~mto chatiado~

“ford estava cantarolando algo. era apenas uma nota, repetida em intervalos regulares. ele queria que alguém perguntasse o que estava cantarolando, mas ninguém perguntou. se alguém tivesse perguntado, teria respondido que estava repetindo várias vezes o início de uma canção de noel coward chamada ‘mad about the boy’. alguém diria, então, que estava cantando apenas uma nota, e ele responderia que, por motivos que lhe pareciam óbvios, estava omitindo a parte do ‘about de boy’. ficou muito chateado, já que ninguém lhe perguntou nada disso.”

a vida, o universo e tudo mais - douglas adams
.
___________

ponto de virada

Gosto de procurar pontos de virada em relacionamentos. Como, por exemplo, o momento exato em que uma pessoa que te fazia bem, passa a te fazer mal. E você fica com duas opções: sofrer por tentar continuar junto ou sofrer por ter que se afastar. Pelo menos na segunda opção existe a “garantia” de um dia passar a dor. Ou não.

“I chose to feel it and you couldn’t choose. [...] Live throug this, and you won’t look back.”

___________

wrong

começou o dia querendo existir fora dali. fora daquele espaço ínfimo e também fora de você. pensava ter conseguido, mas o passado recente insistia em martelar bem de mansinho na sua cabeça. queria fugir das possibilidades que não eram mais possibilidades. escapar da maldição do “e se”… nossa, como ela detestava o “e se”. mas você continuava grudado em todo pensamento que surgia. junto com o “e se”. e, bem… não dava pra fugir. não assim. pelo menos ainda não. enquanto ela não percebesse tudo que estava por trás daquela atitude final, nada acabaria. e realmente foi aquele não disfarçado de “vou ali e já volto” já que mudou tudo. que fez com que ela trançasse os próprios pés e caísse bem ali. naquele mesmo lugar de onde ela, rodeada de palavras soltas infernizando seu dia, tentava lembrar da última vez que havia sentido algo daquela forma. no fim das contas, concordo que ela gosta mesmo é de sofrer. até porque quando dói é muito mais bonito…

Continue reading

___________

todos ao vento

a palavra é o que une e o que separa…
é preciso saber sentir. saber pensar.
saber falar. saber calar.
essa é a ciranda de roda que me embala.
que cala a fala.
que confunde a mente
em tudo que se pensa e/ou sente.

o que é pensado e sentido
logo remete à emoção.
a confusão desastrada
que ultrapassa o simples limite da razão.
via de mão dupla, onde não se sabe
por qual caminho trilhar.
o falar ou o calar…
o sentir ou o pensar…

ah! que venham todos!
venham me desafiar!
fazer infringir minhas próprias regras.
mudar conceitos, transformar.
pois eu sou a reencarnação do caos.
a palavra de ordem fora da ordem.
o pensamento solto, sem rédeas.
a idéia que ainda não surgiu.
o sentimento perdido.
o saber desconhecido…

que venham todos!
todos ao vento, que eu sou BRISA.

pedro camena e brisa dalilla =05/05/2008=

___________

whatever

isso tudo poderia ser simples. poderia não me fazer tão abatida, tão fraca, tão suscetível. isso tudo poderia ser tão fácil. não precisaria ninguém sofrer, chorar ou ficar com a sensação de perda, de falta… isso tudo poderia ser tão mais vivo, vívido ou até mais vivido. poderia ser mais, simplesmente por ser, mesmo sem motivo aparente ou satisfação a dar para o mundo. poderia ser tão intenso, quanto os poucos momentos de luz fraca, sons inebriantes, lençóis novos e sensações indiscretas. isso poderia ser tão lindo, tão gostoso, tão sem palavras como as palavras que ninguém nunca consegue dizer. mas fica aqui o sentimento indigesto, a conversa travada, o dito pelo não dito. sobra uma tristeza estranha, uma indecisão tacanha e a vontade de fazer alguma coisa diferente pra que as coisas, então, sejam diferentes. resta a visão opaca de tantas lágrimas, o gosto amargo de não ter mais gosto algum e a certeza de que nenhuma certeza há de vingar.

___________

vice-versa

não me olhe…
me devore,
me toque
e
me molhe.

sinta-me quente,
interna
e   d e m o r a d a m e n t e.

vontade pungente,
indecente,
além do momento
presente.

me receba
e
me escreva.
reproduza meu sexo
em texto desconexo
com seu dedo gentil.

e no ardil
que se mostra,
através do desejo
dito sem portas,
escancare as nossas!
fujamos do trivial!
estrapolemos nosso normal!
traduzamos nosso querer
em poder
de mim pra você
(e vice versa, como queira fazer).

entreveja nos meus sons
o furor,
que mistura nosso tons.
complete-me com teu gosto
esteja disposto
tranforme o oposto
rasgue meu rosto
enquanto eu
aqui, estupefata, me contorço
de vontade.

e recomeço
o conto
que conta o ponto
que fecha a realidade,
que nada mais é
que a verdade.

(não me olhe…
me devore,
me toque
e
me molhe…)

Brisa Dalilla

___________