Yearly Archives: 2006


às vezes

Às vezes é apenas minha imaginação.
Aquele arroubo de ciúme infantil na hora errada,
O acesso de raiva incontrolada;

Às vezes é meu estado de insegurança (constante).
É um medo de ganhar e logo perder.
É a tal baixa auto-estima que escondo de mim mesma;

Às vezes é uma agressividade sem rumo,
É o desabafo, a falta de chão, o desconforto.
Uma atitude impensada em cima de outras não tão analisadas;

Às vezes é a forma do coração gritar,
Esbravejar, liberar, machucar, matar!
É a falta de paciência impressa na voz forte;

Às vezes é preocupação, cuidado ou proteção,
Medo, insegurança ou total desconexão.
É a falta de confiança explícita;

Às vezes é tanto, que tudo desaba ao redor,
E no fundo sempre nós destrói, nos corrói.
Ciúme é esse sentimento maldito
Que nunca cura a ferida, que para sempre dói.

Brisa Dalilla =11/2006=


arte malograda

O texto é estranho?
Estranha é a forma de lê-lo!
O texto é enfadonho?
Enfadonha é a forma de entendê-lo…

Meu texto é escasso de idéias inteligentes.
É todo se métrica, rima ou certeza.
Não é bonito, nem chamativo.
Não é interessante, nem altivo.
Meu texto não é para ser lido,
Ou quiçá entendido,
Por qualquer um de vocês.

Um, dois, três.
Ponto, linha, traço.
Rasga-se a folha,
Lê-se o pedaço. Rasgado…
A idéia foi maltratada.
O texto que já não era nada,
Foi-se.
Rasgou-se no tempo e espaço.
Não há mais ponto, linha ou traço.

E aqui, simplesmente desfaço,
Toda essa tentativa infundada,
De escrever-te ou traduzir-te
Arte malograda.

Brisa Dalilla =08/2006=


paixão inexata

Se ela insistir em vir
(paixão inexata, abstrata),
Deixe que chegue depressa.
Que arrebate os sentimentos,
Que transforme momentos,
Que ilumine o semblante
E não arrefeça o fogo iminente.
Deixe que chegue do seu jeito,
Mandando no peito.
Cheia de força, graça,
E, é claro, pirraça!
Deixe que destrua
Ou então que cure.
Faça com que cresça
E permaneça.
Que seja diferente,
Intransigente ou eloqüente.
Mas que apenas seja
O que há de ser,
Paixão inexata e abstrata
Que insiste em acontecer.

Brisa Dalilla =03/2006=


Transição… Ou começo da loucura?

Essa poesia foi feita em 24/04/2004. Achei perdida nuns rascunhos escondidos de mim mesma. Mas apesar disso, essa poesia reflete a minha realidade neste momento. A realidade de estar em busca duma inspiração fugidia. Em busca de algo que eu não sei bem o que é…

Essência

Preciso de inspiração…
Mas não da que uso para escrever meus textos e poesias.
Quero de volta a inspiração para a vida!
Para olhar para trás e ver o quão bom foi meu dia.
Para sentir de volta alegria,
Até na hora de acordar.

Ah!
O que há?
Não sei mais o que faço…
Se estou só levando a vida
Ou realmente vivendo.
Onde está a essência?
Onde está a vivência?
Onde está a vontade de melhorar?

Se parar pra pensar:
“O que levei de bom desse tempo?”
Nada.
Não sobrou nada.
Nada do que fui,
Ou nada do que eu pensava que era.

Brisa Dalilla =24/04/2004=



E ela disse:

Rasga essa felicidade na boca,
Rasga essa coisa contida
E tão condensada em você.
Vai menina, e rasga mesmo
Essa sua displicência eterna,
Que camufla nessa moça etérea,
Uma submissão ao que a vida decide.
Ah, mais isso é só cinema,
Arte que mais se aplica a ela,
Que dirige, produz e contracena,
O que no seu filme decide ela.

Diva Brito
14/09/2006

(Inspirado em Brisa Dalilla)

Quem sou eu pra desdizer?


PRESENTE

Acham que busco a segurança.
Mas na verdade,
É a liberdade que me prende.
E estar solto talvez seja
O ponto chave,
Da forma de fazer dar certo.
É o estar perto,
Sem a total exigência.
É a relação alma com alma,
Ultrapassando limites do corpo,
Transmitindo uma calma
Que não termina quando você se vai.
Meu presente a você,
É minha presença em seu viver,
Hoje, comigo – honesta e intensamente.
O amanhã não é mais hoje,
E tolo é o que mente
Dizendo do que depende o amanhã,
Sem saber que a dependência é do que se sente…

Brisa Dalilla =06/06=


POETISA ENFERRUJADA

Sede eterna de emoção,
Ânsia de elevar-se,
Necessidade de criação.
Poeta não tem caminho certo,
É um artista sem direção.
Quer sorver todo pensamento do mundo
E transformar em arte arredia,
Preenchendo essa folha vazia,
Sedenta de tinta, letra e sentimento.
Quer ser todo esse tormento,
Quer ser tudo que não vai passar.
E não há como ter um controle,
Pois não consegue parar de versar.
Se não escrever,
O que haverá de fazer
Com suas idéias loucas
(que – acreditem – não são poucas)?
Não pode parar de criar,
De pensar, versar e realizar.
Pois apesar de ser a tão falada “poetisa enferrujada”,
O tempo para ela já não passa mais.
Ficou parado em algum lugar, lá atrás.
No redemoinho de pensamentos e/ou momentos,
Com sentimentos que não voltarão
Nunca mais…

Brisa Dalilla =04/09/2006=
[Em Vitória da Conquista]


