palácio das dores aladas

ela voava sozinha,
pairando desavisada.
mal sabia que entrara
no palácio das dores aladas.
.
elas a cercavam, num só coro,
e mais que rapidamente.
dores em diversas cores,
a mostravam mil sentimentos diferentes.
.
dores por cima de dores
cobertas no escuro, de luz prateada,
e a menina confusa e paralisada
seu pranto entoava (ou destoava…)
.
pequenas e singelas, povoando seu céu
iam caindo uma a uma, as dores
repousando ou jazindo, inertes
numa suja e silente folha de papel
.
refestelavam-se, divertidas, em cores
ao sentir sua dor tão pungente
achando graça de tantos horrores
que afetavam o coração pequenino e doente
.
as dores e suas infinitas cores,
mostram que nada acabou
que os tempos, espaços e as flores
crescem no vento do que sobrou
.
e que a vida há de ser, sim, colorida
em chegadas e breves partidas
para lembrar que o que vive é o amor
recheado das cores que trazem a dor.
.
Brisa Dalilla =21/12/2008=

Lúdico? 1

Eu posso ouvir seus segredos, martelando em meus ouvidos, despertando meus sentidos, me alertando de perigos. Eu posso sim! Eu acabo sabendo de tudo que acontece (mesmo até as coisas que não acontecem). Às vezes minha imaginação vai mais longe, e eu brinco de ler seus pensamentos.
Vejo então que não há mais tempo, logo acabará o encanto, e fugirá da palma da mão o vão momento. Mas eu posso ouvir também seu coração, ele bate por mim, bem baixinho, bem de mansinho, mesmo que poucas vezes. Mas ele bate… Ainda há algo aí, não é? É… Eu sei. Ainda não se foi de todo, eu posso sentir!

Posso tentar te ouvir, sem mesmo estar o mínimo perto possível. Posso tentar te sentir… Sem tocar, sem ver, sem ouvir. E se me resta sonhar… Ah! Então vou sonhar! Com um dia que talvez nunca chegará… Mas ainda teimo em escrever contos de amor. Teimo em acreditar no amorTeimo em ser toda amor! Amor por ti, maior do que deveria sentir… Eu posso ouvir seus segredos, eu posso enumerar cada um de seus medos… Eu posso…

Ah, meu amor… Abandona tudo e vem viver de poesia comigo! Vem viver a vida que só é real em meus sonhos! Meu mundo paralelo, lúdico e etéreo Sair desse absurdo de mundo. Porquê não podemos viver só do lúdico? Das páginas amareladas pelo tempo, mas que guardam tanto sentimento. Sentimento tão igual quanto esse que guardo no peito, lado esquerdo, cheia de medo… Mas ainda cheia de amor


Brisa Dalilla =11/12/2008=


sonho 1

Era um sonho lindo de criança.

Trufas, doces, cartas de amor,
Contos, músicas cheias de cor.

Mas ela acordou sozinha no escuro
E lhe fugiu a criança contente,
Ficando com seu medo pungente.

Era só choro, horror, solidão.
A menina assustada, de boneca na mão,
Agarrando com força qualquer companhia
Que a tire depressa da casa vazia.

Confusões infinitas, em tortos momentos,
Misturadas e perdidas nos vãos pensamentos.
Tudo amargo, fraco, sem cor,
No quarto fechado, sem gotas de amor.

Agora reze e peça, menina!
Que um dia Ele ouve, enfim.
Percebendo que o destino da moça,
Não há de ser esse fim.

