entojo


About entojo

É alma que não se cala; Palavra que tira de tempo; Transbordo de sentimentos... Não é sopro, nem é v e n t o; É livre, leve e solta; É ar em m o v i m e n t o…

rascunho

nunca fui boa em desenhar rostos, mas o seu eu queria gravar de alguma forma. dali a alguns meses você estaria sei lá onde e eu ia ficar aqui apenas com lembranças meio perdidas. e eu sou péssima com isso de lembrar… logo você ia virar um cheiro, sabe? aquele cheiro particular que quando eu sentisse em alguma outra pessoa, me faria lembrar de tudo. e eu queria lembrar é de seus traços, as cavidades e reentrâncias de cada milímetro da sua pele, sua textura… eu queria mais. eu queria mais desde sempre, claro, óbvio, ok. mas “mais” era o que você não podia dar e eu sabia. eu sabia e ainda assim insistia que deveria lembrar de você de alguma forma. rascunhei uns poucos traços com um grafite velho que eu carregava na bolsa, numa folha vazia do caderno que você me deu. sempre foi tão fácil me agradar, né? acho que era mais por você saber exatamente o que fazer pra me agradar. ou saber me ler. saber que aquele espacinho onde eu guardava meus pensamentos era tão ou mais importante que qualquer coisa. era fácil me ler simplesmente porque qualquer coisa que eu escrevesse era um sinal. eu não gosto de desperdiçar palavras. nunca gostei de dizer coisas em vão. mas só você sabia disso. e cada traço a mais que eu desenhava, parecia dizer exatamente isso. exatamente o que eu deveria rascunhar, pra lembrar e remoer quando você partisse: eu nunca encontraria alguém que me descobrisse mais que você, nessa vida.


acordes da urgência 1

teu beijo às vezes é ânsia,e a vontade é uma constância.
teu beijo provocativo é forte,
mesmo assim, não é querer de morte…
nunca foi desejo finalizado,
nem nada tão arquitetado.teu beijo sôfrego,
quando quente, derrete na minha boca.
teu beijo urgente,
só funciona para a minha exagerada falta de urgência.
e acaba por combinar com o meu,
independente de como meu beijo for…

mas estar preso na minha magia,
é ter que crer na fantasia
de se ter um ao outro,
mesmo assim ser livre, leve e solto.
é estar amarrado pela força do beijo,
pela união da urgência ao desejo,
mesmo sendo duas almas em estágios distintos.

diferença nem sempre é incongruência,
mas a inconstância faz parte de mim.
vou e volto, como quero e quando quero,
espero sempre ser assim.
e quero que aprenda comigo,
pois muito tenho a lhe ensinar,
como descobrir os acordes certos,
quando a melodia gêmea chegar.
e saber que mesmo em tons diferentes,
a música toca em qualquer lugar.

brisa dalilla =06/06=



detrás

você prende meus pulsos atrás do pescoço e eu não sei como começar a te contar toda a verdade. mesmo assim, começo. temos sempre que começar de algum lugar, não é?

eu não sou nada disso que você vê, muito menos o que digo. eu não sei exatamente de que matéria fui feita pra ser assim estranha. enxergo significados em coisas que não deveriam e tenho toda a gama de maus sentimentos existente dentro do peito.

não sei ser amada. não sei me deixar ser amada. destruo cada possibilidade disso em segundos, como se – sim – isso fosse o normal a ser feito, mesmo antes tendo criado uma realidade paralela onde tudo aquilo poderia quem sabe funcionar.

não sei fazer carinho. tudo que faço é meio no automático, como se aquilo fosse coisa trivial normal banal. e no fim das coisas sei que não é. sei o que significa para as outras pessoas. eu apenas não dou a mínima, não ligo. se sinto agora, não quer dizer que nos próximos cinco minutos vou continuar a sentir. nem quer dizer que eu não volte a sentir. entendeu? nem eu.

entendo minha vida – ou seja lá o que isso realmente for – como um filme. e eu ali, meio perdida no roteiro, tento transformar a meu bel prazer tudo em drama. vezenquando uma comédia, porque eu devo ter um pouco disso enfim. mas no final é tudo muito denso pra ser analisado por qualquer um.

você solta meus pulsos detrás do pescoço e eu não sei como terminar de te contar toda a verdade. então eu só te beijo.


if you say…

“É hora de soltar o rosto franzido, engolir a saliva seca e apreciar o espelho… Enxergar o futuro junto do reflexo da poltrona da sala, na mesinha ao lado, com ou sem porta-retrato com a alma gêmea a vida há de ser boa, há de perdoar nossos erros e nossos impulsos, perdoar a nossa infinita humanidade que diante dos abismos das loucuras não nos permite nunca dizer não… We are young, we run free!” | Bam


oi você. 5

você mesmo. que me olha e não me vê. que não enxerga e não me lê.

não me lê e não me entende.

você que deveria ser mais. você que costumava ser tudo e agora nada faz.

você por quem despedaço cada fio de aço de minha proteção.

você que não vê céus nem pisa no chão.

você que não me entende.

a quem me mostro e não me sente.

que não busca entender nem ver nem querer.

você, que mesmo de óculos não vê!

você. quem é mesmo você?