VERDADES-MENTIRAS II

Eu escrevo para que você veja
Minhas verdades-mentiras,
Escancaradas como meu jeito rude.
Porque a tal verdade-mentira
Vai me ferindo,
Lenta e dolorosamente.
E o dia que conseguir livrar-me dela,
Será um dia de redenção!
E ela não machucará mais a mim,
Mas sim a outro coração burro,
Outra mente desgovernada,
Outro corpo usado,
Outra pessoa inconseqüente,
Ou algo mais parecido com gente…

Brisa Dalilla =10/10/05=


VERDADES-MENTIRAS

Espero verdades
Que vêm em forma de mentiras.
Que me ferem sem dó nem piedade
E me obrigam a passar a mentir.
Então eu finjo acreditar
Nas tais verdades-mentiras,
Só pra agradar tua vontade…

Brisa Dalilla =06/10/05=


LIVRES

Você não vai direto ao assunto
E não vem com calma
Na hora de me conquistar.
Você é meio teimoso,
Um misto de determinado e manhoso,
Não era nada do que podia esperar.
Você acredita no que deseja,
Monta, arquiteta e planeja
Antes de se decidir.
Lembra-me uma locomotiva grande e lenta,
Que anda devagar, mas impõe força,
Sem sair dos trilhos uma vez sequer.
[Mas não sei se tenho a força de te segurar!]
Ah, meu falso sonhador!
Teu ceticismo me deixa insegura,
Pois você não acredita em mm.
No meu abraço, no meu afago,
Ou no meu amor…
Minha salvação é saber que,
Apesar de duvidar de mim,
Nunca vai me esquecer!
Ou esquecer nossa música,
Ou nosso primeiro beijo,
Ou nosso primeiro amor.
Dou-te este beijo de despedida,
Pois não sei se vou voltar.
E não há mais com o que se preocupar.
Agora estamos livres,
Pra ficar aqui ou para voar…

Brisa Dalilla =31/08/05=


VOCÊ

Você chega sem saber meus segredos.
Faz medo!
E teu excesso de malícia me faz sentir esse medo gostoso.
Um estranho frio na barriga que entorpece o corpo.

Você chega com essa cara lavada,
De homem decidido.
Com fome, com ânsia…
Exalando libido!

Você chega com uma sutileza inconfundível,
Que nos fim das contas só me confunde mais!
Deixando-me tão à vontade para ser quem sou
E ao mesmo tempo me inibindo de ser só sua.

Você chega pra me mostrar
Que não era nada do que eu havia planejado!
Mas talvez por isso seja o que me faltava.
O avesso da minha máscara…

Você chega para me fazer te odiar,
Por conseguir me fazer de boba tantas vezes sem que eu perceba.
Ou por me fazer de boba, e mesmo percebendo,
Eu te dar uma sétima chance.

Você chega pra mim
Do mesmo jeito que chegaria para outra.
Ma não me importa,
Eu não ligo.

Você chega meio incomum.
Diferente desse, deste ou daquele.
E me olha de um jeito que só você consegue,
E me olha de um jeito que você nem percebe.

Você chega afundando as mãos em mim.
Segurando com força para que eu não fuja,
Pois sabe que eu tenho mania de fugir,
E sabe que é difícil me segurar.

Você chega para me revelar,
E mostrar coisas que eu não conheço.
E mostrar coisas que eu não sinto.
E mostrar coisas que eu não vejo.

Você chega para me completar,
Pra me acompanhar.
E mesmo assim consegue me deixar tão vazia.
Tão segura e ao mesmo tempo tão sozinha.

Você chega do mesmo jeito que vai.
Você me afaga, me beija, me atrai,
E simplesmente sai da minha vida!
Deixando-me sozinha no mesmo ponto de partida.

Brisa Dalilla =2005=


Brisinha Serelepe

Olha só a ambigüidade dos seus cabelos
Um paradoxo que causa tremor
Anjo nos cachos
Perverso na cor

Menininha séria,
Mulher que não cresceu,
Que lugar tão distante é esse que vai
Quando se esconde nos seus pensamentos?

Ah! Responde também
Onde achou o tom que cobre tua pele
Esse branco lhe cai tão bem!

Pra cada dia tem um nome,
Se quer um ar de Lolita,
Porque não Dalilla?

Ela quando chega avisa
Às vezes deixa que a vida a leve
Como papel na ventania
Às vezes ela leva a vida sendo o próprio vento,
Sendo a própria Brisa.

Milena Palladino (2006)

*Brigada Mi!
Te amo!


EU PODERIA

Eu poderia escrever aqui uma poesia minha.
Seja pra lhe deixar intrigado, desarmado,
Ou apaixonado.

Ah! Eu sei o que poderia!

Poderia recitar um canto
E te deixar preso num espanto – louco – ao ouvir
Minha forma descrente e incongruente
De fazer meus versos, retrocessos e sons.

Eu poderia fazer um texto diferente:
sem ponto nem traço sem métrica sem espaço
sem pingos nos is e sem regras tardias

Ah! Eu sei o que poderia.

Eu até poderia te mandar à merda de um jeito doce.
Aí você veria que não sente,
E que tudo que eu digo e escrevo se desmente.
Que por si só, esse jogo de leva e trás é uma mentira fria.
É um refluxo de idéias ininteligíveis
De um alguém que estando tão sem ter o que fazer
Fez ARTE!
E arte é coisa de mentiroso, eu sei.
Eu sei que até eu mesma poderia me chamar de mentirosa.

Eu sei, porque eu sei.

Ah! Eu eu sei o que poderia.

Brisa Dalilla =10/08/2006=

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