Há de ser um sonho lindo de criança,
Música, dança e toda esperança,
Num campo florido, cheio de cor,
Com a companhia constante do esperado amor

Brisa Dalilla =08/12/2008=


outta

deixe-me livre
faça-me livre
na dança do vento
na saia do tempo…
momento?
já não há momento
o passado é imenso
o presente, intenso
você preso em meu tempo
(seu tempo e meu tempo
fundido, perdido
ao meio, partido).
esquecido…
meu amor em sua mão
minha dor
e seu coração.
mentiras vívidas (vividas)
rosto lívido em covas vazias.
sem guias
ou explicação
recebo e rechaço
seu gosto e seu não.
só eu sei teu nome
só eu sei tua fome
só eu chego ao âmago do ser…
não me negue prazer!
abro-me.
aconchegue-se.
ame-me – amo-te
amor…
viva afeição que nos impele
para o objeto dos nossos desejos.
desejos, beijos, lampejos
em ardor a exaltação.
te levo e te xingo
te jogo em meu chão.
pra provar pra ninguém
que só eu te amasso
recebo e rechaço
seu gosto e seu não.

Brisa Dalilla =20/11/08=


Capitanear

Eu estava bem aqui

Prontinha pra me regenerar
Disposta e virar meus conceitos
Como achei que deveria estar

Aí você vem e me desfaz
Se embola nos gestos
E vem tropeçando por trás
Destoa todo conto encantado
(que na verdade só vinha de mim)

Se vira e joga tudo pro alto
Da forma mais estanque e banal
Quebra todas regras,
Por causa do pecado original.

Eu pensava ser o capitão deste navio
Agindo com mãos curiosas e pontas de dedo.
Dia após dia, esperei muito de você, meu amor.
Dia após dia, esperei que descobrisse meu segredo…

falha do amor 3

ela senta na cama e sonha.
perde-se num tempo (in)existente e longínquo.
perde-se no redemoinho dos próprios pensamentos.
perde o rumo, perde o tino.

canta ópera de mentira para as paredes.
se encanta com a própria imagem nos espelhos.
julga-se linda, ainda que esquecida
pelas ondas insanas dos cachos de seus cabelos.

ela senta no chão e chora.
é tudo tão frio, tão sem sentimento.
ela corre o mundo todo, gritando ao tempo
que um dia se perderá na curva do vento.

canto solene num pranto enxuto,
da garota sem rumo, da mulher vazia.
que julga existir apenas por uma falha do amor
que concebeu seus encantos naquela estranha noite fria.

Brisa Dalilla =13/11/2008=


i heard love is blind

muito tempo passei a me enganar,
achando que sabia tudo sobre ego,
mas um dia vieram me contar,
que felizmente o amor é cego.

Brisa Dalilla =13/11/2008=


medrosa 1

vontade eu tenho demais,

e quando você falar o que espero

já saberá minha resposta.
mas não sei o que acontecerá,
no dia que nossa poesia
finalmente virar prosa.
Brisa Dalilla =10/11/2008=

insólito 2

noites l o n g a s,
noites pálidas.
*constelações*
perdidas num
céu de opções,
ou ilusões…
maculando o tempo,
livrando o momento,
no azul negro (da noite),
do vento do apego (e do açoite).
quero viver em liberdade
mas há tanta saudade…


Brisa Dalilla =06/11/2008=


partes 2

parte de mim é festa
a outra parte não
presta

Brisa Dalilla =06/11/2008=


musique

a música da vida não toca mais.
parou no tempo, __________________
a seu contento.
a música manda em si própria,
você não vê?
ela não obedece o ritmo imposto ___
por mim,
nem por você.
a música governa suas próprias notas,
sua escala é escolhida ____________________________
quando o tempo fecha as portas.
escala escrita
na mente fugás.
ferve o sangue, ________
mostra seus dentes,
como quem a ouve, faz.
a música da vida é construída
no silêncio, _________________________________
no tempo presente,
do instante vivido.
que a ouve foge,
corre, ____________________________
sofre como animal ferido.
uma dia hão de compreendê-la,
controlá-la,
prendê-la. _____
mas ela fará com que suas partículas
reverberem toda sua astúcia,
mostrando que se não a libertarem,
tudo se acaba, _______________________________________
não haverá mais a música.
Brisa Dalilla =06/11/2008=

segredos 2

todos nós temos segredos
e tudo muito bem escondido
um affair com a empregada
um beijo no melhor amigo.

todos nós temos coisas a esconder
do namorado, de mim, de você
um amasso furtivo na escada
uma fantasia de puta mascarada.

todos nós temos segredos
e vale a pena os esconder
esconder não é mentir
omitir é saber se vender.

todos nós temos coisas a esconder
e não vale a pena esquecer
todos mentimos da mesma forma
para continuar a conviver.

