E me olhando nos olhos…

Acho que ganhei o tempo
de lá pra cá ele tem sido bom comigo
dizem que ando até remoçando…”

Viviane Mosé


quando outros falam por mim

“Junte uma palavra à outra com cuidado. Dê-lhes um bom motivo para que dancem juntas antes mesmo de tocar a melodia. Faça com que tenham paixão mesmo que o papel seja somente branco. Aqueça os sentimentos que as carregam para que deixem aqueles que as lerão trêmulos e sedentos por mais. Amacie as palavras duras, faça mais acidas as juras de amor, exponha os medos como se fossem ervas daninhas crescendo ao sol e esconda os dons para os olhos mais treinados. Deixe mensagens para serem decifradas somente por aqueles que conhecem a mão que escreve. Ponha tudo de si em cada historia, mas seja completamente impessoal com seus personagens. Revele-se sem medo com a certeza de que nunca ninguém saberá onde termina seu eu mais intimo e começa a ficção. Explore todos os sentimentos, aqueles que conhece e muito mais aqueles que pode adivinhar no rosto dos que o cercam todos os dias, dos que contam suas desgraças na tela da TV e daqueles que sentam, mudos e anônimos, em bancos de praça e sarjetas pela cidade. Junte uma palavra à outra sempre que for possível, ou melhor, o faça todos os dias mesmo que seus membros estejam doloridos e sua cabeça pareça cheia somente da idiotice e mesmice de seu dia a dia. Faça. Escreva sem medo. É somente quando escreve que se sente plena e feliz, quando sabe que todos os fios da teia estão bem presos em suas mãos. Abra uma nova pagina. Assim…. Boa menina…”

Autoria do blog com o pé na cova e surrupiado do sempre certeiro copy-paste


achados 2

Passeando pelos favoritos de Barreirinha, me deparo com esse blog e com um texto fantástico, que transcrevo abaixo. E ó, essa menina sabe das coisas…

Um elefante incomoda muito a gente

Um elefante branco invadiu a sala da minha casa no dia do aniversário da queda das torres. Invadiu, se abancou, relaxou e agora está lá, muito bem sentado no meu sofá, com os pés apoiados na mesinha de centro.

A convivência com um elefante branco é extremamente penosa, porque ele é um animal dado a hábitos estranhíssimos. Faz toda questão do mundo de ser notado, percebido, visto; mas não nos permite qualquer contato, nem superficial, nem íntimo. Assim, ele não me permite falar sobre ou com ele; não me permite perguntar-lhe de onde ele veio, quanto tempo pretende ficar ou quando vai embora; não me permite encará-lo e nem quer que eu saiba suas intimidades. Ele se mantém lá, distante, calado, ensimesmado, e pesadamente instalado no meu lar, estacionado na minha sala, estacionando a minha vida.

Eu já tentei racionalmente convecê-lo de que o melhor seria que ele sumisse daqui, dizendo-lhe que esta é uma casa de gente feliz, que se ama e que nada tem a lhe oferecer. Porém, parece-me que o intuito dele é realmente testar nossa paciência até o limite e verificar o quão forte somos, o quanto somos capazes de seguir unidos quando ocorre um “apesar de”. Tentei dissuadi-lo desse propósito. Em vão. Ele continua lá no mesmo canto, do mesmo jeito, me convencendo (ou tentando) de que aquilo tudo em que eu acreditava, em que apostei todas as minhas fichas, aquela certeza de que elefantes brancos não existiam, era só uma brisa leve de convicção e que nada havia de perenidade nisso.

Eu sinto que ele vai embora um dia. Só não sei quando, nem como. Mas sei que, quando ele ultrapassar o umbral da porta de entrada, restará aqui dentro um coração aliviado e feliz de novo.