Uncategorized


água salgada 2

chorar

lavar os olhos da alma

fazer sair tudo o que está preso

incrustado no que sobrou do coração

partido, esquecido

agora molhado

pela água salgada

que não é do mar

mas, se deixar, afoga

(ou afaga)

eu quero poder chorar no mar

sem me preocupar

em ter pra quem voltar


diário de uma pessoa sem smartphone 5

dia 1

PUTAQUEPARIU JÁ ME ROUBARAM O IPHONE AÍ O MOTOROLA QUEBRA AGORA O SAMSUNG GSDJSUAHANHDGSASJSDFGSJ CARALHO!!!!!!!!!!!!

dia 2

não paro de pensar o que o ladrão pode fazer com minhas fotos e vídeos (de gatinhos). estou tendo palpitações estranhas e minha perna fica tremendo sozinha.

dia 3

sonhei que o celular aparecia do nada na minha mesa e eu começava a chorar copiosamente, agarrada nele.

dia 4

coloquei o chip no meu celular antigo. consegui, depois de muito custo, instalar o viber e o twitter. o swype não funciona mais. o maps não abre. ele desliga sozinho quando vou fazer ligação. o twitter e o viber pararam de funcionar. estou chorando. vou comprar um nokia de lanterninha.

dia 5

o ônibus demorou pra chegar e eu não pude entrar no “cadê meu ônibus” pra saber onde ele tava. nem pude usar o google maps pra procurar um outro ônibus. nem pude usar o waze pra saber como tava o trânsito. nem pude ver os tweets dos @usuariometrosp pra saber se valia a pena pegar metrô. como as pessoas sobrevivem assim?????

dia 6

tava numa rua desconhecida e não sabia qual ônibus pegar. tive que pedir informação a um desconhecido e ele me respondeu certinho. não é que esse negócio de interagir com pessoas dá certo? não deu pra conferir o twitter no caminho pra casa. fiquei olhando pela janela e descobri que meu bairro tem muitas árvores e é lindo. nunca tinha reparado…

dia 7

hoje é o primeiro dia que não fico pensando se desloguei e mudei as senhas de todos os aplicativos. ai, gente… será que eu desloguei e mudei a senha de todos os aplicativos? meu deus, esqueci do gmail! vou colocar a verificação de dois passos por via das dúvidas.

dia 8

encontrei meu kindle enfiado debaixo de uma bolsa. nem sabia que tinha perdido. li um livro inteiro no caminho pro trabalho. tava com saudade de ler e nem lembrava.

dia 9

descobri que no celular antigo funciona fm. como tem estação de rádio aqui, né? fiquei até perdida em qual escolher. descobri que katy perry tá nas paradas de sucesso.

dia 10

sou outra pessoa. acho que não vou comprar outro smartphone 🙂

dia 11

sonhei que estava dentro duma partida de triple town e os ursos malvados ficavam batendo na minha cabeça com pedras, dizendo que eu não tinha condições psicológicas de juntar 3 arbustos e fazer uma árvore =~

dia 12

a câmera desse celular não funciona e eu me pego tirando fotos imaginárias e fazendo posts imaginários no instagram. não sei até quando posso suportar.

dia 31

#RIP ✨


O Bilhete no Fim – Paulinho Moska

Me perdoe a impaciência
Pr’eu te perdoar também
Já estou muito atrasado
Pro foguete que não vem

Mas mesmo assim
Eu sigo meu caminho
Pela trilha secreta
Se o chão é de espinho
O céu ainda me afeta

Ao lado da parede
Tem uma porta aberta
E embaixo do tapete
O meu bilhete na certa
Que diz:

Me perdoe a impaciência
Pr’eu te perdoar também
Já estou muito atrasado
Pro foguete que não vem…


Belo belo belo

Belo Belo
Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.

Tenho o fogo de constelações extintas há milênios.
E o risco brevíssimo – que foi? passou – de tantas estrelas cadentes.

A aurora apaga-se,
E eu guardo as mais puras lágrimas da aurora.

O dia vem, e dia adentro
Continuo a possuir o segredo grande da noite.

Belo belo belo,
Tenho tudo quanto quero.