é quem é, até deixar de ser.


eu quero

20120312-182747.jpg

eu quero brincar de querer você. brincar de fingir te ter, tocar, tecer. brincar de sonhar me emaranhar em teus cabelos e desejos. e brincar de poder ser seu desejo.

quero brincar de tentar te fazer sorrir, e sorrindo, brincar de poder te olhar dormindo. e nessa brincadeira de tanto querer, transformar o sonho em realidade, a cama em nossa verdade e meu desejo em seu prazer.


00:34 2

soltar,
descolar você da mente.
desgrudar cada milímetro de você da minha pele, do meu pensamento, do meu coração.

acabar,
desfazer todo esse nó.
desfragmentar esse pacote de agonia e tristeza que você fez questão de me dar de presente, achando super normal deixar um saco cheio de pedras na minha porta.

enxugar,
extirpar qualquer sobra de lágrimas e sentimento.
voltar feliz para o momento em que nada disso existia.
quando era normal cama vazia.
quando era normal não querer você.


wrong

começou o dia querendo existir fora dali. fora daquele espaço ínfimo e também fora de você. pensava ter conseguido, mas o passado recente insistia em martelar bem de mansinho na sua cabeça. queria fugir das possibilidades que não eram mais possibilidades. escapar da maldição do “e se”… nossa, como ela detestava o “e se”. mas você continuava grudado em todo pensamento que surgia. junto com o “e se”. e, bem… não dava pra fugir. não assim. pelo menos ainda não. enquanto ela não percebesse tudo que estava por trás daquela atitude final, nada acabaria. e realmente foi aquele não disfarçado de “vou ali e já volto” já que mudou tudo. que fez com que ela trançasse os próprios pés e caísse bem ali. naquele mesmo lugar de onde ela, rodeada de palavras soltas infernizando seu dia, tentava lembrar da última vez que havia sentido algo daquela forma. no fim das contas, concordo que ela gosta mesmo é de sofrer. até porque quando dói é muito mais bonito…

(more…)


todos ao vento 4

a palavra é o que une e o que separa…
é preciso saber sentir. saber pensar.
saber falar. saber calar.
essa é a ciranda de roda que me embala.
que cala a fala.
que confunde a mente
em tudo que se pensa e/ou sente.

o que é pensado e sentido
logo remete à emoção.
a confusão desastrada
que ultrapassa o simples limite da razão.
via de mão dupla, onde não se sabe
por qual caminho trilhar.
o falar ou o calar…
o sentir ou o pensar…

ah! que venham todos!
venham me desafiar!
fazer infringir minhas próprias regras.
mudar conceitos, transformar.
pois eu sou a reencarnação do caos.
a palavra de ordem fora da ordem.
o pensamento solto, sem rédeas.
a idéia que ainda não surgiu.
o sentimento perdido.
o saber desconhecido…

que venham todos!
todos ao vento, que eu sou BRISA.

pedro camena e brisa dalilla =05/05/2008=


whatever 2

isso tudo poderia ser simples. poderia não me fazer tão abatida, tão fraca, tão suscetível. isso tudo poderia ser tão fácil. não precisaria ninguém sofrer, chorar ou ficar com a sensação de perda, de falta… isso tudo poderia ser tão mais vivo, vívido ou até mais vivido. poderia ser mais, simplesmente por ser, mesmo sem motivo aparente ou satisfação a dar para o mundo. poderia ser tão intenso, quanto os poucos momentos de luz fraca, sons inebriantes, lençóis novos e sensações indiscretas. isso poderia ser tão lindo, tão gostoso, tão sem palavras como as palavras que ninguém nunca consegue dizer. mas fica aqui o sentimento indigesto, a conversa travada, o dito pelo não dito. sobra uma tristeza estranha, uma indecisão tacanha e a vontade de fazer alguma coisa diferente pra que as coisas, então, sejam diferentes. resta a visão opaca de tantas lágrimas, o gosto amargo de não ter mais gosto algum e a certeza de que nenhuma certeza há de vingar.