Yearly Archives: 2007


OU NÃO 2

Banho quente. Sabonete com cheirinho de bebê agrada. A alfazema de sempre serve como perfume. Deixa o corpo molhado. É bom o choque do contato com o ar gélido. Arrepia. Faz sentir mais. Chet Baker no player. Lembranças de conversas de outrora. Revelações, confissões, risos, amor, sexo. Fossa? Não, seu moço. Esse coração aqui anda parado no tempo. Tensiona sentir tanta coisa que ainda não veio. O tempo é inimigo. Minutos passam de forma inversamente proporcional ao sono que não quer vir. A luz já se apagou. O monitor pisca ao longe. A lanterna do celular faz seu serviço bem. O livro da tribo diz que a página rabiscada é quarenta e seis. O verso impresso diz “para viajar, basta existir!”. Esse Pessoa sabe das coisas. Entende a infinita arte dos desejos. Sabe de meus planos. Meio do ano que vem? Quem sabe… Tudo pode dar certo. Ou não, já dizia Caetano. E a vida corre. Pula. Dança. Segue seu rumo torto. E eu sigo o meu. Não mais indo de encontro à própria vida. E sim, consciente do caminho torto que me levará até lá. Onde? Lá no alto. No centro. Bem dentro. Forte e fundo. Lá onde mora o medo do mundo.

Alô, paixão!

Um grande número de coisas e pessoas vem e vão em nossas curtas vidas. Quando vem, é só felicidade, calor, vontade. Quando vão, deixam o sabor acre da saudade. Bom mesmo é o retorno. O reencontro. O re-beijo. Re-abraço. A reaproximação. Amo os reencontros em todas as suas incontáveis formas. Amo ainda mais saber que alguém que gosto tanto retorna a meu convívio.

É como se o tempo passasse para todos, menos para nós.
O mesmo calorzinho no peito. A mesma reviravolta de sentimentos. A mesma vontade de ter por perto. Tudo, tudo, tudo e tudo.
Então, paixão… Eu que nem sou assim tão fã de emocore, parafraseio o Simple Plan e canto com o coração cheio de vontades boas: welcome to my life… Again!

TANGO OU BOLERO 3

Tango ou bolero.
Não me nego
E espero,
A face oculta
Do prazer
Interno.
Te enterro,
Sofro doenças vis
Porque quis.
Somente quis…
Ah! Sonho com Paris!
Noites quentes
Esquecidas.
Tão vívidas,
Bem vividas.
Passo solto,
Pelo que espero
Encontrar.
Me elevo,
Me enervo,
Entretida no transe
Do tango ou bolero.

Brisa Dalilla =03/11/2007=


DANÇA

Dança em meu ventre
O sexo tosco,
O beijo sem gosto…
Prazer tão banal.
Afinal, o que há de ser essa dança?
Que enerva, entretém e balança,
O corpo sofrido
E esquecido
Por todos, por nós.
Após o calor indesejado
Sofro em meu canto,
Calado.
Encharcando com remédios toscos
Feridas que não hão de cicatrizar assim.
Para mim
Não há mais emoção.
O que fica é apenas a redenção,
De saber que sou desejada
Mas não desejo.
Perco-me em transes gozosos,
Em sonhos gostosos,
Dum prazer que não hei de venerar
Por ter de esperar,
E que um dia qualquer
Haverá de chegar.

