#poesias


RIP 1

o retrato se mostra calado
esperando o tempo passar,
e meu gosto, aqui, não provado
querendo a fome matar.
na chuva e na bossa
o medo faz troça
com o desejo,
e o o que não vejo
é o mundo em segredo
escondido de todos e de si mesmo.
prevendo o enredo
que agora entendo
e mostro ao solene papel,
me perdi na rima
que se jogou de cima
do 14º andar
só porque cansou de esperar.

brisa dalilla =13/06/2010=

___________

papa don’t preach 1

minhas cicatrizes são mapas
meu erros, escadas
para alguma tranformação
que não sei onde vai começar
ou terminar

minhas dores são besteiras
as crises, passageiras
para algum objetivo infantil
que não sei porque acontece
ou se esquece

minhas lágrimas são preces
as poesias, exegeses
para algum livro esquecido na estante
que não sei se vai ser pedra
ou diamante

minhas horas são dedos mínimos
os pecados, infindos
para alguma tristeza inesgotável
que não se sabe desnecessária
ou inevitável

Brisa Dalilla =27/10/2008=

___________

TUFÃO 1


Começo por onde devo.
Me apego.
Não me nego!
Me entrego
E aceito.

Envolvo.
Comovo.
Com meu entojo
E minha alma transtornada.

Viro pulsação pura.
Rasgo a roupa!
Te [e me] sinto. Chego ao êxtase.
Gozo até a última gota…

Amo, estremeço
E entorpeço.
Aí pronto, acabou?
Não… Isso não acaba,
Não finaliza!
Até que o
tufão em meu corpo
Finalmente vire
brisa

Brisa Dalilla =07/09/2008=

___________

difícil 2

difícil tentar dizer, quando não há nada a ser dito
difícil acreditar no que não está escrito
difícil ver as coisas com olhos crédulos

difícil acreditar nas pessoas que amamos
difícil se desfazer de histórias passadas
difícil tentar ser a perfeita namorada

difícil passar por cima de tudo
difícil ter calma, com o coração doendo
difícil tentar se fazer confiar a todo instante

difícil ser tudo que sou
difícil não aprender com meus erros
difícil ter de esconder tanto medo

[…]

difícil é deixar de enxergar tudo difícil…

Brisa Dalilla

___________

Gerundismos 3

Vou deixando o tempo passar,
o dia acabar,
a semana terminar

Vou deixando de lembrar,
deixando de desejar ,
deixando de pensar

Vou deixando a vida me levar,
sua vida lhe guiar,
nossa vida se afastar

Vou deixando pessoas se aproximarem,
novos rostos se mostrarem,
outros sentimentos brotarem

Vou, pouco a pouco, deixando você me deixar,
deixando você não me escolher,
não exigindo que venha me ver

Vou deixando o pensamento devanear,
meu coração se preparar,
deixando o fim se anunciar

Vou deixando de dizer,
deixando a vontade arrefecer,
deixando de ser mais você

Vou deixando de acreditar,
deixando de te esperar
e começando a cantar:

*“Just live your life…”

Brisa Dalilla =27/01/2009=
___________________________________

*Apenas viva sua vida
___________

contando mentira

porque não bateram na minha porta?
porque esconderam de mim toda história?
calei, me escondi, emudeci…
depois de tudo que ouvi
contado por alguém
que pra mim é ninguém.
mas eu sinto além,
penso além,
vejo além…
afinal, quem sou eu além de uma
LOUCA?
doida varrida,
desencontrada na vida,
totalmente sem voz.
e, ao fim, ficamos aqui
todos nós,
juntos
e sós.
vivendo e contando mentira
de tantas vidas
deixadas pra trás…

brisa dalilla =03/06/2009=

___________

I wanna be a vampire 1

Sugar o sangue,
Sugar o que ferve…
E que a luxúria me enerve!
Entretida no transe,
Sem qualquer pudor…
Faça-me sentir calor!
Ferva-me,
Entretenha-me,
Camufle-me.
Componha-me versos,
Cheios de retrocessos
E encharcados de prazer.
Sorva-me,
Sugue-me…
Sou tua,
Mas só até o amanhecer!
Crepúsculo de uma cor só.
História insana de corpos
Que não podem ser um só.
Vontade de um só?
Ah, então não há
De acontecer…
Para consumar o prazer
Todos tem de estar
Numa só vontade,
Onde só a luxúria diz a verdade,
Onde o coração não dita regras,
Onde o vampiro sou eu,
Não você…