Não quero o êxtase nem os tormentos.
Não quero o que a terra só dá com trabalho.

As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:
Os anjos não compreendem os homens.

Não quero amar,
Não quero ser amado.
Não quero combater,
Não quero ser soldado.

Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.

Manuel Bandeira

—–

(…)
Sem saber o que fazer e/ou dizer…


Então… 1

E aí que eu tenho uma necessidade incontrolável de mudar. Sempre, forte, para todos os lados. E sabe quando você está se sentindo “a-mesma-coisa-de-sempre”? Pois é, tô me sentindo assim. Então tá na hora de botar o papel e a caneta na mão e começar a fazer as listinha de coisas a melhorar/mudar/adaptar. Gosto dessas fases. Têm sabor acre no começo, ok, admito. Mas o gosto de buballo de tuti-frutti que vem depois é maravilhoso!

E vâmo que vâmo, que enquanto os cães ladram a caravana tá passando!
E essa carona eu não perco jaméuris (piada interna)!

;*


Transição… Ou começo da loucura?

Essa poesia foi feita em 24/04/2004. Achei perdida nuns rascunhos escondidos de mim mesma. Mas apesar disso, essa poesia reflete a minha realidade neste momento. A realidade de estar em busca duma inspiração fugidia. Em busca de algo que eu não sei bem o que é…

Essência

Preciso de inspiração…
Mas não da que uso para escrever meus textos e poesias.
Quero de volta a inspiração para a vida!
Para olhar para trás e ver o quão bom foi meu dia.
Para sentir de volta alegria,
Até na hora de acordar.

Ah!
O que há?
Não sei mais o que faço…
Se estou só levando a vida
Ou realmente vivendo.
Onde está a essência?
Onde está a vivência?
Onde está a vontade de melhorar?

Se parar pra pensar:
“O que levei de bom desse tempo?”
Nada.
Não sobrou nada.
Nada do que fui,
Ou nada do que eu pensava que era.

Brisa Dalilla =24/04/2004=



E ela disse:

Rasga essa felicidade na boca,
Rasga essa coisa contida
E tão condensada em você.
Vai menina, e rasga mesmo
Essa sua displicência eterna,
Que camufla nessa moça etérea,
Uma submissão ao que a vida decide.
Ah, mais isso é só cinema,
Arte que mais se aplica a ela,
Que dirige, produz e contracena,
O que no seu filme decide ela.

Diva Brito
14/09/2006

(Inspirado em Brisa Dalilla)

Quem sou eu pra desdizer?


PRESENTE

Acham que busco a segurança.
Mas na verdade,
É a liberdade que me prende.
E estar solto talvez seja
O ponto chave,
Da forma de fazer dar certo.
É o estar perto,
Sem a total exigência.
É a relação alma com alma,
Ultrapassando limites do corpo,
Transmitindo uma calma
Que não termina quando você se vai.
Meu presente a você,
É minha presença em seu viver,
Hoje, comigo – honesta e intensamente.
O amanhã não é mais hoje,
E tolo é o que mente
Dizendo do que depende o amanhã,
Sem saber que a dependência é do que se sente…

Brisa Dalilla =06/06=


POETISA ENFERRUJADA

Sede eterna de emoção,
Ânsia de elevar-se,
Necessidade de criação.
Poeta não tem caminho certo,
É um artista sem direção.
Quer sorver todo pensamento do mundo
E transformar em arte arredia,
Preenchendo essa folha vazia,
Sedenta de tinta, letra e sentimento.
Quer ser todo esse tormento,
Quer ser tudo que não vai passar.
E não há como ter um controle,
Pois não consegue parar de versar.
Se não escrever,
O que haverá de fazer
Com suas idéias loucas
(que – acreditem – não são poucas)?
Não pode parar de criar,
De pensar, versar e realizar.
Pois apesar de ser a tão falada “poetisa enferrujada”,
O tempo para ela já não passa mais.
Ficou parado em algum lugar, lá atrás.
No redemoinho de pensamentos e/ou momentos,
Com sentimentos que não voltarão
Nunca mais…

Brisa Dalilla =04/09/2006=
[Em Vitória da Conquista]