Brisa Dalilla =03/11/2007=


CONSIDERAÇÕES [1] 1

Havia um tempo em que eu não fumava cigarro nem tinha namorado. Me satisfazia com um Ludov no Media Player. Uma cerveja e um Cheetos no posto. Bastava rodar de moto pelas ruas da cidade do calor mais modorrento do mundo, sentindo o vento na cara. Ou assistir a um filme, sozinha, no cinema. E ver os bobos me perguntarem porque sozinha? E eu respondendo sempre porque eu me considero minha melhor companhia. Tá… Vamos considerar que eu não sou assim, a pessoa mais auto-suficiente do mundo. Mas estar sozinha, fazendo coisas que eu gosto, é primordial pra mim. Coisa que eu tenho e terei sempre comigo. É muito difícil alguém em sã consciência entender que você gosta de ficar consigo mesma. E que naquele momento não seria a mesma coisa se estivesse acompanhada. Bobagem, dizem. Bobagem uma porra, eu respondo! Individualidade é imprescindível! Saber fazer as coisas sozinha e se virar também! Mas não é o que acontece normalmente, com as pessoas normais (ok, já percebi que não faço parte dessa raça – os normais). Mas é terrível ter de explicar tudo duas vezes. Alôôw, Deus! Porque cê não fez humanos com tecla SAP? Ia ser mais fácil desse povo doido entender as minhas sandices e eu entender as deles. Complicado esse negócio de viver, né? Mas é gostoso, apesar de trabalhoso. E sigo sobrevivendo. Sem minha moto para rodar as ruas da cidade calorenta. Sentido o vento quente baforar minha nuca, andando sempre à pé. Agora tomando cerveja (sem o Cheetos acompanhando) no horário de almoço. Sem ver mais tanta graça no cinema by myself. Ouvindo o novo cd de Ludov (que não é a mesma coisa do antigo – os antigos sempre são os melhores, procede?). Sem namorado, como antes (mas, doida de pedra por um ;~). Mas agora com o plus da nicotina exacerbada de todo dia, amém.

Então vamos lá ver qual será o próximo passo.
O próximo pulo no mundo.
Ou o próximo vício, quem sabe…

Até mais, meu povo.


ENTRE AS PERNAS 2

Deixe-me chegar
Ao princípio do vício,
Paraíso entre as pernas.
Longas faces absurdas,
Cordas vocais agudas.
Face do inesperado,
Grito sufocado.
Prazer de ser
O que o inconsciente oferece,
A magia além do imaginável,
O prazer quase intocável,
Possível quando se está entre as pernas.
Do leito quente,
À posse eterna.
Num frêmito de paixão
E encantamento,
Deixo o momento nos transformar
Em dois corpos
Caçadores de desejos,
Num pejo,
Numa fúria,
Que buscamos,
Por entre as pernas…

Brisa Dalilla =2002=


LUZES VERMELHAS

Conto um sonho
Como quem canta a noite,
Como que abre seus olho à luz.

Condo um sonho de alegria,
Que minha fantasia me permite ter.

A ilusão de que sou feliz
É sem sombra, sem cor.
Totalmente contra o sol.

Vivo só para procurar as luzes.
Aquelas lá do fundo…
Aquelas de que te falei,
Fortes, vermelhas,
Luzes de inspiração!!

Que havia perdido há tempos atrás,
Na confusão de minha tristeza…

Brisa Dalilla =15/06/2004=


ISSO NÃO É POESIA, É VONTADE…

Tô com vontade de beber licor,
Comer milho quente,
Ou até pipoca.

Vontade de dançar,
Correr na chuva,
Ficar gripada.

Quero cantar no chuveiro,
Lavar o banheiro,
Dormir tarde,
Amar até tarde.

Tô com vontade de viver!
Cada vez mais…

Brisa Dalilla =12/06/2004=


Não diga nada…

Se outro alguém tocar teu corpo,
Não diga nada.

Não será minha mão,
Não será como eu toquei,
Não vai ser com meu jeito,
Ou com o mesmo carinho.

Você haverá de sentir saudade,
E vontade de comigo estar.

Se alguém um dia te tocar,
Não diga nada…

Apenas lembre-se
Que tudo de bonito que houve entre nós
Não será mais verdade
Pois não sentirás minha mão,
Nunca mais…

Brisa Dalilla =12/07/2004=


Negação

Não,
Não vai,
Não vai agora,
Não vai agora assim,
Não vem agora dizer pra mim,
Não vem dizer que é assim,
Não me diz que é medo,
Não diz que o medo é de mim,
Não faz do medo uma barreira,
Não diz que isso aí é besteira,
Não faz pouco caso,
Não me deixa por baixo,
Não diz que eu tô sempre errada,
Não diz que sou maluca, abobada,
Não vem com essa história absurda,
Não vem falando com essa voz aguda,
Não me deixa sem chão,
Não vem me dizer que não,
Não vem me achar feia,
Não diz que eu fiz bobeira,
Não grita comigo,
Não diz que é só amigo,
Não me deixa a perigo,
Não me larga no ato,
Não me faz de gato e sapato,
Não me deixa na mão,
Não esqueça que tenho coração,
Não me larga no chão,
Não me implora perdão,
Não diz que não me ama,
Não.

Brisa Dalilla =04/2004=