falha do amor

ela senta na cama e sonha.
perde-se num tempo (in)existente e longínquo.
perde-se no redemoinho dos próprios pensamentos.
perde o rumo, perde o tino.

canta ópera de mentira para as paredes.
se encanta com a própria imagem nos espelhos.
julga-se linda, ainda que esquecida
pelas ondas insanas dos cachos de seus cabelos.

ela senta no chão e chora.
é tudo tão frio, tão sem sentimento.
ela corre o mundo todo, gritando ao tempo
que um dia se perderá na curva do vento.

canto solene num pranto enxuto,
da garota sem rumo, da mulher vazia.
que julga existir apenas por uma falha do amor
que concebeu seus encantos naquela estranha noite fria.

Brisa Dalilla =13/11/2008=

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