Brisa Dalilla

___________

mots sincères* 1

(eu falo por…)

-você-

dormir cansado (do mundo).
acordar cansado (de tudo).
perecer…

per-ma-ne-cer…
isso está tão errado,
e só você não vê.

tempo? não há tempo.
o momento não vivido
não arrefece o sentimento.
só potencializa,
aumenta,
define.

meus fantasmas rondam, ameaçam…
sobrevoam a névoa longínqua onde ela se esconde.

“poderia viver?
saberia durar?
tentaria fugir por nada?”

ora, mas deveria me preocupar? calma, calma…

está tudo voltando a sua configuração inicial…

(eu falo por…)
-ela-
sei que você entrega a alma
inteira ou repartida
ao jogo desse tabuleiro.
e o jogo é real,
com rainhas, cavalos, peões.

como que peça mesmo você
vai jogar?
ah, rainha! claro…
sei que é nobre demais
para se trair tão estupidamente.

você é mais forte. m a i s   f o r t e… MAIS FORTE!
(que todos nós, olhe bem…)
pensa que
v  a  i  ,   v  a  i  ,   v  a  i  . . .
cair,
____cair,
________cair…
bem assim… d e v a g a r i n h o…

mas o sentimento é puro, forte e grande.

eu deveria tentar atenuar,
fazer sucumbir,
como manda meu interesse interno.
mas o interesse externo total,
insiste em mantê-lo de pé.


“poderia morrer?
saberia lutar?
tentaria vencer com alma?”

olha… me ouça…

as coisas não são necessariamente assim
simplistas e simplórias…
só lhe basta colocar os óculos

(caros e estilosos)
e ver que
só você pode cuidar disso tudo…

(eu falo por…)


-mim-
será que o verbo que os une
vai chegar então ao fim?

“no meu sonho tenho o mar,
tantos pontos para alimentar”

não há calma
nessas palavras sinceras.
vêm aos borbotões,
não param de escorregar
por meus dedos
curtos e grossos.

palavras ditas por dedos presos em nós…
palavras sentidas por sentimentos sós.
apenas palavras…
cortantes e doloridas,
de uma alma ferida.

tempo? não há tempo.
há o momento
onde não nos dissociamos.
onde nos fundimos
em diversas partes totalmente
desiguais.
e mais,
não há necessariamente
ganhar ou perder.
a decisão não cabe a ele,
muito menos a você.
só existe uma necessidade imensa
de viver,
de conviver.
e de ser,
ou de deixar de ser.
nós contigo,
e ele com você.

Brisa Dalilla =10/11/2008= 03:23h

______________________________________________
*mots sincères – palavras sinceras
___________

Importância 1

A ninguém importa
Essa ansiedade desmedida,
Essa falta de calma,
Essa vontade incontida.
A ninguém importa
Minha falta de chão,
Minha necessidade de ar,
Ou minhas crises sem razão.
(Esse ar que necessito
É o ar da liberdade.
É a possibilidade
De ter todas as possibilidades.
Sempre solta, aberta,
Livre para o mundo
E poder, quando quiser,
Cair no azul profundo.)

A ninguém importa
Minhas tantas viagens loucas
Minha insatisfação inintendível
Minhas pobres palavras soltas
A ninguém importa
E realmente nem poderia
Cada um sente da sua forma
E só eu entendo minha poesia…

Brisa Dalilla

___________