Brisa Dalilla =27/10/2008=


balada da pistoleira 1

escondo o pranto no canto (surdo).
me fecho, me escondo. escuridão, meu escudo.
anoiteço, amanheço.
de tempos em tempos, entristeço.
caio no mais profundo sono
(porém acordada)
e concordo, apesar de querer discordar,
soltar, gritar!
de tempos em tempos penso em mudar meu mundo,
meu tudo, meu nós, vós, eles (elas)
tantos corpos juntos numa só voz
mas observe: estão todos a sós!
perdendo-se entres beijos, desejos
ensejos de amor sem fim.
é dor demais que permanece
pra todos nós. talvez até pra mim.
não posso, não devo, não tento
nessa loucura de querer demais.
me entrego sempre por inteiro
temo só o que não fica pra trás,
o que ganho ou o que perco
whatever, tanto faz.
e nesse jogo de amar,
que tanto me pede para tentar
insisto tanto em me testar,
que chego a me detestar!
e ainda insisto nessa corrida estúpida
de não saber o que fazer
querer sair, sumir, desaparecer,
já sabendo que não há de acontecer.
ainda não entendo muito de amor.
tudo que consegui foi na base da dor.
mas eu juro que um dia quero entender,
as formas, os corpos, os gostos
as mentiras que fazem viver.
todos somos únicos e especiais
cada um da sua forma
cada um na sua hora
(e passa a bola mão de cola!
que agora não é sua vez mais!)
1, 2, 3
abre-se a cortina para o fim da balada
prevendo o dia em que serei estanque,
calminha, como água parada,
(frase correta e acabada).
não esse desassossego pungente,
longe de ser normal como essa gente.
sou hipócrita com minhas próprias convicções
esqueço dos rostos, nomes, me faço de mudo
esqueço o que falo, o que acredito
só pra depois dizer que foi surto.
isso tudo porque me dá medo de não acertar,
ou de não saber como errar.
medo de me confundir, se não ponderar.
medo de ir embora e medo de ficar.
medo forte, assim, medo sem fim
medo de deixar de existir pra você
(e pra mim)

Brisa Dalilla =27/10/2008=


Com[Pressão]

Você não faz arte,
Você cria vida.
Tudo que toca, anima;
Tudo que pensa, esquenta;
Tudo que escreve, ferve.
E eu, panela de pressão,
vibro, sopro, assobio
e até explodo.
Como não?!

Pedro Camena. *28.06.2008*


versos inversos 3

te amo porque teu cheiro não sai da minha pele, nem que esfregue mil vezes, na tentativa de diminuir a saudade;

te sinto porque sei que me sente, e em sua enorme presença em mim, me cobre, me acalma, me excita e me entende;

te desejo porque seu coração me governa, sua boca impera sobre minhas atitudes, seu corpo me chama, me ama, me atende e me cama;

te entendo porque somos feitos da mesma matéria, estranha (da entranha), fomos contruídos do mesmo barro, nascemos na mesma natureza;

te excito porque não há outra forma, a vontade da paixão me descontrola, o carinho do amor me domina, o ato de te desejar me ensina a excitar;

nos amamos, nos ensinamos, nos permitimos, nos desconstruímos;
nós na cama, nós na fama, nós nos nossos próprios desejos conectados;
eu que amo, você que ama, eu que desejo, você que deseja;
versos inversos reversos e desconexos,
para constatar o inconstatável;
a existência do amor com regras e desregrado,
da vontade imensa e inquestionável,
da saudade intensa que aperta os sentimentos,
do desejo de estar com você além do tempo.

brisa dalilla =ontem de noite=

saudade, muita saudade